há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!

Lar...doce lar! Blarrghhhh!!!!


Ainda o Pingo Doce (passe a publicidade). Elogiava Pedro Marques Lopes, participante no programa Eixo do Mal na SIC Notícias, o facto do Pingo Doce e, concretamente, o seu accionista principal (Soares dos Santos), possuir uma Fundação com objecto social variado com vista à promoção de diversos apoios sociais e caritativos. Dizia o eminente senhor que, tão nobre actividade, haveria de ser enaltecida aquando da condenação da cadeia de supermercados e dos seus agressivos actos propagandísticos, com ênfase para os do 1.º de Maio/12.

O facto é que, estes senhores auto-colados ao sistema vigente, tratam estes processos de apoio social, como uma espécie de indulgência que os ricos-homens da actualidade pagam para se redimirem das atrocidades e abusos por eles cometidos no seu dia a dia, quando mais não são, na esmagadora maioria dos casos, do que pura propaganda comercial.

Aliás, nas palavras de tão nobre defensor, poderíamos considerar mesmo uma espécie de 1000 anos de perdão, ou até, de perdão original. Ou seja, tal acto de solidariedade é susceptível de perdoar à partida toda e qualquer atrocidade cometida aos mesmos que as suas fundações visam apoiar. Todos conhecemos as práticas medievais de perdão dos pecados dos maiores carniceiros, alguns deles até santos se tornaram. Por isso...não se admirem. O que pensávamos era  estarmos muito longe de tal realidade!

A verdade é que, este advogado do diabo (do diabo? sim, do diabo...afinal para que é que deus, na sua imensa bondade, necessitaria de advogado? Só o diabo deles necessita porquanto todos desconfiarem dos seus actos), de tão preocupado que estava com a salvação de alma tão caridosa, publicamente, assumiu sem rodeios a defesa da sua integridade, não fosse a sua alma separar-se do corpo e em vez de se juntar à bolsa criadora dos etéreos mercados celestes, ficasse aprisionada nas malhas da humana condenação, pelas atrocidades cometidas. Este senhor Pedro, fez-me lembrar o auto da barca do inferno, mas ao contrário. Os ricos salvam-se e os pobres vão para o inferno.Com tal guardião da porta, poderão estes senhores estar certos de que a suas preces serão sempre bilhete de salvação.

Em conclusão, para este dotado defensor das esferas celestes, portador de um conhecimento transcendente,  apenas acessível aos mais fidedignos iniciados das forças Marketingianas, estão justificados e perdoados, sem mais, actos como:

- Sediar o grupo na Holanda para não pagar impostos em Portugal
- Fazer incidir os descontos promocionais sobre os fornecedores, de forma unilateral, aproveitando-se da sua dimensão para enfraquecer e aniquilar a vontade negocial dos fornecedores
- receber num dia e pagar 4 meses depois, aproveitando o dinheiro dos fornecedores para aplicar na especulação
- pagar ordenados de miséria aos trabalhadores que tem, sem qualquer respeito pelos seus direitos sindicais, perseguindo os mais de 10.000 que fizeram greve
- não pagar horas extra-ordinárias e obrigar trabalhadores doentes e aleijados por acidente a trabalhar escondidos do publico, por razões óbvias
- ter fornecedores polacos e chamar aos seus produtos (porque aqui embalados), produtos portugueses
-....

A lista de malfeitorias não mais parava, daí que, qualquer perdão a ser atribuído, teria de o ser sempre a priori, tal a variedade de patifarias e a fertilidade de ideias para as mais desvairadas sortes de agressões sociais.

A verdade é que, os danos sociais provocados por tão diligente atitude são, como se sabe, muito desproporcionados. Não basta dar umas migalhas para apagar tudo o que de mau se faz, nem o facto de se vir com a ideia de que.."ao menos este dá qualquer coisa", pode colher qualquer compensação. A verdade é que tais migalhas mais não são do que etapas de um processo interessado de marketing.

No caso patente dos 50% do primeiro de Maio, já para não falar das trabalhadoras que naquele dia  a si dedicado, tiveram de trabalhar dois turnos e tal foi o esforço que a maioria das caixas nem conseguia mexer os braços no dia seguinte e mesmo assim lhes foi exigido o ritmo usual de trabalho, a verdade é que, se por um lado faz 50% de desconto, por outro...encaixou 11 milhões de euros em cash e colocou o país a falar do Pingo Doce mais de  uma semana.

Ainda tiveram o descaramento de dizer que vão fazer mais destas...o que pode nem ser verdade, uma vez que o objectivo pode ser apenas o de manter as pessoas atentas, indo ao Pingo Doce.

Agora, o mal que estes descontos fazem é enorme. Aos fornecedores pagam-se menos 50% do que previsto para aquelas mercadorias. Os fornecedores, já esgotados, pois tratam-se de PME's e micro empresas, vão repercutir a quebra de receita sobre os outros fornecedores e sobre os trabalhadores, despedindo e pagando salários mais baixos. Uma vez na miséria, ficam totalmente dependentes deste tipo de promoções do Pingo Doce, agindo como na selva, na avidez da procura dos produtos cujo stock não resiste a tão desenfreada procura.

Conclusão, este tipo de práticas, atrás referidas e agravadas por este tipo de promoções, absolutamente selvagens, promovem a desagregação social, desagregação essa que nem 1000 fundações Soares dos Santos resolveriam. Então, este senhor prejudica-nos nos impostos que não paga, nos direitos sociais e laborais cujo exercício recusa,  nos salários de miséria que paga, nas famílias que desestrutura pela precariedade laboral que incute nas relações laborais que estabelece e na exploração selvática que faz incidir sobre os fornecedores nacionais mais pequenos.

Vejam agora o deve e o haver e pensem lá se o perdão original que o senhor Pedro Marques Lopes lhe atribui, tem alguma razão de ser.

E depois...vêem-se estes senhores como construtores de coisas e não como parasitas. Ah...ainda dizem que já não vivemos na monarquia!
Linha terminal para o TGV e outras composições!

Passos Coelho, apressadamente, talvez preocupado em prestigiar a literal simbologia dos seus apelidos, decidiu dar um final infeliz ao já moribundo TGV do período pós-socrático. Aliás, se já no período socrático (sem ofensa para o pensador grego, que pelo menos caracterizava a sua sabedoria pela humildade ao invés da arrogância da ignorância) a ideia do TGV se situava no âmbito da filosofia económico-política, nesta fase póstuma de tão fértil teoria filosófica, sabemos que a ideia do TGV nada mais era já do que uma crença religiosa dos socráticos que diariamente rezavam para que o TGV sobrevivesse à ADM (Acção de destruição maciça) deste pacto governamental.

Aliás, só com muito boa vontade e com grande dose de ingenuidade se poderia acreditar (mesmo que por acto de fé) que este governo Histroiko não destruiria a ideia do TGV. Quer dizer...então estes seres socialmente demoníacos que quase não têm deixado pedra sobre pedra dos monumentos construídos e conquistados no Portugal pós revolução e libertação de Abril, perderiam a oportunidade de destruir algo que não existia ainda? Na sua cruzada contra o país real, não é só o passado que está em causa! É o Presente e o Futuro! Aliás, se alguma coisa sobrar, será mesmo algo do passado (de parte, apenas) que esta gentalha queira ansiosamente revitalizar.

Querem melhor prova de que o futuro que nos reserva este governo, não existe? De que não existe futuro nas míopes visões dos olhos rodeados de lucubres olheiras do sr ministro das finanças? Vejam como o TGV foi trocado por um comboio, de mercadorias, que ligará Sines à Europa, em bitola europeia!

Primeira prova de que não temos futuro nas lucubrações destes mestres moinantes: Trocaram um comboio do futuro por um comboio sem futuro. Afinal, não havendo continuação por Espanha adentro, a linha de bitola europeia chegará à fronteira e parará por aí, sem qualquer futuro palpável.

Segunda prova da ausência de futuro na doutrina ideológica ultra-liberal de cariz luso-provinciano: A linha que nos ligaria à Europa, ainda por cima em bitola europeia (que, sem dúvida, seria para nós, uma boa bitola), pára na fronteira, adiando, sem fim à vista, a futura convergência europeia da nossa realidade nacional. Ou seja, já não é de comboios que falamos, é da aproximação à Europa, esse futuro anunciado há 30 anos. Com a promessa desta nova linha de comboio sobressai uma linha política que nos amputa esse futuro prometido.

O que nos resta? O comboio a vapor? a vida a preto e branco do tempo da ditadura? Mais uma vez, só nos resta o passado. Contudo, como eu gosto de dizer...que passado não tem, futuro não viverá!


Há sempre uma luz de esperança!

Hugo Dionísio
Quando a bestialidade se cruza com a hipocrisia, o cinismo e a ganância!

Sabem os meus residuais e regulares leitores (importantíssimos!) que, embora sendo adepto do desporto, em geral, e em particular do futebol, entre outros, faço um esforço por não trazer tal desintelegente afeição (ninguém escolhe dele gostar e porquê gostar dele!) para este espaço de pretensa racionalidade.

Contudo, a estupefacção que caracterizou a minha abordagem a um assunto futebolístico da actualidade, obrigou-me a desvirtuar a minha própria politica editorial. E que assunto foi este?

Bem, antes de mais, mantendo o rufar dos tambores por mais um pouco, deixem-me dizer-vos:

a)       Ninguém me convence da necessidade das claques de futebol e para mim deviam, simplesmente, de acabar, em todos os clubes e em todos os desportos.
b)      Em Portugal (e não só), as claques são receptáculos de todo o tipo de frustrados energúmenos que, ainda por cima, são manipulados por correntes nazis e de extrema-direita e que por sua vez, paradoxo dos paradoxos, conseguem manipular jovens incautos que, na idade rebelde da adolescência, acham piada aos “ganda malucos” que são os “bros” mais velhos
c)       Em Portugal, estas claques são, sub-repticiamente (nalguns casos mais explicitamente), apoiadas por dirigentes sem escrúpulos (a maioria deviam de estar presos e os outros irradiados por cumplicidade moral) que utilizam o futebol para perpetuar e catapultar as suas ansiedades de poder e riqueza
d)      Em Portugal, estas claques fazem até algum trabalho sujo por encomenda dos próprios dirigentes. Basta ver que alguns andam de Porche e todos os dirigentes destacados são ex-presidiários, a grande maioria por tráfico de droga, actividade na qual a claque tem enorme importância (mercado, lavagem de dinheiro e mão de obra barata ou voluntária)
e)      Em Portugal, estas claques impedem cidadãos sérios e honestos de irem à bola com a sua família. Em democracia, o prejuízo de todos em detrimento de alguns é, simplesmente inaceitável.
f)         Isto é tudo demasiado grave, mas assume proporções gigantescas quando, os clubes estão reféns desta gentalha e não conseguem ou têm a coragem para, simplesmente e com respeito pelos seus adeptos e sócios, acabarem com isto. Depois querem os estádios cheios. Só se forem cheios de cadeiras. Só estarão cheios quando o ambiente que se respirar for saudável e não estiver poluído.

A juntar a isto tudo, partem tudo por onde passam, assaltam, agridem e ofendem de forma impune. Criam o caos à volta dos estádios por onde passam, e pelos prejuízos que causa à sociedade, é a sociedade que paga e não os seus dirigentes (já estamos habituados nos políticos). Faço este retrato para todos os clubes!

Ora, fiquei absolutamente estupefacto quando vi as imagens que o Sporting colocou no túnel do seu estádio. São imagens de incitamento ao ódio e à violência, com campanha subliminar neo-nazi, de conteúdo politico-social extremista reaccionário e totalmente negadoras dos valores do desporto (saúde, equilíbrio corpo/mente, tolerância, cultura, colectivo, honestidade, integridade e ética).

Quando olhamos para aqueles energúmenos, animalescos e bestiais nas fotos, sabem o que devíamos de pensar? É que se não acabamos com aquilo, até os nossos filhos lá podem ir parar. O problema é acabar com aquilo quando:

v     O futebol em Portugal é controlado pelas cliques mafiosas existentes e protegidas pelo poder politico e ainda mais protegidas pelo poder económico
v     Quando o futebol em Portugal é financiado, não pelas receitas desportivas do espectáculo, mas pela venda de passes de jogadores, em processos negociais escabrosos, realizados em paraísos fiscais que de paraíso só têm as praias, mas que fazem da nossa vida um inferno
v     Quando os presidentes dos três grandes são criminosos (arguidos várias vezes, condenados poucas, mas um até já detido esteve, o do SCP, por causa da Parkexpo, ou quando foi “corrido” por dias da cunha por roubar 5 milhões de euros ao seu clube através de uma compra e venda de terrenos quando era vice para o património) e os dos outros são paus mandados ao seu serviço
v     Quando o povo não pensa e quer é ganhar nem que seja com golos com a mão, penalties fora da área e árbitros comprados porque descarregam no futebol as suas frustrações (normalmente, apanham na mona toda a semana do patrão e depois descarregam no futebol e nos outros automobilistas)
v     Quando o que gostamos é de clubes (que ganhem) e não de desporto
v     Quando o director desportivo do clube que colocou as imagens em causa era um destacado elemento da claque que aparece

Claro que, uma pessoa normal vê isto e fica preocupada. É isto que é uma imagem positiva do desporto? É isto que é desportivismo? É isto que deve mobilizar os adeptos?

Para o sr. Director em causa, secundado pelo seu honesto e honrado presidente, tratam-se de imagens sem importância que servem para motivar os jogadores???!!!????

Agora digam-me…é de futebol que estamos a falar? Ou é de muito mais do que isso?

P.s. para além das que aqui estão, podem ver as imagens todas em: http://static.publico.pt/docs/desporto/noscorredoresdealvalade/ 
Robots Vs Humanos

Hoje de manhã, dia 28 de Dezembro de 2011, num dos órgãos televisivos do nosso regime político manipulativo (já evoluiu, antes era opressivo!), não me recordo de qual, fui confrontado com uma espinha na garganta que me impediu de saborear o pequeno-almoço da melhor maneira. Logo a refeição do dia de que mais gosto!

Que espinha era esta? Será apenas na minha garganta? Não, é na garganta de todos nós!

A peça noticiosa era sobre as manipulações, mentiras, desmandos, oportunismos e devaneios ditatoriais desse filho da podridão reinante que é o Alberto João Jardim. Tratava-se de opinar sobre a dívida da Madeira e das suas políticas desastrosas ao longo de mais de 30 anos (falava-se de dinheiro, portanto).

Um fulano, qual licencioso guarda-livros, de quem não refiro o nome, pois a responsabilidade pelos pessoais ditos é algo que muito me apraz, mas no rebanho cabresto imperial, todos os nomes são iguais e todos os animais têm o mesmo nome (o do dono do rebanho), veio, na sua limitada, ortodoxa e extremista percepção referir quais, na sua opinião, seriam as causas da actual situação da Região Autónoma da Madeira.

Este senhor foi, oficiosamente, apresentado como fiscalista. Mas, bem vistas as coisas, se o apresentassem como: auditor de contas; contabilista; técnico oficial de contas; financeiro; consultor financeiro; engenheiro contabilístico, ou, em linguagem capitalesa, “Tax, Finance and Accountancy Consultant”, também qualquer destes títulos deveras “corporate” lhe assentavam que nem uma luva. Para mim, numa simples actividade poderíamos resumir todas estas, a do guarda-livros. Isto, claro, arriscando sujeitar os senhores guarda-livros a uma inominável ofensa para a dignidade da sua profissão.

E o que dizia tão “sapiente” personalidade? Bem, o seu discurso começa por referir “as auto-estradas, as empresas criadas…”. Mas, como se tivesse recebido do além (seria dos “mercados”? dos “investidores”?) uma mensagem clarificadora e iluminada, concluiu a sua verborreia com um exemplo que fez questão de sublinhar e repisar vezes sem conta, como sendo o exemplo último e paradigmático da desgraça financeira madeirense (podia falar dos vices riquíssimos do AJJ, dos clubes milionários, do offshore, da prostituição de luxo, da falta de liberdade politica…). Nas suas palavras, a Madeira tem “demasiados museus” e “centros culturais”, que estão “em todas as ruas” e são “insustentáveis”.

Boa! O problema é da cultura. O problema é do conhecimento! O problema é da sabedoria! O senhor começou com a construção de auto-estradas e navegando pelas mesmas, já ia nas empresas favorecidas pelo Alberto João, só que, os seus deuses do além fizeram-no lembrar que esse, esse não foi dinheiro mal gasto. Afinal, foi canalizado para quem lhe paga. O dinheiro mal gasto foi o dinheiro para a cultura, a educação e o saber. Essas coisas “demoníacas” que dão ao povo. Essa coisas insustentáveis, porque não são auto-suficientes, blá, blá, blá. “Desde quando o povo tem de ter direito a tais coisas”? É claro que é só um exemplo, como o senhor em causa referiu. Mas entre tantos exemplos de maior voluptuosidade e mais badalados politica e criminalmente, porque foi ele buscar “o” exemplo em questão? Será que o que gastam os museus e centros culturais chega sequer a uma milésima parte das ajudas que o governo dá a empresas como as SAD’s dos clubes da região, ou às empresas dos seus vices? Será que estes centros de cultura se comparam em termos de despesas aos enormes benefícios fiscais e outras tenças atribuídas por AJJ ao seu séquito, incluindo algum do continente? O problema é que, como os museus e centros culturais nunca farão parte do “core business” de uma qualquer “corporation”, ou, como nunca serão actividades de grande fôlego especulativo praticado por viciados no jogo, talvez seja esse o problema de tão “demoníacas” actividades que têm no progresso social e cultural o seu âmago e paradigma. É esse preconceito dilacerante e radical (extremista) contra tudo o que é de todos e não de alguns, contra tudo o que é publico e não privado, contra tudo o que é democrático e não autocrático (como o é a propriedade privada), contra tudo o que é bem público e não bem privado e contra tudo o que é pago por todos para todos e não por todos para alguns, é esse estado patológico psico-social desta prole numérico-dependente que me assusta. Mais me assusta ainda, em período de crise sistémica, esta gente não conseguir sequer ver um passo à frente do olho e identificar que é o paradigma, o seu paradigma que está errado. Nunca será este o paradigma da emancipação humana. A emancipação humana não poderá nunca, nem deverá, tão pouco, estar entregue ao pragmatismo indiferenciado do número e do recurso. Isso é demasiado redutor para possibilitar a realização da transcendência do sonho. É demasiado mesquinho e vil.

Afinal…os problemas da madeira são fáceis de resolver. Acabam-se com os museus, os centros culturais e mais tarde com as escolas e universidades e, eis que o problema está resolvido. Aliás, esta trupe salazarenta diminuiu de 5% do PIB em educação no OE de 2011, para 3,8% em 2012. Será para nos elevar enquanto povo? Será para promover a nossa competitividade humana de forma qualitativamente superior? Ou será aquela visão mesquinha e pequenina de quem é pequenino, pequenino terá de continuar a ser? Será que foi assim que chegámos ao império marítimo? Como salazarismo bolorento e ultrapassado? Ou foi com investimento humano? Há coisas que ninguém nos precisa de ensinar, a história encarrega-se de o fazer. Pelo menos, a quem se interessa por história, cultura, museus e centros culturais…Claro, não é o caso destes senhores. Os senhores da vista curta, da cegueira dos sentidos, da poupança no recurso e no pensamento. A poupança energética também chega ao pensamento.

Rir? Pois é, dá vontade de rir. Mas de raiva nervosa. Dá vontade de partir para a violência, é o que é. Dá vontade de rir de escárnio por tão grande ignorância e imbecilidade. É que esta classe de “guarda-livros” que faz as contas entre o público e o privado e o que vai para o povo e o que vai para a elite hiper-burguesa, é inculta, insensível, intelectualmente miserável, de personalidade descolorida, de uma futilidade torpe e atroz, de um seguidismo “carneiresco” pseudo militar, de uma incultura estupidificante, de uma ignorância auto-induzida e de uma imbecilidade santificada pelos deuses monetários do além humano e de uma visão desumana e desumanizadora da realidade.

Coitados dos guarda-livros que apenas faziam a conta ao deve e ao haver. Publico ou privado. Estes, fazem as contas, mas não entre o deve e o haver, em absoluto. Fazem as contas entre o deve (dinheiro a direccionar para o sector privado que nunca é demais) e o haver (dinheiro a tirar do sector público e social, que é sempre demais).

Estamos a falar dos senhores do número. Do índice, da conta e do factor. Estamos a falar de gente despersonalizada. De gente educacionalmente deformada e desumanizada. A humanidade nunca se sobrepõe ao número. O ser nunca se sobrepõe ao ter.

Estamos a falar de rebanhos sem ovelhas negras. De democratas sem povo. De seres sociais que não querem pessoas e de liberais telecomandados de forma Wireless. Estamos a falar de seres “chipados”, “quitados”, a quem extirparam a sensibilidade, a emoção, o pensar e o reflectir. Estamos a falar de seres desprovidos de capacidade crítica e autocrítica, de capacidade analítica e de questionar a realidade, de autómatos incapazes de se voltar contra quem os comanda. Estamos a falar de máquinas a quem o sistema educacional neo-liberal e ultra-conservador (de renascentista tendência reaccionária) extirpou a humanidade, deixando apenas o animal (o animal não transforma a realidade, adapta-se a ela). O animal submisso ao líder e à realidade que lhe apresentam como ultima e com “a-histórica”. Um líder corpóreo escondido sob uma capa de indeterminação conceitual a quem atribuem características vagas e relativas como, o global, o competitivo, o mercantil, o rentável, o produtivo, o reprodutivo e ao qual se atribui milagres tão importantes como, a mais-valia, o produto, a riqueza e o investimento. O líder esconde-se atrás dos “mercados”, dos “investidores”. Deuses pagãos do além, que se movimentam por entre as trevas obscuras da desumanidade latente. Destes não esperamos amanhã, destes só esperamos o agora. Destes não esperamos o progresso, apenas o regresso. Destes não esperamos a revolução, apenas a reacção. Para estes aquilo que é, sempre será. Os “deuses” fizeram os ricos e os pobres. O divinos “mercados” e “investidores” fizeram, o homem não muda nem pode mudar.

Senhores como este,m reflectem a sociedade das sombras, da aparência e do materialismo bacoco, da uniformidade, da normalidade e do cinzentismo. A sociedade da “corporate culture” em que quem está fora, está feito. A ditadura da manipulação. A sociedade em que a hiper-borguesia chama democratizar a economia à destruição do erário público. A sociedade da criação de multimilionários que resultam do domínio monopolista e oligárquico das áreas de intervenção estratégica do estado. A sociedade da submissão ao reflexo condicionado economicista mais primário. Primário? Sim. Primário, no sentido em que voltamos à lei do mais forte. Estes não condenam a mentira, nem a manipulação, nem a corrupção, nem o tráfico de influências, chamando-lhe até de “lobying”. E quando o governante eleito mente? É porque não sabia da realidade, estava equivocado. É “perfeitamente” admissível e aceitável.

Senhores como este são os ceifeiros dos nossos sonhos de liberdade e democracia. Dos sonhos de emancipação da nossa humanidade. Senhores como este simbolizam o passado atado à riqueza material. O tempo do umbigo. Simbolizam a incapacidade de o homem ascender na sua humanidade.

Senhores como estes Guerreiros, Lourenços, Delgados e outros, simbolizam os tentáculos (sim, tentáculos, porque não têm vida ou existência própria) de um sistema ultrapassado mas que insiste em perpetuar-se contra as ansiedades de libertação de toda uma humanidade que se tem vindo a afastar da política por se considerar manipulada (as ditaduras também são as da manipulação!). Senhores como este simbolizam a tentativa histórica das facções reaccionárias em voltarem ao modo de produção anterior, ao feudalismo. Afinal, os resquícios do passado existem e existirão sempre no futuro. É por isso que a luta não pode parar nunca. Porque o abrandar da luta humana pela libertação equivale ao deixar a reacção retomar a sua perdida pretensão de dominação. É algo de muito humano. De desumano, apenas os senhores autómatos atrás referidos.

Destruamo-los pela força das ideias e dos ideais!
Vida. Quanto vale?
Vejam esta imagem. Agora...imaginem que a apanharam no final de um dia de fantástica pescaria, depois de acordarem às 3 da manhã e após 12 horas num barco. Imaginem, também, que estão naquele vai-vem mental, entre a vigília e o sono mais profundo. Mal conseguem pensar. Mal conseguem manter os olhos abertos. Eis que...num relance de lucidez, olham para trás, para o mar que vai ficando. Depois... num lento despertar, olham para o horizonte e absorvem os resquícios valiosos de uma luz solar que desaparece para mais tarde, reaparecer em todo o esplendor (o sol também dorme!). No final...olham mais para cima ainda. E vêem as gaivotas seguindo o barco, sem nunca o apanhar, servindo de mensageiras da luz. Absorvem todo este esplendoroso quadro. Constatam a revelação e pensam...Isto sim, isto é vida!

Quem não o viver, não o sabe e quem não o entender não vive. Quanto dinheiro é necessário para encontrar algo assim? Dá que pensar, não dá?

Boa vida a todos vós
Retorno 2 - A luz e a Escuridão



Façamos uma reflexão! O que têm em comum os seguintes conceitos: a cobardia; o laxismo; o clientelismo; o conformismo; o seguidismo; o oportunismo; o desleixo; a incapacidade; a imbecilidade; a irracionalidade; a irresponsabilidade; o cinismo, a hipocrisia; a vaidade; a futilidade; a ganância; a ingratidão; a indiferença; a parcialidade; a cegueira; a miopia; o "graxismo"; a indecisão; o obscurantismo e tantos outros "ismos" e "ades", em comum? O que têm todos estes comportamentos em comum, para lá da sua natureza humana e potencialmente destrutiva?


Na minha modesta opinião, baseada na humilde observação dos comportamentos sociais e individuais, julgo resumirem-se, para lá de outras lateralidades, a dois aspectos individuais fundamentais para o funcionamento do colectivo. Esses dois aspectos são, a ética e o carácter. 

A sua falta ou existência, reflete, posteriormente, todos os comportamentos anteriormente identificados e listados. Arrisco mesmo a dizer que, o nível ético e de carácter de uma sociedade, determina o seu estágio de desenvolvimento e progresso.

E porquê a ética e o carácter juntos? Não bastaria a ética? Sim, teoricamente, bastaria. O problema é que o comportamento de cada individuo é sempre, mas sempre, moldado pela capacidade que este tem de se impor perante os demais. Ou visto de outra forma, o comportamento individual é sempre moldado pelo espaço social que os demais indivíduos lhe conferem. Ou seja, o nosso comportamento resulta sempre de uma interação de forças opostas que equilibram a relação social. A força que temos contra a força que nos deixam ter. Dessa interação surge a síntese, que consiste no equilibro de forças conseguido.

Esta ideia reflete, em toda a extensão, a aplicação social e material da dialética filosófica Hegeliana (ser, antítese, síntese), tão sabiamente aplicada à evolução humana e social pelo "ocultado a força" Karl Marx. A "sua" luta de classes, como motor da história, não seria mais do que essa interação (ou oposição?) de forças opostas, que resultam, em cada momento histórico, num equilíbrio (numa síntese), resultante da relação de forças presente. 

Digo eu, então, que esta luta de opostos é determinada, não apenas por processos colectivos (que obviamente, estão, necessariamente, presentes), mas também por processos comportamentais individuais, perante a realidade, que, no seu conjunto, moldam a força e a natureza do colectivo, refletindo-se depois, a sua ação, na relação de forças que leva, posteriormente, a um dado status de evolução social. Aliás, o próprio Marx vem, de alguma forma, fundamentar esta minha ideia, através do estabelecimento dos princípios da crítica e auto-critica que tão importantes são na aplicação prática de toda a ideologia marxista. 

Contudo, devemos questionarmo-nos sobre o porquê de, neste momento histórico preciso, de não ser possível ainda um equilíbrio social, humano e politicamente, mais avançado do que temos atualmente. Aliás, porque é que, por um lado, a classe dominante continua a dominar tanto e por outro, mesmo nas experiências históricas conhecidas, não se conseguiu criar aquilo que seria a ideia de um homem novo. O que é que faltou?

Em primeiro lugar, terá faltado uma correta transposição prática e politica de uma doutrina ideológica tão perfeita (filosófica e cientificamente fundada) quanto a Marxista. Um dos grandes problemas terá sido, sem dúvida, a incapacidade para os homens, todos eles, terem permanecido revolucionários, mesmo numa situação de domínio do poder politico. E porque é que, os revolucionários num determinado momento, não conseguiram, souberam ou foram incapazes de se manterem como tal? 

É aqui que entra a importância do comportamento individual em interação com o colectivo (mais uma vez, como resultado da aplicação dialética Marxista). É que Marx não aplicou, apenas, a dialética filosófica hegeliana, aos processos colectivos sociais (levou-a do espirito para o homem). Aplicou-a também, aos processos individuais e grupais. O Marxismo não exige apenas uma identificação ideológica teórica. Exige, acima de tudo uma identificação deontológica prática. Marx, por outras palavras, através dos princípios da critica e autocritica, vem aplicar o principio inerente à luta de classes (a interação de opostos  para a produção de um equilíbrio que é uma síntese dessa luta de forças opostas) à relação individual e grupal de cada ser humano.

Assim, o que faltou (ou falta), em suma, para que as pessoas envolvidas nos processos revolucionários, se mantenham revolucionárias é, precisamente, a aplicação prática (e não apenas teórica) da critica e auto-critica. Sem elas não há vanguarda. Só há vanguarda de em cada momento, nós, os revolucionários, conseguirmos questionar, derrubar e ultrapassar, os nossos limites, barreiras e incapacidades. E isso faz-se através de um processo critico (heterogêneo e exógeno) e auto-crítico (individual e grupal, endógeno). Só através desta reafirmação constante dos princípios da critica e autocritica, será possível um progresso interno e externo permanente. Só assim é possível uma síntese perfeita, em cada momento, que reflita um progresso em relação ao status evolutivo precedente. E este processo, chamamos de, isso mesmo, vanguarda. E o contrário disto é a retaguarda. Só assim é possível a revolução por oposição à reação. Com a reação voltamos atrás, com a revolução andamos para a frente. Para que tal aconteça, temos de ser capazes, em cada momento, de questionar e autoquestionar a nossa própria ação. Para que ela não se transforme em reação.

Contudo, sobra uma questão. E porque é que, em determinada altura, os movimentos revolucionários são incapazes de aplicar a critica e autocritica? Porque faltam os modelos comportamentais individuais adequados. Esses modelos são a ética individual e o carácter. É que sem a ética de quem domina, para que domine de forma justa, transparente e participada, sujeitando-se a uma avaliação e critica constantes, e sem o carácter de quem é dominado para que imponha a quem domina um comportamento ético correto (revoltando-se contra as indignidades, injustiças, parcialidades...), não existe nenhuma ordem estabelecida que seja colocada em causa.

A verdade é só uma e deve fazer-nos pensar. Embora a transposição ideológica do Marxismos pressuponha uma certa ordem, nenhuma ordem social ou politica é revolucionária por si mesma. Quem são revolucionárias são as pessoas e quanto muito, os colectivos. Qualquer ordem estabelecida só visa uma coisa, perpetuar e aplicar o poder de quem a estabeleceu. Marx previu-o tão bem que veio dizer que, para que a ordem estabelecida não se torne autocrática, ela tem de ser permanentemente questionada pelas pessoas que a integram, através dos princípios da critica e da autocritica. Só assim essa ordem evoluirá em vez de morrer.

Agora eu pergunto. Será que nas ordens estabelecidas, passadas e presentes, alguém tem a ética de questionar e progredir? Alguém tem o carácter de nãos e limitar a segui-la? Quem estabelece a ordem, permite que a mesma seja questionada e criticada? Será que a ordem é participada de baixo para cima? da base para o topo? Da infra-estrutura para a super-estrutura, como previu Marx. Ou, cada vez mais, que dirige, apenas olha para quem tem acima e ao lado e não para quem tem abaixo? Será que quem dirige molda o seu comportamento eplas necessidades da base, ou pelas do topo? E será que quem dirige questiona e critica essas orientações? Com que frontalidade? Com que sinceridade? Com que caracter? E que estabelece as normas? fá-lod e forma transparente para que as mesmas se sujeitem à critica da base? E quem está na base? tem caracter para o denunciar? E todos nós, autocriticamo-nos? E fazendo-o, moldamos o nosso comportamento a partir daí?

Será este um problema típico dos movimentos revolucionários? Não, não é. Antes de ser destes, é um problema das classes dominantes e dominadas. Tenho em crer que, mesmo assim, os movimentos revolucionários são os que menos sofrem (mesmo que sofrendo muito), desta limitação óbvia do atual estado de desenvolvimento cultural humano da nossa sociedade contemporânea. Mas sim, estes problemas são transversais aos seres humanos e a extensão como cada sociedade, cada pais, cada organização, cada grupo, cada comunidade, sofre deles é que determina, em cada momento histórico, o seu desenvolvimento e progresso social.

Posto isto, teremos nós, a ética e o carácter necessários a uma critica e autocriticas que nos dirijam para um processo revolucionário (interno e externo) que nos coloque na vanguarda do progresso social?

agir em vez de reagir

revolucionar em vez de reformar

questionar em vez de seguir

ultrapassar em vez de perseguir

avançar em vez de retornar

progredir em vez de regredir

mudar em vez de estacionar

abaixo o situacionismo, viva a revolução das mentes (a das instituições vem depois)