há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!

Segunda-Feira, a semana começa bem!


Depois de quatro dias de descanso e de faz de conta, eis que volto, ainda no domingo à noite, à tradicional azáfama semanal, caracterizada pelo, também tradicional, choque com a realidade quotidiana, de um país que caminha a passos largos para a miséria. Atenção! Falo de miséria, não de pobreza. A pobreza, para mim, é bem diferente da miséria. Bem...voltemos à tortura da nossa estória hodierna.

Domingo à noite

Ainda no domingo à noite, como dizia, tomo nota da primeira descarga eléctrica, e logo de altíssima tensão. 

- A Espanha recorre a um empréstimo para recapitalização da banca mas, afinal, este não se trata de um "resgate" com sabor a "sequestro", trata-se antes, de um apoio com cheiro e textura de "eurobound". Os tais eurobounds que os alemães não queriam. Tudo depende de quem os pede, como sabemos.

Aliás, Rajoy regozijava-se com o facto de não lhe terem pedido nada em troca, ele é que pediu. Sabemos bem que estas coisas do cumprimento ou incumprimento tudo tem a ver com as cores...das bandeiras. A verdade é que, para a Espanha, criou-se uma apoio especial (já ao abrigo do EMS - mecanismo estratégico europeu de estabilização - ou qualquer coisa assim) que, supostamente, só vigorará a partir do mês que vem. É assim, os grandes até mandam no tempo!

Os pequenos, os portugais, as grécias, as irlandas, esses, agora vêem dizer que também querem usufruir das mesmas condições que foram "impostas" às espanhas (a seguir vem a Itália e depois a França). Pois é, mas não os vi pedir indemnizações para o povo desses países, pelos danos já causados e pelas mortes (sim mortes! A queda da esperança média de vida e a taxa de mortalidade sénior em alta) provocadas pela sua política monetária extremista, inumana e insana. 

Sabemos tão bem que o desenfrear das imposições aos PIG's (até porcos nos chamam) não terão reflexos nos nossos direitos! Sabemos tão bem que os reflexos serão apenas para o desafogar das empresas, do sector energético... 

Bem, como vemos, ainda no domingo, levei um choque que poderia ser mortal, não estivesse já eu preparado para notícias tão más. Quer coração temos de ter, nestes dias. 

Segunda de manhã cedo


Ainda mal refeito da descarga eléctrica da noite anterior, acordo ao som das palavras de uma comissário europeu (aquele Sueco de uma figa) que dizia que, afinal, também à Espanha tinham sido impostas condições. E quais? Ah...tinham-lhe imposto a aplicação do Pacto Orçamental! Que raio:

1. Mas esse pacto já não tinha sido aprovado pelos 26? (a Inglaterra ficou de fora! Quem pode, pode!)
2. Quando foi aprovado não era para ser aplicado por todos?
3. Será só para ser aplicado por alguns contra outros?
4. Será para a Alemanha e a França aplicarem aos PIG's?

Mas como eu dizia, tal comissário, dizia isto com tal convicção que também eu fiquei com uma convicção: Estes tipos mentem com muita convicção! 

Estamos rodeados de uma classe politica no poder, que faz da mentira, da omissão, da confusão, da obscuridade, do mal entendido e da confusão, a baliza do seu discurso. O seu discurso não é balizado pela verdade, pela transparência, pela democracia, pela clareza e pelo conhecimento. O seu discurso e o seu "modus operandi" são determinados pela necessidade de impor medidas de salvaguarda dos poderosos, numa lógica de aprofundamento da luta de classes, do capital contra o trabalho, a tal luta de classes que estes senhores, nos últimos vinte anos, tantos e esforçaram por demonstrar que afinal, não existia.

Como sabemos, a verdade é como o azeite. Vem sempre ao de cima. Aqueles que diziam que a luta de classes já não existia, que já não era tempo dessas coisas, são, ao mesmo tempo, aqueles que mais comprovam a sua existência. E comprovam-na pela pior das razões, pela mentira, pela aldrabice pegada e pela necessidade constante de tirarem dos fracos para darem aos mais forte. Comprovam-na todos os dias, pela necessidade de, constantemente, mostrarem a cobardia de, ao menos, nos encararem e dizerem quem são e ao que vêem. 

Estes senhores, demonstram a necessidade da nossa luta, quando, vestindo a pele de cordeiros, dizendo-se defensores da democracia e contra o radicalismo e a "extrema esquerda", fazem do "politicamente correcto", a força motriz do desengano. Fazem-nos confundir, "politicamente correcto" com "boa educação" e com "respeito pelos outros". O facto é que, o seu "politicamente correcto" mais não é do que o cinismo e a hipocrisia daqueles que, vendidos por dinheiro, poder ou aparecer, não têm a vontade, a coragem e a capacidade de, ao menos, mostrarem um pingo de carácter. Continuadamente, defendem os fortes dizendo que protegem os fracos. E fazem-nos porque são legitimados pelos fracos, mas são segurados pelos fortes. São os fortes que lhes asseguram que a sua mediocridade e a sua incompetência ainda por cima, dão prémio. Claro, não podem, nem querem, virar-se contra eles. Não seria "politicamente correcto"!

Podemos pedir a esta gente apenas um bocadito de seriedade?

Segunda, ao longo da manhã

A tortura sucede e subsequência-se de forma dolorosa. Afinal, parece que o governo, em 2011, procedeu à distribuição de mais de 9 milhões de Euros às ricas famílias da Tauromaquia. Gente pobrezita, coitadita (lembro que, na idade média, só os nobres podiam ser toureiros e montar a cavalo, os pobres só podia ser forcados). 

"dia 21/03/2012 foi publicada no Diário da República a lista dos subsídios atribuídos pelo IFAP no 2.º semestre de 2011, tal como se havia publicado a listagem relativa ao 1.º semestre de 2011 no dia 26/09/...2011.
No ano de 2011 o IFAP atribuiu subsídios no valor de €9.823.004,34 às empresas e membros das famílias da tauromaquia".


Disto não se falou nos jornais. Os esbirros do capital...calaram-se bem caladinhos. Quase 10 milhões para torturar touros? 10 milhões para os proprietários de grandes explorações agrícolas e pecuárias que cobram milhões em bilhetes e transmissões televisivas! Depois disto podem ajudar o futebol! Ah...o futebol é de todos e a tourada é dos ricos? Com que então não há luta de classes! Até nisto!

Depois não há dinheiro para os alunos com dificuldades, para os reformados, para os funcionários públicos, para os hospitais...Mas para os toureiros...AH QUE GRANDES CORNUDOS QUE SOMOS!


Não abram os olhos que não é preciso!


P.s. O Rui Rio vem propor a suspensão das eleições nas autarquias que não tiverem as contas equilibradas. Deja Vu? Eu já tinha pensado nisto para o governo, por causa do déficit. Parece que vem de baixo, vem depressa e pelas mesmas razões!


Como será constituído o Cérebro de um Hiper-Liberal?

“Sei que não sou o Damásio nem sequer o Descartes, mas, penetrarei nos recônditos âmagos do estudo do cérebro e das suas funções, tentando compreender o processo cognitivo e neurológico de um simples actor neo-liberal (neste caso a versão extremista em voga, o Hiper-liberalismo). Imaginem então, um cérebro de um Camilo Lourenço, de um Luís Delgado ou de um Ministro das Finanças como o nosso”.

Silêncio…gráficos a brilhar em ecrãs de três dimensões. Dígitos contabilizando as subidas de crédito ao som repetitivo e sugestivo de máquinas de contar notas. Tabelas, quadros, balanços, a mostrarem a disparidade entre activos, passivos, cash flows, índices de performance e rentabilidade, numa cacofonia de números, tilintares de moedas e restolhar de papel monetário que facilmente possuem o espírito vazio do mais fraco, básico e comum dos mortais. Ah…o que uma educação publica inexistente ou de baixa qualidade poderia ajudar…O dinheiro que ganharíamos. Pensam, suspirando e sentido a pulsação cardíaca a aumentar, todos os Passos Coelhos deste mundo.

Beleza? Arte? Sublimação? Transcendência? Interioridade? Profundidade? Subjectividade? Simplicidade? Emoção? Não, estes não são atributos de um mundo racionalizado por esta gente…Substituamo-los por: Eficácia; Eficiência; Objectividade; Superficialidade; Insensibilidade; Crueza; Quantificação…

Acabámos de entrar no cérebro de um “Investidor de capitais”. Foi difícil de encontrá-lo por entre o emaranhado de fios e circuitos integrados que levam a processos binários, que por sua vez estão ligados a uma centralina operada a distância, cujo IP não nos foi possível de detectar por se encontrar num qualquer paraíso fiscal.

Após ultrapassar-mos  a rede de pastas e ficheiros que fazem dele um verdadeiro e excelentemente programado Sacerdote da Nova Ordem Hiper Liberal Imperial, procurámos resquícios neurónicos e circuitos neuro-biológicos que nos ligassem, o seu pensamento artificial e anacrónico, ao que chamamos de reminiscências do nosso passado colectivo e de todas as referências culturais e históricas da nossa humanidade. Tentámos encontrar a sua consciência social, cívica e humana. Assim o encontraram vocês? Assim o encontrei eu!

Infelizmente, constatámos que as mesmas, simplesmente, foram apagadas, nuns casos, e secundarizadas, noutro. Regra geral ficaria contente com tal evolução tecnológica, mas, mais uma vez, a máquina em causa não foi criada para nos servir, mas antes, para nos submeter (deve ser da programação, afinal, MIT, Harvard, Oxford, Chicago a programarem esta malta…esperavam o quê?).

Para este cérebro, tão profundamente programado e incorporado de tecnologias biónicas e cibernéticas, não existe Adão ou Eva, grande arquitecto ou evolucionismo, creacionismo ou materialismo. Neste cérebro, podem caber todas estas concepções, porque todas elas, individual ou colectivamente, estão submetidas a princípios de programação superiores: O Principio Economicista; O principio da Competitividade crescente; O principio da Riqueza crescente; O principio da Acumulação constante. George Orwel escreveria o 2012 e não o 1984.


As referências culturais tradicionais mais não são do que pequenos ficheiros, que apenas são chamados ao processamento central quando se pretende vender alguma coisa ou ideia, que por sua vez, está submetida aos princípios estruturais acima referidos. Ou seja, este cérebro não é capaz de inovar ou de se revoltar. Todo o seu funcionamento é gerido em torno dos princípios expostos, informadores de toda a acção e reacção.

Neste cérebro, que tanto tem de evoluído tecnológica e cientificamente, quanto tem de medieval e obscurantista, não vale a pena falar de humanismos renascentistas ou de movimentos operários libertários. Não vale a pena falar de justiça social, simplesmente porque o social não conta. Não contanto o social, a justiça…deixa de ser a dos homens, para passar a ser a do dinheiro. Não vale a pena falar de fascismo, porque o inimigo está do outro lado. Com o fascismo enriquece-se muito…concentra-se muito…. Ah! E não tem de se utilizar aquele truque chato e instável da democracia e diálogo social (que alguns sujeitos muito aborrecidos insistem em utilizá-lo para a luta de classes).

O inimigo deste cérebro, está do lado do humanismo que defende que acima de tudo deve estar ser humano e a sua humanidade. O inimigo, está na ausência de classe explorável, na ausência de propriedade privada e na organização de um estado que trate as pessoas como…pessoas. O inimigo está no social, e em todas as correntes politicas que fazem do social o aspecto mais importante na nossa vivência humana. O inimigo está no socialismo. Este é o seu diabo. Quando aparece um socialista ou comunista, este cérebro começa por assinalar um alarme interior. Depois de colocar o seu portador (investidores e actores hiper-laborais) a debitar um sem número de preconceitos padrão, chavões e ideias feitas, ligando-se em rede, a todos os canais de comunicação social corporativa que passam a mensagem até à exaustão, o cérebro faz shut down e fica em hibernação, esperando que a discussão acabe e a paz-social volte rapidamente, pois o conflito social coloca em causa o Sacro Imperador “Mercado de Capitais”.

Ora, este cérebro em que entrámos, é um cérebro sem cara. É um cérebro sem identidade. É um cérebro autómato e telecomandado, cada vez menos humano, esgotando toda a sua existência na consagração e sublimação de um Estado Hiper-liberal, estado esse que pouco tem de institucional e nacional, tendo muito de transnacional, supranacional e imperial. Império sem imperador conhecido, império sem cara. Explora-nos, submete-nos, censura-nos, desumaniza-nos, mas, dificilmente identificamos de onde vem essa força que tem tanto de totalitária como de subliminar. De insidiosa como de intolerável. De intensa como de extensa. Não tem cara, tem muitas caras.

Este cérebro é um actor e contrata actores, marionetas que nos colocam à frente para que, as oiçamos ou as elejamos como supostos representantes. Actuam como programas informáticos que, quando os compramos, resolvem tudo e depois, apanham vírus e dão-nos cabo do computador.

Num cérebro destes, moeda, título, acção, lucro, rentabilidade, mais-valia, etc., constituem o cimento da existência humana, à qual a sociedade se deve submeter. O cérebro de um “investidor” prossecutor da teologia do “Mercado de Capitais” todas as energias populares se devem dirigir para a sublimação da Santa Riqueza Concentrada.

Se a sociedade conseguir resistir…mal o dela J. Invade-se, mata-se, mente-se, manipula-se, defrauda-se, ameaça-se e chantageia-se. Nenhuma vida humana vale mais do que uma bolsa recheada de “capitais”.

“Ave, mercado, ave. Santificado seja o seu Investidor. Abençoado seja o teu actor que nos garante a exploração crescente de mais valias, fazendo das pessoas capital, fazendo dos humanos, recursos. Ámen” in, Evangelho segundo o Nova Ordem Hiper Liberal Imperial



P.s. Como sabemos, o problema não é o radicalismo (nada de mal em defender radicalmente os nossos princípios). O problema é o extremismo. Seja ele qual for. 
Desumano, demasiado Desumano.

Alemanha...Frankfurt...capital financeira do país. Dezenas de milhar de manifestantes (os próprios dizem 40 mil, a imprensa fala em 25 mil e a polícia em 20 mil) protestam contra o capitalismo, contra a politica austeritária conservadora e neo-liberal, de natureza sectária e extremista. Fazem-no em pleno coração financeiro germânico. Já não são meia dúzia de anarquistas...não! Também não são umas centenas de arruaceiros anarquistas. São milhares...de homens, mulheres, jovens e velhos, todos unidos num grito uníssono..."o capitalismos já não nos serve"!

O que fará saltar para a rua milhares de alemães quando o seu país, afinal, até é o mais rico, o que mais cresce e o que mais exporta? O que fará esta gente normal, sem capuzes, gorros, tatuagens ou "very lights", sair à rua, manifestando pacificamente a sua convicção que, não obstante a opulência da nação que os acolhe, "as politicas financeiras capitalistas impostas, não ao seu país, mas aos outros países europeus, não prestam"?

A Alemanha de hoje, meus caros, é o retrato do futuro capitalista. Riqueza sem fim, crescimento estratosférico, gráficos a rebentarem as tabelas, acções a flutuarem ao sabor da roda dentada vampiresca dos "mercados", investidores  regozijantes de tão elevadas que são as suas mais-valias...O paraíso de qualquer Rabi financeiro devoto às forças transcendentes e insondáveis do omnipotente e omnipresente "mercado financeiro".

Neste país...podemos olhar à volta e ver o brilho opulente de tão imensa propriedade digital. São dígitos, números, caracteres, bináriamente multiplicados e consagrados. Até os computadores ganham alma, tal é o movimento nos seus discos e a energia que corre nos seus circuitos. Aliás, confundem-se as suas teclas e écrans com seres engravatados, de fato azul escuro a combinar com a cinza azulada de um portátil que processa dígitos sem parar.

Ahhh. Em meia hora...os dígitos financeiros que se processam! Estão sempre a crescer. Os seres computorizados fardados de azul e gravata de seda que se confundem com a sua máquina, quais autómatos cibernéticos de um qualquer futuro desumanizado, sentem no sangue, a energia electrostática que se apodera dos seus órgãos. Sentem vibrar o cartão de crédito que têm no bolso. Está mais cheio, sem, mas continua a medir o mesmo. Paradoxo infindável este, baseado na apropriação de quem ainda não é máquina, de quem ainda é de carne e osso.

E são estes, os seres humanos, aqueles que vestem qualquer coisa, da ganga à sarja, do nylon ao algodão, num festival de cores que resultam dos humores dos seus corações. São estes seres, que vivem como humanos, entre humanos e que sentem como humanos, renegando diariamente a uniformização maquinal de quem os oprime. São estes seres que sem farda mas com emoção, desce às ruas e gritam de dor, de alegria, de ódio, de saber, de ignorância, de sensação, com senso ou sem ele, mas são eles que dão a cara por nós.

São estes que lutam, que combatem contra a ditadura do número, da farda, do uniforme e da uniformidade, do cinzentismo da cor azul escura, do opaco de um ecrã de um qualquer PDA cheio de gráficos, dígitos e números. São os homens contra as máquinas. O que os leva à rua é o baixo salário quando a bolsa dispara. É a falta de emprego quando a acção bate o record, é a falta de tempo quando o tempo só serve para quem o quer como dinheiro, é a falta de esperança que nos torna a vida mais fácil de viver, é a falta de segurança que nos atira para o abismo.

À beira da catástrofe colectiva seres humanos manifestam-se contra os seres desumanos. Oprimidos contra os opressores. Vêem-se multiplicar-se as manifestações, vê-se crescer o corpo colectivo de seres humanos que não querem a barbárie da pobreza imposta. De que vale a riqueza se não for nossa?

Mas há quem não goste e eis que seres de inominada desumanidade, de receios inconfessáveis, disfarçados de insegurança pública, vêm proibir a manifestação. E para os tais 20 mil humanos (segundo a policia), enviaram 5 mil policias. 600 presos numa manifestação pacífica? Desumano. Mas nem todo o exercito era número. E, eis que no meio de tal azulismo cinzentista, surge a humanidade. Policias que antes eram um mero número, tiraram os capacetes e juntaram-se aos manifestantes. Não foram todos? Não, mas bastava um. Bastava um para o sol continuar a brilhar e a esperança por um futuro melhor continuar a ensombrar todos os que, abusivamente, nos extirpam do presente o sabor do sonho.

Não...o capitalismo já não nos serve! De que vale a riqueza, se não for nossa?



Onde é que já ouvimos isto….

Podemos chamar-lhes de visionários…podemos chamar-lhes de adivinhos, médiuns, feiticeiros ou utilizar qualquer outro termo do jorgão ocultista. Mas, no fundo, não mais eram do que seres pragmáticos, dotados de visão relativa e de termo intelectual de comparação.

Vem ao caso, uma reflexão que encontrei de um dos injustiçados da nossa história. Homem culto, dos primeiros humanistas (ainda sem o saber), precursor da renascença, D.Pedro, o Infante das “sete partidas”, filho de D. João I, Irmão do Rei D. Duarte, de D. Fernando (o Infante Santo), do Infante D. Henrique, meio-irmão do Duque de Bragança e, mais tarde, regente do reino durante os 6 anos da menoridade de D. Afonso V, este senhor, viria a falecer na célebre batalha da Alfarrobeira às mãos de um Rei influenciável e fraco, de um meio-irmão, inculto, ganancioso e invejoso, de uma clerezia corrupta e acima de tudo, ingrata (tendo em conta o acrescentamento que D. Pedro sempre lhe atribuiu) e, ainda, de um irmão individualista, insensível, ingrato, egoísta e falso como o foi o Infante D. Henrique para com alguém que, para além de ser seu irmão, lhe trouxe, das suas viagens, as mais importantes fontes de conhecimento geográfico da altura (o livro de Marco Pólo ou o mapa mundo de Fra Mauro que mostrava toda a costa ocidental e oriental de África).

Mas, como dizia, quem ficou conhecido e reconhecido foi o outro, que cometeu tão grandes disparates e tanto dinheiro custaram  ao país. Bem, D. Pedro não acreditava na política ultramarina do Navegador. D. Pedro já dizia na altura, qualquer coisa como isto: trocar Portugal por Marrocos (na altura estva-se a discutir a ida a Tânger, que tão desgraçada foi) “era como trocar uma boa capa, por um capelo”. Mais tarde, viu-se quem teve razão. Não era isto, apenas, do que eu falava. Este homem bastante honesto e realista para a altura (dentro, obviamente, dos padrões culturais e morais da altura), numa carta que escreveu a partir de Bruges para o seu irmão El. Rei D. Duarte, dizia coisas como: “os filhos enjeitando as profissões dos pais, afidalgam-se, formando essa nuvem de parasitas que então enchiam os paços do rei, dos infantes e dos nobres”. Lembram-se dos Jobs for the boys?

Mas ele continuava: Recomendava que “só se empregasse gente cumpridora, homens capazes e competentes”. Lembram-se dos nossos governantes?

Ainda dizia, por entre outras coisas: “ponham-se cobro às despesas o Rei, os infantes, os senhores, limitem-se às suas posses, para não esmagarem o povo com peitas e impostos extenuantes”. Esta de mandar poupar os ricos e não os pobres…Só podia dar em desgraça, não era? Para ele…e para nós todos! Os ricos…mais uma vez…safaram-se!

Acrescentava também que: A beneficência não podia ser explorada por parasitas. “A justiça, senhor, é uma virtude que me parece não reinar nos corações daqueles que têm cargo de julgarem na vossa terra”. “A justiça tem duas partes. Dar a cada um o que é seu e dá-lo sem delongas”. Enfim, chamava à atenção para o facto de ter de se legislar para proteger o povo da “matilha de magistrados vorazes que o caçava desapiedadamente”.

Mais importante…É que D. Pedro, de facto, quando foi regente, publicou as ordenações afonsinas que, foram um progresso para a altura. Por exenplo, uma coisa que o seu irmão Duque de Bragança não gostou nada foi de ele pretender realizar uma inquirição das suas terras (como o fez D. João II) por causa das queixas de abuso de poder e de utilização indevida da força para com o povo. Uma espécie de limpeza ao nosso sistema político corrupto, que tanto necessitava. Era o que isso significava na altura.

Agora digam-me. Estes ditos, juntando-os aos de Damião de Góis 100 anos mais tarde e de muitos outros,,até bem mais recentes devem fazer-nos pensar. Em todos eles, os ricos, os proprietários, a classe dominante era apontada pela miséria, que o seu comportamento ganancioso e desvirtuado, levava ao povo. Nunca culparam o povo, porque…não era o povo que mandava. Óbvio.

Quando olhamos para a nossa actualidade, constatamos que, os ricos, a classe dominante, nada perdeu, pelo contrário, aumenta o seu fausto à conta da nossa miséria. Hoje em dia, temos muitos que os culpam, mas continuamos a ter demasiados que, todos os dias, repetidamente, nas crónicas modernas, na comunicação social, a toda a hora, vêem dizer que o povo, esse sim…esse é que tem gasto demasiado.

O problema é que, se naquela altura se matava quem tinha a razão do seu lado, actualmente, calam-se os que a têm. Mas não se amordaçam, nem prendem. Sabem o que é que se faz? Colocam-se todos os meios de comunicação social corporativos a gritar tão alto e em uníssono, a mentira. E fazem-no de tal maneira que muitos julgam que a mentira se tornou, aquilo que nunca será nem poderá ser, uma verdade.

Então, actualmente, temos nos nossos belmiros, amorins, santos, zebinais, mexias e cartrogas, os nossos duques de Bragança (ah, e temos nesses monopolistas apelidados de grandes empresários, os nossos infantes D.henrique). Depois…temos os nossos camilos lourenços, delgados, coelhos, sócrates e companhias, os seus arautos. E o rei? Já não há rei. Há imperadores (merkozy antes, merkel depois) e senhores feudais, com todos os poderes de vida e de morte sobre quem dominam.

Como vêem, mudando muito…há coisas que nunca mudam. Os mais ricos continuam a mandar mais, a roubar mais, a matar mais, a aldrabar mais, a abusar mais. Fazem-no de forma impune, porque o poder…esse é seu. Democracia? Bem, colocam-se os arautos a gritar ao mesmo tempo e espera-se que metade dos eleitores não vote, por um lado, e basta enganar, comprar, defraudar, burlar ou enganar 40% dos restantes e forma-se um governo fantoche que só serve para garantir que, parecendo que se muda, não se mude nada.  Como diz Adolfo Luxúria Canibal numa letra sua, sobre o situacionismo: Inundam-nos de informação, nos jornais, na Internet e na televisão…mas o que realmente importa, isso…mantém-se secreto. Ou então, o Sérgio Godinho, quando canta que o acesso ao presente está...Bloqueado! É do acesso à verdade que se fala. 

Até quando?




Cabidela à portuguesa


Na senda das receitas económicas que comecei por sugerir (como muitos outros fizeram), venho aqui com mais uma, que se revela também ela, de enorme utilidade para as famílias portuguesas que estão de “corda na goela”, como se costuma dizer.

Ora bem, todos ouvimos que Portugal tem de poupar, racionalizar, reduzir, extinguir e anular despesa pública. Todos sabemos também que, ao contrário do que o Governo pretende para o estado (ou, pelo menos, diz que pretende), as famílias portuguesas são obrigadas, por seu turno, não a reduzir a despesa, mas a aumentá-la (mais impostos, mais custos energéticos…), mas isto, ao contrário do estado, com diminuição de receita (salários menores, menos apoios sociais)…

Paradoxo estranho este…todo ele justificado por uma palavrão jurídico, apelidado de…Estado de Necessidade. Este é o estado de necessidade que, na teoria geral do direito, significa, de forma muito simples, a desculpabilização de alguém pela prática de um acto ilícito, quando esse acto tenha sido praticado para proteger um bem jurídico mais elevado. Por exemplo, invadimos uma casa alheia para salvar um bebé de um incêndio.

No caso económico Português, este Estado de Necessidade tem sido invocado, em contexto de crise aguda, para que o Estado não seja obrigado a cumprir os contratos que possui com os funcionários públicos e privados (com os trabalhadores!). Coloca-se em causa o princípio constitucional de que o estado deve honrar os seus contratos (celebrados ou não pelos governos anteriores). Contudo, a violação deste princípio é desculpada pelo Estado de Necessidade em que o país se encontra, face aos problemas com as suas contas públicas.

É claro que, numa situação legal de utilização deste princípio do Estado de Necessidade, quem pratica o acto ilegal, que pretende ver desculpado, tem de provar que, de entre todas as possibilidades ao seu dispor, aquela que utilizou era a única que era passível de atingir o fim desejado. Ora, este estudo alguma vez foi realizado por algum dos nossos governos? Nunca! Nem quiseram falar disso.

A verdade é que cortaram a torto e a direito nos trabalhadores (impostos, cortes nos subsídios, SNS, segurança social…) mas, no caso dos patrões e dos grandes grupos económicos…Nada! Pelo contrário, aumentaram os seus benefícios.

A EDP; por exemplo, tem um contrato com o estado (do tempo do Sócrates) que vai levar-nos 4 mil milhões de Euros até 2020. Por exemplo, pagamos o investimento em renováveis e compramos toda a energia produzida, indexada ao Brent e ao câmbio Dolar-Euro (para não serem prejudicados com as flutuações destas moedas). A energia produzida de forma ordinária (hídricas, termoeléctricas…) tem rentabilidade pré-estabelecida. Se não for atingida…Pumba…lá temos de compensar. Há ainda uma parte desta energia que é vendida ao mercado, mas se não atingir o valor pré-contratado da primeira, o estado paga a diferença. Uma empresa privada sem risco (ah… que grande gestor que eu dava!e a EU não diz nada! Só contam as Golden Shares!). Depois, como o consumo está a descer, o estado garante estas compensações através do chamado “deficit tarifário” que permite à EDP aumentar na factura a diferença. Até 2020, há quem diga que a electricidade pode aumentar 26%. Portugal é o país da Europa no qual se paga, proporcionalmente, a energia eléctrica mais cara e o 3.º em termos absolutos! Era isto que o secretário de estado, Henrique Gomes, queria explicar antes de o obrigarem a demitir-se!

As PPP’s custaram em 2011 qualquer coisa como 1,3 mil milhões de Euros. NO primeiro trimestre de 2012, já lá vão 400 milhões. Estando o tráfego nas SCUT’s a descer, o valor vai aumentar. O negócio é de tal forma lucrativo que até mentiram ao tribunal de contas para que este aprovasse o negócio ruinoso. Hoje em dia, todos sabemos que as SCUT gratuitas são muito mais baratas para o erário público. Será que esta gente não vai presa por roubar 10 milhões de portugueses! Prisão Já! Enxovalho em público!

Ora, meus caros, com grande pesar, vêm os nossos governantes actuais dizer…”Nada podemos fazer…a culpa é do governo anterior”. Ou então…”os contratos têm de se cumprir, não se podem rescindir ou resolver”. “O estado tem de se comportar como pessoa de bem”. Então, e o ESTADO DE NECESSIDADE? O mesmo ESTADO DE NECESSIDADE que foi usado, sem critério, sem estudo prévio e sem azia para incumprir os contratos com os funcionários públicos e com os milhões de trabalhadores defraudados? Este já não pode ser utilizado para que, sob o pretexto de se salvarem as contas públicas, não se cumpram esses contratos, até ver?

Mais uma vez, forte com os fracos, fraco com os fortes. Estes bandidos, ladrões, aldrabões e outras coisas mais, que nos têm governado, são uma espécie de “Robin das Bolsas”. Roubam ao povo para dar às bolsas dos accionistas.

Esta receita, ao contrário da utilizada, permitia pagar o défice público de um ano. Só isso! Pildra com eles! Só se sentia a sua falta pela positiva!

Hugo Dionísio

P.S. para quem quiser ler o discurso que o secretário de estado nunca proferiu, vá a http://pt.scribd.com/doc/85236643/Discurso-do-ex-secretario-de-Estado

A minha receita...    


Hoje foram publicados os dados do ultimo trimestre das contas nacionais. E o que nos foi dado ver através dos números publicados? Bem...foi o que todos vimos:

  • A receita fiscal diminuiu
  • O défice aumentou
  • A dívida pública aumentou mais ainda

Enfim, outros dados sobressaíram, mas estes foram os mais importantes. Contudo, importante também, foram as reacções. Na SIC Notícias, por exemplo, lá apareceu um "reputadísssimo economista, consultor, expert, com um MBA da London Business School (ou lá o que for)" que, em nome da revista Exame lá fez, mais uma vez a sua "qualificadíssima"e, acima de tudo, "isentíssima" avaliação pericial. É claro que, tão elevado conhecimento do sistema económico nacional, internacional e universal, não conhece erros nem dúvidas. Este tipo de "sacerdotes" da nova era, a era do "homo economicus", falam directamente com o além...leia-se, "os mercados", "os investidores" e outras forças transcendentais e incorpóreas, mas com enormíssima capacidade de intervenção, quiçá ao nível da omnipotência e da omnipresença. 

Então, dizia tão casta "eminência" que, não obstante os números apresentados, "podiam, mesmo assim, encontrar-se aspectos positivos". Quais? A diminuição da despesa! Com o quê? Com o SNS! Será que eram estas as "gorduras do estado" a que se referiam quando falavam em diminuir a despesa? Provavelmente! 

Por outro lado, começam a fazer-se sentir na segurança social, os efeitos das "doutas" e "irrefutáveis" soluções  para o equilíbrio das contas públicas. Falo, concretamente, da nacionalização dos fundos de pensão das empresas públicas, que já custaram mil milhões de Euros à SS, este ano. 

Ah....mas que descansados podemos ficar com tão "elevada" classe de sabedoria. Sim...com tanta soma de saber, podemos ficar certos que do fosso não saímos! Mais tarde, até vêem justificar o porquê da SS não ser viável. Pudera!

Mas o que mais me faz confusão é isto: então, dizem estas alminhas, formadas nas mais reputadas universidades económicas do mundo ocidental (das tais que têm sempre razão, à moda da mais extrema religiosidade inquisitorial hispânica), que não podem os governos bulir com as forças do além, porque, mexer com os "investidores" e com os "mercados" só pode resultar em divina punição, de severidade exponencial e ilimitada? 

Mas, expliquem-me lá, quando os fundos de pensões foram nacionalizados para equilibrar as contas públicas, não foi isso que se fez? Mexer com os "investidores"? Não se tratam de fundos de investimento? Não se tratam de fundos nos quais milhares de pessoas colocaram o seu dinheiro, numa perspectiva de investimento futuro? Que lhe garantisse a reforma? E agora? Agora, vem o governo dizer que ficam sem subsídios e partes da reforma? Mas isso não é alterar as regras do jogo do investimento daquelas milhares de almas investidoras? Subitamente, ouvimos um silêncio de bradar aos céus, porém ensurdecedor. Nem um sacerdote "Economeu" se levantou...

Então, avanço com uma solução...Porque não nacionaliza o estado esses fundos imobiliários (há um que tem 7 mil milhões) que apenas têm que retribuir 1,2% ao ano? Não sairá mais barato que o empréstimo da Troika? Porque não se nacionalizam os PPR's e capitais de reforma explorados por todas as seguradoras e bancos em Portugal? São apenas 3% ao ano...Já agora, vamos à CMVM e nacionalizam-se todos os fundos mobiliários com rateamento AAA+ e que, mesmo garantindo 10% ao ano, o montante é capaz de justificar. É muito a retribuir por ano? Não faz mal. Faz-se o mesmo que se fez aos reformados dos fundos das empresas publicas, dividem-se os dividendos anuais por 14 partes e retiram-se duas delas. Ah...e aplica-se uma taxa de 30% de IRS, adicionada de um sobretaxa de 15%, e ainda, de um IVA de 23%.

Já viram o dinheiro que isto dá? Dá mesmo muito. Dava para não trabalhar-mos durante 10 anos. Esperem...deram-me uma cotovelada...há um sacerdote "Economeu" que me diz que tal não é possível por provocar a ira divina "dos mercados" e "dos investidores"...

Mas porquê????? Alguém me consegue explicar????

Vou mas é para um "seminário" neo-liberal tirar um curso  e economia para me tornar um bom..."guarda-livros". Pensavam que era o quê?


Hugo Dionísio

P.S.1 - Sacerdote "Economeu" = nova classificação sacerdotal de acordo com a Nova Teologia Mercantil, figura de proa ao nível dos contactos humanos com as forças monetárias do além. Prossecutores do Evangelho segundo G8, caracterizam-se pela capacidade de tornarem a ciência social económica na mais reles contabilidade merceeira.

P.S. 2 - Em futuros textos abordarei mais especificamente a doutrina Teológica desta gente.