há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!

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Hong Kong, Kiev e Brasília: Cidades de um mundo que se quer libertar!

 O "modus operandi" é bem claro e estereotipado. Luta, caos, barricadas e desobediência civil nas ruas; a comunicação social corporativa, ou como lhe chamaram, a"propaganda média", dominada pelos EUA a berrar as "verdades" da ordem; processo eleitoral viciado à partida descambando na eleição de um fantoche manipulado pela "administração". Se este processo não funcionar, está sempre aberta a possibilidade de descarregamento das bombas amigas, dos mísseis humanitários e da balas libertadoras.

Os novos cavalos de tróia. ISIS ou ISIL? A época das campanhas de pilhagem voltou!



Aproveitando os sunitas Sírios apoiados contra Assad, armando-os e permitindo-lhes a captura de arsenais desde a Líbia, à Síria e Iraque, os EUA contribuíram para a criação de um movimento “hollywoodesco”, cujas características se enquadram o mais possível – quase a metro – na estratégia de pilhagem Yankee. São maus, muito maus. São terroristas, são árabes, não negociam, são implacáveis, em suma, são absolutamente abomináveis. E, para somar, ainda desviam os nossos jovens. Que desgraça! Eis o filme tornado realidade.


O Comité de Brtnton Woods, o FMI e a “ajuda” internacional aos países em dificuldades….



O FMI e os EUA

Aparentemente, quando se fala de FMI, a maioria do público não estabelece uma relação directa entre este organismo internacional e os interesses dos EUA.

Aliás, quando aparece alguém a dizer que o FMI nada mais faz do que prosseguir interesses imperialistas dos EUA e do ocidente, em especial, dos países mais ricos, muita gente que se considera de esquerda, democrata e isenta, levanta as “guardas” e “defesas” ideológicas e pensa: “lá vem a conversa habitual da “extrema-esquerda”.

O problema é que, do ponto de vista comunicacional e propagandístico, os EUA obtiveram uma vitória assinalável ao conseguirem distanciar a ideia de “FMI” da ideia de “interesses imperialistas dos EUA”.

Se esta relação é bastante visível para quem, ideologicamente, está do outro lado da “barricada”, ou para quem está por detrás da construção do próprio sistema geoestratégico dos EUA, o mesmo já não se pode dizer no que respeita à generalidade dos cidadãos, nomeadamente, aqueles que se encontram desradicalizados do ponto de vista Político e fazem depender a sua informação politica pessoal, dos órgãos de comunicação social de “referência”.

O branqueamento da relação do FMI com os interesses dos EUA foi, obviamente, conseguido através de fortíssimas campanhas em órgãos de comunicação social de “referência”, dia após dia, ano após ano, comentador após comentador, jornalista após jornalista.

Como desmontar isto? Eis que, para além das evidências históricas que remontam à América Latina dos anos 60, 70 e 80, à Inglaterra de Tatcher, ao “consenso de Washington”, à Rússia e leste europeu dos anos 90 e à Europa do sul do século XXI, vem  uma carta do Comité de Bretton Woods ao Congresso Americano, clarificar totalmente o papel deste fundo para a estratégia de domínio dos EUA.

O que é o Comité de Bretton Woods?

“O Bretton Woods Committee é uma organização Estado Unidense criada em 1983 como resultado de um acordo entre O secretario de Estado do Tesouro e o seu Vice, um Republicano e um Democrata. O objectivo deste comité é o de influenciar e sensibilizar para a importância da existência de instituições Financeiras Internacionais, as apelidadas “Bretton Woods Institutions”. Foi após a Conferência de Brenton Woods em 1944 que o FMI e o Banco Mundial foram estabelecidos. O objectivo fundamental passa, portanto, por elevar a importância do FMI, do BM e da Organização Mundial de Comércio”.
Tradução livre do texto retirado de: http://en.wikipedia.org/wiki/Bretton_Woods_Committee


Ora, Esta apresentação contida em Wikipédia, só por si, já diz muito sobre a criação e potenciais objectivos destas organizações. A não ser, claro está, que estejamos perante alguém que, lendo isto considere que, mesmo assim, os EUA criaram esta organização por “fraternidade” e “solidariedade” com os pobrezitos. Seria precisa uma grande dose de crença de boa fé no sistema para acreditar que os objectivos destas organizações iniciam e findam no seu papel literal.

Mas, para os mais incautos, fica aqui a prova final da “bondade” Yankee:


Carta de 05/03/2013 ao Congresso dos EUA:


Atentem no segundo parágrafo:

“The IMF has always been a valuable tool for advancing U.S. national interests globally, from
helping navigate the Latin crisis of the 1980s to supporting the Arab Spring countries today with
policy advice, technical assistance, and financial support”.

Tradução livre:

“ O FMI sempre foi uma ferramenta valiosa na prossecução dos interesses nacionais dos EUA ao nível global, desde a ajuda a ultrapassar a crise latina dos anos 80 ao apoio aos países da primavera árabe com aconselhamento politico, assistência técnica e apoio financeiro”.

Desta simples declaração muito haveria a retirar e que daria para outro artigo. Deixo, no entanto, as seguintes notas:

  • Esta carta foi endereçada ao Congresso dos EUA pedindo um maior apoio, financeiro e político, ao FMI, nomeadamente através de produção legislativa que o concretize
  • Num determinado ponto diz a carta que o “FMI defende os interesses comerciais e os trabalhadores das companhias americanas que funcionam nesses países, suportando o emprego e as exportações dos EUA”
  • Esta carta comprova “ipsis verbis” o interesse estratégico que o FMI tem para os EUA a nível global, na manutenção da sua influência económica
  • Esta carta comprova também a importância estratégica do FMI para a entrada, investimento, permanência e domínio económico dos EUA, nos países intervencionados

O fim do mistério

Desvenda-se, desta forma, o mistério que atacava algumas mentes mais incautas sobre o porquê da “desconfiança” que as forças políticas progressistas, normalmente, sentem em relação ao FMI, BM e OIC. As organizações financeiras de Brenton Woods constituem importantes ferramentas de domínio imperialista.

Basta ver os choques económicos e sociais de natureza neo-liberal que afectaram a América Latina no passado, a Inglaterra e os países da ex-URSS, incluindo a própria Rússia.

Aliás, as notícias ontem veiculadas sobre a Ucrânia comprovam mais uma vez esta evidência. Depois da tomada do poder através de um golpe de estado, realizado no sentido de afastar a Ucrânia da influência Russa, numa guerra de impérios (e não de bons e maus, como muitos, maniqueistamente gostam de catalogar), o governo interino – uma mistura de ultra liberais com neo nazis – apressou-se a concretizar aquilo que estava por detrás desta história muito mal contada: o negócio da entrada do FMI na Ucrânia.

Ontem, noticiou-se, então: um empréstimo de 27 mil milhões de dólares, 15 do FMI e 12 da EU mediante a imposição de medidas draconianas à semelhança das nossas.

Para já as primeiras imposições conhecidas serão: aumento do gás natural em 50%, uma vez que ele virá do Espaço Económico Europeu e dos EUA; congelamento dos salários e pensões (altíssimos que eles são na Ucrânia!?!); privatização das empresas públicas que ainda sobram…

A receita já é conhecida, bem conhecida. Alguém duvida que os Ucranianos passarão a viver bem pior e que nem daqui a 20 anos estão de pé? Mais uma vez, começou a pilhagem disfarçada de “ajuda”. Nós já sabemos bem o que é que significa uma ajuda destas.
O povo Ucraniano? Vai de mal a muito pior.

E nós? Nós vamos ter de descer ainda mas os salários (dirá a EU) porque a entrada da Ucrânia no Espaço Económico Europeu fará com que baixe a média salarial na EU e com que países menos competitivos, como o nosso, fiquem obrigados a competir com salários de 1€ à hora, que, ainda para mais, vão ter de descer.

Fantástico, não é? É só democracia e crescimento económico que para aí vem…






O medo e a insegurança, características das idades médias



A realidade apresentada e a realidade concreta

Toda esta questão Ucraniana tem-me forçado a uma reflexão profunda. Uma reflexão quanto às nossas capacidades de descodificação da realidade concreta, por entre uma imensidão de informações e contra-informações, de carácter propagandístico ou não, das quais nem sempre – ou quase nunca – é possível identificar os seus emissores originários e as suas reais intenções.

A grande conclusão que retiro deste emaranhado de verdades difusas e incoerentes é a seguinte: a realidade que nos é apresentada – não confundir com a realidade concreta e objectiva – é cada vez mais complexa.

Perante tal complexidade surge uma questão de grande pertinência: como não nos perdermos no meio de tanta confusão? Em que é que devemos de acreditar? Em quem?

A importância dos princípios

As questões levantadas não possuem uma resposta tão objectiva e final quanto desejável. Contudo, julgo que a resposta está mais no plano dos princípios. Para não nos perdermos teremos de remontar aos princípios.

Expliquemos melhor esta ideia, levantando uma outra questão: porque é que na idade média a humanidade encontrou a resposta em deus? Talvez porque, perante uma realidade que mudava todos os dias e que se caracterizava pela instabilidade, a crença em princípios estáveis e imutáveis (mesmo que morais, emocionais…) ajudava a encontrar um caminho por entre toda a confusão.


A mudança constante da realidade é uma característica das idades médias

Ora, a ideia de que, nunca como antes, a realidade quotidiana se caracteriza pela constante mudança, é falsa. Falsa? Sim falsa. Basta ler qualquer livro de história da idade média para perceber que a instabilidade era “a característica” dessa sociedade. O poder, as condições materiais de vida, os governantes, as fronteiras, as famílias, os amigos, mudavam a uma velocidade impressionante. A ausência de lei, de direito, de ética no plano político, fazia com que uma pessoa do povo sentisse uma insegurança tremenda quanto ao futuro. De repente, uma família com vários filhos, com uma vida estável, podia, perante uma guerra, uma desordem, um desmando ou abuso de poder, ficar sem nada.

Qual a diferença para hoje? A informação. É que hoje vivemos na sociedade da informação. E perante o excesso de informação, sentimo-nos ainda mais perdidos, principalmente quando, ao contrário do que se passava na idade média, se anunciou a morte de deus, das religiões e, ainda mais importante, numa perspectiva civilizacional, das ideologias politicas. Ou seja, aquilo que o homem medieval tinha como imutável (a religião), o homem pós moderno não tem. Sente-se ainda mais perdido.

Hoje muda tudo muito depressa? Há mil anos atrás também!

Esta ideia de instabilidade com que nos atingiram, contrária às enormes conquistas civilizacionais conseguidas durante o século XX, representa a prova maior de que entrámos, profundamente, numa idade média.

Após um século de avanços enormes, no direito, na organização do estado, na economia, na igualdade de oportunidades, na segurança social e na estabilidade da vida, o que permitiu planear o futuro e apostar na evolução individual e colectiva, com benefícios inquantificáveis para toda a humanidade, eis que se nos apresenta, como novo e moderno – qual destruição de Roma pelos bárbaros – um estado de instabilidade, que nos é vendido como inevitável e inexorável.

Provando a história que não existem inevitabilidades, que a idade média teve fim e que a resposta para a barbárie é a civilização, a verdade é que a barbárie volta sempre. De novo se anunciam as guerras territoriais, as guerras pela riqueza, as corridas ao armamento e a exploração do povo como forma de obtenção de riqueza e de submissão aos interesses das classes sociais dominantes.


A instabilidade apresentada como inevitável
nada mais é do que um instrumento de domínio social

De novo se anuncia a ganância do dinheiro como a fonte de todos os males, substituindo-se, apenas, o anterior papel da igreja. Actualmente, nesta idade média, são os mercados que representam o poder omnipresente e omnipotente que representava deus, na idade média.

Se na idade média não se podia provocar a ira divina, sob pena das maiores misérias, no século XXI, o século medieval pós moderno e pós civilizacional, não podemos provocar a ira dos mercados. Resultado? Todas as dimensões da nossa existência (trabalho, família, consumo, estado…) têm de funcionar em prol e no interesse dos “mercados”. Senão, as maiores misérias se anunciam.

Neste ponto surge mais um paralelo histórico. Se antes a vida tinha de se acomodar aos trâmites da igreja para aplacar a ira divina, agora tem de se acomodar aos mercados, senão…Misérias inimagináveis atingem os países e a humanidade.

Tanto numa, como noutra situação, a acomodação da vida aos interesses superiores de um ente supra material, não liberta ninguém da miséria. Ou seja, sê miserável porque senão, ficas miserável.

A história tende a repetir-se, porque os actores são sempre os mesmos

Na idade média, dizia-se ao povo que tinha de viver como Cristo enquanto o clero e a nobreza viviam no fausto. O povo era explorado e não podia enriquecer até porque, se tal acontecesse, castigos tenebrosos recairiam sobre os pecadores. Então, miseráveis tinham de continuar para que não fossem vítimas de uma miséria maior (como se tal fosse possível).

Actualmente dizem-nos, temos de apertar o cinto, temos de levar com a austeridade e temos de empobrecer. Se não nos tornarmos miseráveis os mercados atiram-nos com uma miséria ainda maior. Enquanto ficamos pobres para não ficarmos pobres, as classes dominantes (clero, nobreza, alta burguesia) andam no fausto como andavam na idade média anterior. E nós temos de levar com isto porque senão, ái de quem levar com ira dos mercados e dos investidores…

Hei-de voltar a este tema outra vez, contudo, julgo que esta comparação histórica, a meu ver, nada exagerada e absolutamente real, nos permite constatar o quão acelerado está o processo de “medievalização” das nossas sociedades contemporâneas. Ainda não chegámos ao extremo? Claro que não. Ainda estamos no princípio.  Mas o sentido é claramente descendente e senão o travarmos, chegamos ao extremo, com toda a certeza.

Reafirmar princípios experimentados para travar a “medievalização”

Daí que eu volte ao início, acabando como comecei. Temos de remontar aos princípios éticos, filosóficos, ideológicos e científicos. Não nos podemos perder no meio da informação difusa que nos enviam. O sistema dominante tem como objectivo a corporização da mesma ideia reaccionária que tinha a igreja nos tempos da inquisição. A ideia de que se não nos submetermos, estaremos desprotegidos face à ira de um ente superior e inatingível. Antes era o Deus católico, judaico ou muçulmano, hoje são os mercados. As classes dominantes sempre encontraram formas de domínio e exploração através do medo e da sensação de insegurança. A sua grande arma sempre foi essa, o medo do amanhã.

A grande arma de domínio é o medo do futuro

A solução, mais uma vez, é percebermos quem fomos o que tivemos e o que deveríamos ser. A solução é não termos medo do amanhã, porque o amanhã pode e deve ser construído por todos e cada um de nós. O futuro é o que nós quisermos que seja.

Assim, se os últimos 50 anos do século XX nos permitiram construir as sociedades mais justas e evoluídas de sempre, porquê abandonar esse processo? Porquê desistir dele? Porquê desistir dos princípios e das ideologias libertárias e humanistas que os corporizaram?

O tempo é de reafirmar como nunca esses princípios. O tempo é de dizer à reacção que não queremos o seu domínio. O tempo é de dizer que o caminho se faz para a frente e não para trás e em nenhum momento o atraso poderá ser visto como uma coisa boa ou desejável. O tempo é de dizer que esta estratégia de dominação pelo medo e pela instabilidade é, por demais, conhecida e indesejada. O tempo é de lutar pelo amanhã e não de ter medo dele. O tempo é nosso, é de todos os que não se acomodam.

Não prescindam dos princípios que nos deram a sociedade mais evoluída de sempre. Não prescindam dos princípios que obrigaram o capital a aplacar a sua sede sanguinária de riqueza e poder. Não permitam que apresentem ideais libertários como ultrapassados.

Um ideal progressista, humanista e libertário nunca é ultrapassado. Nunca o poderia ser.

Não prescindam a esperança num futuro melhor, senão, não vos sobra nada porque viver e lutar.