há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!

O desgraçado governo da nossa desgraça



No dia em que o “desgraçado governo da nossa desgraça” decidiu lançar 3 mil milhões de euros em dívida pública a 10 anos, segundo as notícias veiculadas pela comunicação social, a procura por parte dos mercados correspondeu a um montante de quase 10 mil milhões.

Essa elevada procura, segundo dizem, permitiu colocar a dívida a 5,11% de juro. Foi uma festa enorme, foguetes, confettis e musica a rodos. Palhaços e palhaçadas, nem se fala. Foi um ver se te avias. O IGCP veio dizer que esta operação foi um sucesso total, "atingindo um marco importante ao começar a pré-financiar 2015 e a construir uma almofada de tesouraria".

Almofada? Pré-financiamento de 2015? Então, não havia que aplicar medidas draconianas porque sem elas o dinheiro não chegava? E agora já se fala em almofada de tesouraria para 2015? Algo não bate certo. E bate ainda menos certo quando, no mesmo dia a Espanha colocou dívida, também a dez anos, só que com juros de 2,8%. Ora, se os portugueses 5,11% são um sucesso, como se classificarão os espanhóis 2,8%? Um êxtase económico-mercantil? Uma lotaria financeira? O euromilhões da dívida pública?

Não, meus caros, o euromilhões da dívida pública estamos nós, Portugueses do povão, a atribuir à banca internacional da Escandinávia, Inglaterra, Portuguesa e outras que tais. Esses é que estão a ganhar o euromilhões da dívida pública, pago com os nossos impostos, a nossa miséria e a nossa fome.

Regozija-se esta cambada irresponsável com os atingidos 5,11%, mas a questão é esta: só se atingiu esta “incrível” taxa de juro porque a procura foi muito superior, porque se a procura tem ficado abaixo e não tem havido leilão, levávamos outra vez com uma taxa de 10%. É esta a confiança que os divinos “mercados” têm na nossa economia e na bonomia do nosso “desgraçado governo da nossa desgraça”.

E mais sublinho, mesmo assim, atingem 5,11%. Sabem porquê? Porque o BCE tem a rede metida nos mercados secundários. Porque senão… Ora, se o BCE garante, como é que um empréstimo a 10 anos, com juros batidos a 5,11%, não há-de tornar-se um bom investimento? Ganham 5,11% sem mexer uma palha. E ainda se garante que, aconteça o que acontecer, recebem sempre. Ainda dizem que isto se deve à desconstrução politica desta maralha a que chama governo português?

A verdade em Inglês, a mentira e Português

Paulo Portas, na sua tradicional capacidade para prometer o que não cumpre ou o que apenas pode cumprir em muito pequena escala, veio dizer que, em 2015, face aos sucessos alcançados, é natural – natural, vejam só – que se possa aliviar a conta do IRS cobrado ás famílias.

É assim: em Junho do ano passado, estava irrevogavelmente para se ir embora; em Dezembro de 2013, o país estava à beira da banca rota e até se falava em 2.º resgate como forma de pressionar o TC; em Fevereiro de 2014, já se pode baixar o IRS a curto prazo. Típico deste governo. O que diz hoje, não repete amanhã e o que faz agora, desfaz mais logo. A eterna convulsão de um governo em estado de fragmentação, apenas agregado por uma cintura de interesses económicos que, em nada, confluem com os interesses do país e do povo Português.

Claro que, a ministra das Finanças – qual Gaspar com menos olheiras e de sexo diferente – se apressou, ainda ontem, em inglês para ninguém perceber, que não se julgue que a austeridade vai acabar, porque não vai! Ainda faltam muitos, muitos anos! Já não será no nosso tempo?

Nem um jornaleiro ouvi, questionar o Portas e o Coelho, sobre que raio de contradição é esta. Nem um. Então em Português, diz o governo que isto vai aliviar, em Inglês, o mesmo governo diz que isto vai continuar a apertar. Ele diz que sim, ela diz que “No”.

Esta realidade só pode ter duas leituras: uma, a de que o governo não se governa a si próprio, e cada um diz o que lhe apetece e o que lhe parece que é o melhor para si próprio e para o seu projecto político; duas, a de que o governo tem um discurso para dentro e outro para fora; para fora diz a verdade e para dentro a mentira. Admirados?

Ora, as duas são verdade. Portas, quer voltar ao poleiro em 2015 e por isso faz uma promessa pré-eleitoral. A ministra quer ter duas alternativas de carreira: a primeira, manter-se no poleiro em 2015 e por isso, só diz a verdade em Bruxelas e mesmo lá, em Inglês; a segunda, a ministra quer ter alternativas profissionais para o caso de o poleiro falhar e, assim, sabe que se defender um discurso austeritário, ultra liberal e financeirista, terá as portas abertas no BCE, FMI, Banco Mundial… Eis a explicação.


E porquê a almofada?

Isto leva-nos à existência da almofada. É que o governo, ao contrário do que Passos sempre disse – para variar – está preocupado com o efeito eleitoral das suas medidas ultra liberais. Então concebeu um plano relâmpago, numa lógica de Blitzkrieg:

  • Sair em Junho do programa de assistência à Irlandesa sem qualquer apoio cautelar (leia-se segundo resgate, seja o da troika, seja o do BCE).

Esta saída permitirá ao governo dizer: - Vêem Portugueses? O governo prometeu que iríamos seguir no bom caminho. A prova é que acabámos o programa no prazo acordado e não precisamos de ajuda de ninguém. Fantástico não é?

Já estou a ouvir o coro de loas tecidas pelos seguidistas do costume, que obrigar-me-ão a desligar a televisão sempre que a ligar, para não ter de a partir.

  • Em 2015, diminui o IRS, aumenta as reformas e os funcionários públicos.

Esta medida colocará o coro de anjinhos laranjas (há uma empresa que trabalha com o governo no caso das start-ups que se chama “business angels”) a dizer: - Agora é que isto vai para a frente, este governo recuperou o país!

Será uma infindável festança, dias e noites a fio de auto regozijo, de Carnaval político e de embriaguez eleitoral que durará até ao verão.

Claro que, para que isto suceda é preciso uma almofada que permita ao governo estar cerca de um ano e meio após a saída do programa da troika, sem ter necessidade de ir aos mercados. Tudo para não estar sujeito a possíveis convulsões e ataques especulativos numa fase de fragilidade financeira. Daí a necessidade da constituição de almofada.


A que custo?

Esta cambada de suínos, javardolas e irresponsáveis, sedentos de poder, sangue e dinheiro, retirados do filme italiano “feios, porcos e maus”, só com diferença para o primeiro atributo, o que faria fazer um filme novo chamado “bonitos, porcos e aldrabões”, só para ganharem as eleições vão colocar o país numa situação ainda mais insustentável?

Vão! Tudo pelo seu ego narcisista. Esta récua malcheirosa vai sujeitar-nos aos seguintes danos potenciais e reais:

  • Pagar juros elevadíssimos (5,11%) para criar uma almofada que ajude a criar a inclusão de estabilidade. Ora, os 5,11% são insustentáveis. Para saberem da insustentabilidade de um juro basta pensarmos assim: Se os juros se situarem acima da taxa de crescimento real da economia, são insustentáveis. Agora percebem como é que a divida está sempre a crescer, mesmo com os cortes todos;
  • Aumentar a divida pública, o que sujeitará o mercado bancário ao pagamento de juros mais elevados sempre que se pretender financiar nos mercados;
  • Aumentar os impostos e reduzir as despesas sociais para ter de pagar os juros e a divida acrescida, uma vez que a economia não crescerá o suficiente para, só por si, provocar um aumento da receita do estado, de forma a permitir o reembolso da divida;

E a pior

  • Se passado 2015 e, após as eleições, o governo ganhador tiver de ir aos mercados e os juros começarem a subir outra vez (ou basta manterem-se a 5,11%), lá vai o país ter de recorrer outra vez ao FMI e à troika só que desta vez em condições ainda mais frágeis do que esta em que ainda estamos.

Nessa altura já não haverão privatizações porque estes cavalos já venderam tudo ao desbarato aos amigos costumeiros. É esta a gravidade da nossa situação. É esta a situação em que nos colocam governos sucessivos de irresponsáveis doentes pelo poder.

E o PS?

Depois vem a caricatura do PS. O partido que mais tem traído o seu eleitorado.

  • Seguro nãos e insurge contra as privatizações
  • Seguro não se insurge contra as novas PPP que aí vêm para a ferrovia
  • Seguro não promove tribunais próprios para as empresas estrangeiras, tentando assim criar um estado dentro de um estado
  • Seguro não tem estratégia para o país

O PS é um partido, hoje em dia (sucede com todos os partidos trabalhistas e socialistas da Europa), sem espaço político. Ao trair o seu eleitorado em benefício da ideologia neo-liberal, hipotecou as expectativas dos social-democratas e dos “apelidados” socialistas moderados. O PS defraudou todos os que pensavam ser possível domesticar o capital financeiro.

Apelidando outros de radicais, extremistas e sectários, o PS desradicalizou-se e perdeu-se na bruma do cinzentismo politico, na névoa criada por aqueles que dizem que “não há esquerda nem direita”, que a ideologia é coisa do passado e que o tempo não é de “luta de classes”. Ao fazê-lo, o PS tornou-se, no essencial, mais um partido de sistema, um partido de rotação e de aparência democrática. O PS passou a fazer parte da farsa que é criada para fazer parecer ao povo que as alternativas existem, sem existirem, porque quem ganha, PS ou PSD, quem manda continua a mandar e quem tem continua a ter e quem perde continua a perder.

O risco desta amálgama de indiferença, de politica indistinta, de posicionamentos caracterizados pelo salamaleque daquele que se considera igual, de amiguismos e falsos consensos, é enorme. É o risco de não termos futuro. É o risco de esquecermos o passado como referência do que não deveria de voltar a ser.

Só em nós, tu, ele, vós, eles, está a força de poder mudar isto. Estão preparados?
Espero que sim, mas acho que não!

Avante Portugal, avante.



Este governo é um paraíso de negociata manhosa. Nem no tempo da outra senhora o financiamento directo e indirecto aos poderosos grupos económicos, era tão evidente. Nem tão evidente, nem tão inventivo. Só de pensar o que estes tipos inventam para colocar dinheiro nos bolsos de quem os promove…

Relvas com o impulso jovem, agora Maduro com a garantia jovem. Estágios para desempregados licenciados (jovens de preferência), baratinhos como na bagatela. Ainda no outro dia, aparecia o IEFP com um anúncio para Engenheiro, com viatura para colocar ao serviço da empresa, disponibilidade para circular pelo país, tudo isto pela módica quantia de € 600,00. Á empresa apenas cabe o pagamento de pouco mais de 1/3.

Espectáculo, jovem, qualificado, submisso e não sindicalizado, por um ordenado que nem na China.

Bem que o governo que com um enorme azar e para nossa desgraça nos calhou em sorte, se tem esforçado para nos colocar, no que ao custo do trabalho diz respeito, ao nível da Ásia e no norte de África.

Com grande esforço dos sindicatos da CGTP-IN (sim, eu tomo partido) e de um ou dois partidos da extrema esquerda (até a esquerda passou a ser extrema, porque a moderada, não é esquerda, é direita), estes talhantes de carne humana têm encontrado algumas barreiras ao seu propósito, contudo, têm vindo a conseguir alguns retrocessos civilizacionais importantes:

1.º Com a descida geral dos salários, pela pressão do desemprego elevado (inconfessavelmente propositado), conseguiram colocar os nossos custos salariais bem perto da Roménia, Bulgária, etc… Se a Ucrânia entra para a EU, já se está mesmo a ver.

2.º Com o desemprego elevado que justifica a adopção de politicas de criação de emprego, que mais não são do que cheques emitidos aos grandes grupos económicos e outras empresas, que lá pelo meio, também acedem ao bolo, o governo consegue, através de um processo de substituição de novos (baratinhos) por velhos (carotes), colocar as empresas dos amigos a funcionar com salários ao nível do 3.º mundo. O resto é pago pelo estado.

Claro que, para que esta politica seja possível, é necessária uma taxa de desemprego altíssima e, acima de tudo, uma perspectiva imediata de que essa taxa não vai descer, mas sim, subir. Essa taxa de desemprego elevada e o receio que provoca, permite ao governo a justificação de que necessita para:

- Flexibilizar despedimentos com o objectivo, dizem, de promover uma maior rotação entre empregos, criando a ideia de que o n.º de empregos é maior do que o é na realidade.

- Baixar custos salariais, através de ataques à lei laboral e à contratação colectiva, dizendo que as empresas assim contratarão mais.

- Dar dinheiro a rodos aos amigalhaços através de estágios de desempregados que permitem às empresas contratar pessoal qualificado, por valores irrisórios

Assim, contribuindo para perpetuar e aprofundar um modelo ultrapassado de relações laborais, do qual apenas beneficiam os grandes grupos económicos, este governo mantém elevada a taxa de desemprego e, cumulo dos cúmulos, ainda nos faz pagar estas coisas através do Orçamento de Estado.

Primeiro obriga-nos a trabalhar de borla e depois, mesmo do desgraçado salário que tiramos, ainda temos de pagar para dará dinheiro às empresas para nos pagarem esse magro salário. Uma roda viva, alimentada por nós, reduzindo enormemente os custos salariais dos patrões.
Entrementes, a electricidade e a energia, em geral, são das mais caras da Europa, os impostos, IVA, etc., são caríssimos e a justiça é lenta. Isso já não conta para a competitividade, porque daí também os seus amigos retiram benefício. Lucros astronómicos obtidos por empresas monopolistas vendidas ao desbarato e justiça lenta para que estas negociatas não acabem em processo crime. Tudo pensado e bem pensado para nos manter de cabeça baixinha.

Até quando pagamos para não comer? Até quando nem comemos, nem falamos? Até quando engolimos em seco com tanta mentira e desonestidade intelectual?

Arre, tanta cobardia já chateia. Avante Português, avante.

O populismo de esquerda não existe




 Os comentadores e a isenção

Os comentadores da nossa praça – refiro-me aos que considero minimamente sérios e livres na sua opinião –, numa lógica aparentemente neutra ou pseudo isenta, quando se referem à actual crise e ao actual panorama “austeritário”, costumam transmitir a sua preocupação quanto à sobrevivência do actual sistema democrático.

Nesse desfilar de causas e consequências, é costume referirem a seguinte opinião: “este tipo de governação vai levar ao fim da nossa democracia”. Todos percebemos isso, sobretudo, quando outra análise não pode resultar da actual sequência de perda de direitos, liberdades e garantias. A continuar este estado de coisas, muita coisa irá, certamente, ao ar.

No entremeio das suas preocupações com o aumento da conflituosidade social – continuo sem perceber esta obsessão pela situacionista “paz social” – e com o aumento do descontentamento popular, é com toda a aparente sapiência que dizem: “o descontentamento leva ao voto no populismo”. Até aqui tudo bem, estamos de acordo.

Nãos e ficando por aqui, como cão com medo das arrelias do dono, os nossos comentadores acabam por concretizar a ideia anterior com a seguinte ideia: “o voto do descontentamento é canalizado para extrema-direita e para a extrema-esquerda”.

Como costumo dizer, uma no cravo e outra na ferradura. Afinal, é tal ideia de "centrismo" filosófico e ideológico que lhes garante, em toda a extensão, a presença nos meios de comunicação social.

É, nesta ultima ideia que os comentadores mais idóneos da nossa praça – estou a falar apenas e tão só de comentadores políticos e não de políticos convidados a comentar – acabam por desvelar a sua real idiossincrasia.

O voto do descontentamento é canalizado para a extrema-esquerda? Quando é que isso aconteceu? Alguém é capaz de dar um exemplo que seja de um país democrático, no qual o descontentamento popular com os partidos do centro tenha descambado, num voto submetido a uma lógica populista de extrema-esquerda? Conhecem apenas um exemplo?

O voto do descontentamento

Vejamos alguns casos. A Finlândia: verdadeiros finlandeses, extrema-direita populista. França: Marie Le Pen, extrema-direita populista. Itália: Pepe Grilo, palhaçada indeterminada. Áustria, Holanda, Irlanda, Inglaterra, Bélgica, Hungria… Poderia continuar. Todos de direita bem extrema. Á excepção do palhaço Pepe Grilo que, para nossa sorte serviu de catalizador contra os votos que poderiam dirigir-se para o mafioso “Berlusconi” e que, curiosamente, não é visto como populista e demagogo, mas sim, como um homem do sistema.

Concluindo, nem um só exemplo de voto de descontentamento à extrema-esquerda. Nem um. O voto incauto, o voto desinformado, o voto da falta de ideologia, o voto xenófobo, o voto intolerante, o voto de raiva, o voto sentimental é sempre, mas sempre, um voto de direito. Sempre.

As diferenças

Podem vir com as Venezuelas, os Equadores e as Bolívias. Esses votos não são votos populistas ou desinformados. Sabem porquê?

Primeiro: o populismo assenta na seguinte ideia – dizer ao povo o que ele quer ouvir sem que se tenha a mínima intenção de o satisfazer. O objectivo é tão só ser eleito e obter o poder. Daí a expressão “populismo”. Ora, nos casos apontados ocorridos na América latina, estamos perante governantes que, mal ou bem, têm tentado governar ao serviço do povo e dos mais desfavorecidos, promovendo uma mais justa redistribuição da riqueza e com total respeito pelas regras democráticas. Aliás, ao contrário dos populistas que, ou descambam em ditadura ou são corridos do governo (lembram-se do Haider da Áustria?), estes ganham eleições sem conta, umas atrás das outras, devido ao reconhecimento daqueles para quem governam.

Segundo: O voto à esquerda, não à extrema-esquerda, embora hoje em dia goste-se de catalogar a verdadeira esquerda como “extrema”, é sempre um voto informado. Um voto de conhecimento de causa. É o voto de quem reconhece a vantagem de votar em alguém que tem a intenção de governar numa determinada direcção. Porque é que no Alentejo se votava no PCP? Por causa da Reforma Agrária, por exemplo. A reforma Agrária deu aos pobres a primeira oportunidade de dignidade das suas vidas. Daí o voto informado, o voto assente na experiência e no conhecimento de causa. O voto conquistado. Julgo que todos reconhecemos que as câmaras municipais do PCP, durante décadas foram das únicas bem geridas em Portugal. A situação era conhecida. Bastava, nos anos 80, comparar as câmaras do Alentejo às de Trás-os-Montes.

Terceiro: O uso da demagogia pode ocorrer na esquerda? Claro que pode. Mas nãos e confunda demagogia, com populismo. A demagogia consiste em exagerar um determinado facto de forma a dar-lhe um destaque que não merece ou uma dimensão superior à que realmente possui, retirando daí, dividendos eleitorais. Mas não é o mesmo que inventar factos ou mentir, como sucede no populismo. Infelizmente, o jogo demagógico é profícuo em política e, deixem-me dizê-lo, não é a esquerda que mais abusa dele.

Conclusão: senhores comentadores, não confundam extrema-esquerda com a extrema-direita. Não são a mesma coisa. No primeiro caso falamos de um voto descontente mas de revolta, de intenção revolucionária. No segundo caso, falamos de um voto reaccionário, xenófobo e intolerante. Sorte a nossa que o descontentamento e o sentimento de reacção desembocasse à esquerda. Sorte a nossa. Mas não é, nem poderia ser o caso. Ao voto de extrema-direita falta-lhe a informação, o conhecimento e o sentido de justiça. Falta-lhe a sabedoria. Não é a toa que o discurso mais básico de todos é sempre um discurso de extrema-direita. O discurso do retrocesso é sempre um discurso de extrema-direita.

Não vamos mais longe, o governo que mais nos leva em direcção ao passado é o governo em que manda o CDS-PP. Lembram-se das feiras, dos táxis e dos velhotes? Já sabem o que o populismo?

Gas, petroleo e muita desinformação, para variar

Petróleo e Gás em Portugal? Quem bom! Dizemos todos em coro, dando voz a uma ténue esperança de que todos os nosso problemas e insuficiências se resolvam sem que necessitemos de "mexer uma palha".

Como já foi noticiado, quer no Algarve, quer na região Oeste, quer provavelmente noutros locais da nossa enorme plataforma continental, a possibilidade real de se iniciar a extracção de combustíveis fósseis é muito grande. Isto claro, quando e apenas quando, tal interessar às grandes corporações petrolíferas, atrás das quais os nossos governantes avidamente se arrastam.

Agora, o que é que o povo sabe sobre este processo? O que é que foi noticiado? Quem é que tem sido envolvido, das comunidades locais às organizações sociais e democráticas nacionais? Muito pouco se tem ouvido falar, aliás, tudo muito dentro da lógica informativa da nossa comunicação social. Pouco inquisitiva dos poderes reais (e muitas vezes, dos formais também), pouco plural e pouco esclarecida.

Todos ouvimos falar de que a concessão destas explorações teria de ser atribuída a petrolíferas privadas. São elas que detêm a tecnologia e o know how. Chegámos a ouvir falar de uma contrapartida de 0,20€ o barril de petróleo extraído. Muito dinheiro, sem dúvida, principalmente quando se vende o mesmo barril, nos mercados internacionais, a valores acima dos 100€.

Como sempre, este assunto, tal como outros, não foi democraticamente tratado, nem do objecto da informação esclarecida, esclarecedora e plural que seria própria de uma comunicação social que se diz livre. Para estes senhores, a liberdade existe desde que sejam livres do estado. Já no que respeita à liberdade que têm em relação a outros poderes bem mais insidiosos, autoritários e antidemocráticos...

Bem, mas um dos aspectos mais sensíveis de toda esta problemática tem a ver com as técnicas de extracção. Ouviram falar alguma coisa sobre as técnicas de extracção a utilizar? Eu também não! Pelo menos até tropeçar, na internet, em algumas noticias sobre a contestação do povo Romeno à petrolífera Americana Chevron.

Pesquisei um pouco mais e descobri que, uma das técnicas de extracção que estão em cima da mesa para Portugal, a principal, consiste no "Fracking". Basicamente, trata-se de uma técnica de "pressurização hidarulica" que consiste na injecção na camada rochosa, a altas pressões, de água adicionada de componentes químicos diversos. Esta pressurização abre fissuras na rocha, cuja abertura é mantida pelos químicos que estão na água, sendo por estas fissuras que os fluidos fósseis migram dos seus reservatórios naturais para o poço entretanto construído.

Até aqui tudo bem, pois esta técnica é utilizada desde 1947. Contudo, então porque é que na Roménia se contesta tanto? Porque é que na França, Canadá, África do Sul, Inglaterra, para falar de apenas alguns, esta técnica, ou está proibida ou suspensa?

É aqui que a desinformação actua, e tem actuado ao longo destes anos, por acção da actividade corruptora das gigantes corporações petrolíferas.

Quer dizer, adjudicam-se concessões a corporações que vêm desenvolver trabalhos com impacto ambiental profundo, sem serem realizados quaisquer estudos de impacto ambiental; sem se envolverem as comunidades locais; sem serem aplicados quaisquer mecanismos de controlo democrático.

Infelizmente, esta situação é típica de um país à procura de si próprio e dominado por uma elite subserviente aos mais autocráticos poderes financeiros.

Força Povo Romeno, corram com essa cambada daí para fora.

Uma Republica, o fascismo e o 25 de Abril depois...tudo na mesma


Hã!!! O quê?
Há coisas que não mudam enquanto não mudar quem manda. Agora, como antes, quem manda é o capital e a tecnocracia que o suporta... Burro velho não aprende línguas e como tal, esta gente também não muda, sabem porquê? Porque são sempre os mesmos.

Deixem-se do politicamente correcto e passe-se a chamar os bois pelos nomes. Expulsemos de vez estes ladrões do nosso sistema politico. Este vampiros que nos amaldiçoam o futuro com a sua ganância sanguinária. Até quando morreremos por eles?

Não, na politica não são todos iguais, há é uns que são iguais a si mesmos! Venha a democracia que de "Corruptocracia" e "subserviênciocracia" já estamos fartos. Para quando a libertação deste povo? Quando é que nos libertaremos das elites sanguinárias que, época após época, tempo após tempo, século após século, travam o avanço deste povo?

Será que há coisas que nunca mudarão? Eu não acredito e vocês?

O Dinheiro e a economia




A questão era muito simples. António José Teixeira, director da SIC notícias, olhando o seu convidado “olhos nos olhos”, como quem quisesse, com esse olhar, transmitir um sinal orientador para uma determinada resposta e, assumindo aquele ar de serena sapiência que aparenta possuir, perguntou:

- Não haverão outras formas de captar receitas para o estado, que não as previstas no Orçamento de 2014?

O “econom***as” que ocupava o lugar de convidado – não me perguntem o nome pois, dada a falta de originalidade do discurso, já não os distingo – assumindo uma postura séria, iluminada e professoral, transmitiu a seguinte verborreia:

- Hummm… Haver há, mas, seja como for, é sempre dinheiro que vai deixar de circular na economia.

AJT, na sua missão de jornalista sério e isento – e que missão árdua tem de assumir – continuou a reflexão com a seguinte questão:

- Mas, acha que o governo não poderia, em vez de cobrar IRS, cortar na despesa. Não haverão outras formas de conseguir esse dinheiro?

Claro que AJT poderia ter dito que poder-se-ia cortar nas PPP’s, nas rendas da EDP, nos pareceres milionários do Júdice, Vitorino e outros, mas não. Poderia também questionar se, em vez de se cobrar no IRS, não se poderia antes cobrar na bolsa, na banca, nas fortunas acumuladas e concentradas, etc… Podia, mas não pode. Não pode? Não, não pode! O digo eu!

Mas, o que será que respondeu o outro “guarda-livros”? Bem, respondeu algo que, nem como piada o poderíamos considerar adequado:

- Veja, meu caro AJT, se o estado cortar na despesa, por exemplo como alguns dizem, se cortar nas PPP’s, esse dinheiro vai deixar de circular na economia. Ora, se o estado não pagar às PPP, esse dinheiro já não pode ser pago em salários e em consumo.

- O mesmo sucede com os impostos. Se o estado cobrar às famílias, elas deixam de consumir. Se o estado cobrar às empresas, aos bancos, etc., estas organizações deixam de utilizar o dinheiro para pagar salários aos seus “colaboradores”. Portanto, meu caro AJT, isto vai dar sempre ao mesmo. É dinheiro que deixa de circular na economia do país.

Este “econom***as” disse isto, com a maior das seriedades, isenção e sobriedade. Claro, para ele o dinheiro ir para uma empresa que o faz sair do país para um paraíso fiscal, ou para uma família que o vai gastar no consumo interno, é a mesma coisa. O dinheiro ir para uma empresa que o vai acumular numa fortuna de um qualquer accionista, ou, paulatinamente, o vai gastar em especulação desenfreada, é o mesmo que esse dinheiro ir ou ficar numa família que o gastará em bem essenciais, ou em poupança que, posteriormente, poderia originar investimento. De facto, tem tudo a ver.

O mais grave disto tudo é que, o sr Director da SIC N, AJT, assiste a isto tudo impávido e sereno, esquecendo-se, nesta altura, do seu papel deontológico de jornalista sério e isento. AJT assiste a esta mentira, omissão ou desonestidade intelectual descaradas e, tudo bem. 

Depois chamam a estes programas, programas de informação.