há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!

Crânios Olímpicos da Lusitânia

Estamos muito bem entregues...O que vale é que este país está entregue a uma classe dominante muito competente...Muito competente.

Poderíamos começar pela humanamente inatingível capacidade do ilustríssimo, sapientíssimo e "economíssimo" Dr. Vitor Gaspar. Aliás, a sua enormíssima competência, testemunhada num programa da SIC Notícias, por eminentes personalidades como o "Doutoríssimo" António Borges ou o "Imperial" ministro das finanças da Alemanha, mostra, de forma inequívoca, a altura "espiritual", quase ao nível do "semideus" do intelecto tecnocrático do nosso "encefálico" ministro das finanças. Daí que, a simples e singela sabedoria popular não atinja a assombrosa magnanimidade das suas previsões económicas. 

É que vos está aqui a falhar algo...Não são as suas previsões que falham...Tal reservatório de massa cinzenta, a transbordar pelos olhos afora (daí as olheiras descomunais), jamais erraria numa previsão económica. O erro não está acessível a tal eminência. Quem possui o abono dos deuses (mercados, investidores, financiadores, Borges e Cia) jamais veria a sua obra maculada pelo humano erro. Assim, meus caros, o que falha é a realidade. Essa desgraçada da realidade que insiste em questionar e pregar partidas aos deuses. Logo, demitir o semideus Gaspar é um facto só praticável pelos próprios deuses. Não seria um simples saltitão orelhudo que seria capaz, por muito que esperneasse, de afastar o filho de Zeus do poder luso. Simplesmente, esse acto está-lhe interdito, devido à sua simplória natureza humana de baixa qualidade (ainda por cima). Aliás, esse ser nem ao Olimpo foi - leia-se Bilderberg.

Assim, meus caros, a realidade insiste em desmentir as olímpicas previsões Gasparianas. Temos de mudar a realidade, porra. Não há dúvida que, neste aspecto, estamos muito bem entregues. Como vos digo, estamos com deus...Ou será antes semi deus?

Bem, mas a elevação craniana da nossa elite não se esgota na incontestabilidade da infalibilidade do "realmente" traído Vitor Gaspar. Não, o nosso canto está florescente de crânios assim. No outro dia foi São Belmiro de Azevedo, homem de elevadíssima estatura intelectual, homem de uma capacidade de empreendimento invejável, homem imparável na construção da sua riqueza, que veio dizer: "Não se podem pagar salários de crânios a pessoas sem capacidade". Pois é.

Na qualidade de crânio, vazio ou cheio, não sabemos, São Belmiro achou por bem justificar a aparente torpe, inescrupulosa, imoral, indigna e inumana exploração a que remete os trabalhadores (serão colaboradores?) do seu império financeiro. Pois é...eles não são crânios. Serão seres invertebrados? Serão seres sem cabeça? E os micro-empresários que ele destrói diariamente, com as suas jogadas oligárquicas? Também serão descabeçados? Está, pois, justificada a capacidade de São Belmiro para a iníqua exploração que faz de todos os "descabeçudos" que lhe aparecem à frente. É uma questão de ter ou não ter crânio. Aliás, aqueles que o têm, quando se lhe atravessam à frente depressa podem ficar sem ele. Sim...porque se eu  trabalhasse com um ser destes já tinha perdido, há muito tempo, a minha cabeça. Depois...estaria condenado ao efeito "quinhentinho". 

Aliás, a capacidade de São Belmiro para pagar "quinhentos" a todo e qualquer descabeçudo, ou a propensão que revela para cortar o crânio a todo o cabeçudo que, armado em ser humano, lhe aparece à frente, em termos de santidade, coloca-o ao nível, por exemplo, de Santiago. Este Santo era conhecido por, nas suas aparições, matar tudo o que era muçulmano. E São Belmiro? Bem, façamos a justiça de dizer que, para ele, tendo dinheiro ou sendo explorável, não interessa ser muçulmano. Qualquer coisa serve para a sua sede de enriquecimento à conta da trituração de seres humanos. Ah! Grande "Chefe" da Comissão de Trabalhadores da Sonae. No que a este concerne, estamos, também, muito bem entregues. Explora aqui e não paga impostos na holanda. Homem de princípios profundos. Quando abraça um principio, perde-o logo na profundidade da sua ganância. Se o Gaspar é o deus da previsão económica, este é o deus da ganância desmedida. Tão desmedida que defende os nossos baixos salários, quando, o seu negócio é vender-nos coisas. Pois é...mas a ganância de explorar, à partida, os trabalhadores, é maior do que a crença que possui, de que o retorno, com salários dignos, lhe seria altamente favorável. E depois dizem que é um ser com visão e capacidade de empreendimento. Só se a cegueira, agora, também for uma coisa boa!

Mas, a lista de capacitados semideuses aos quais o pais está entregue está, obviamente longe de acabar. A lista é imensa, a sua capacidade, competência, rigor, honestidade, virtuosismo, lisura, transparência e dignidade são tais que, tais qualidades são, por exemplo, bastante comprováveis a vários níveis. Em quais? No estado do país, por exemplo. Afinal, a dimensão, poder e influência dos nossos grupos económicos só é comparável à utilização que fazem do trafico de influências, da corrupção e da utilização de "crânios", que por o serem, segundo São Belmiro, justificam amplamente o pagamento principesco. Esta estratégia tem funcionado de forma muito eficaz...sem dúvida. Para Elite, não para o povo. Claro.

A ultima das "competências" divinas, pagas a peso de ouro com os impostos de quem trabalha, foi a do processo judicial que o Governo Português interpôs contra os antigos membros da fraude BPN.

Então não é que, aqueles escritórios de advogados, ilustríssimos, eminentíssimos,  polidíssimos e riquíssimos, pagos com milhões de euros anuais (os pareceres chegam a custar dois milhões de euros), entregaram o processo no tribunal errado? Sabe, o que aconteceu? Os arguidos foram absolvidos da instância. O que quer isto dizer? Que o processo tem de voltar ao início, no tribunal correcto.

Quem cometeu o erro? Judice? Vitorino? Não sei. Sei que agora a culpa irá para o desgraçado de um advogado estagiário que trabalha de graça, de dia e de noite, enquanto estes senhores enchem todos os seus orifícios com o ouro pago com os nossos impostos.

O mais grave? É que os custos com processos destes, feitos propositadamente para não chegarem a lado nenhum, são pagos por todos nós. E depois...depois ainda temos que levar com estes tipos na televisão a dizerem que temos de fazer isto e aquilo. É preciso não ter lata nenhuma...

Agora, depois destes singelos exemplos, aconselho o seguinte:
  • Continuem caladinhos e não participem em acções colectivas de combate ao governo
  • Continuem a levar com eles a lamentarem-se de que eles não vos respeitam
  • Continuem parados e letargcos sem fazerem valer as vossas opiniões
  • Continuem a nõ exercer os vossos direitos e liberdades democráticas
  • Continuem a achar que a dignidade, o progresso e o desenvolvimento cai do céu e não é preciso trabalhar para isso
  • Continuem a achar que o caminho é o seguidismo e o politicamente correcto
  • Continuem a achar que aqueles que, mesmo assim, se conseguem desprender das amarras da opressão económica e social, para encetarem processos de contestação, não passam de um bandod e oportunistas
  • Continuem a achar que isto é tudo igual e que anadm todos ao mesmo e que, portanto, não vale a pena fazer nada
  • Continuem a comprar coisas ao São Belmiro e outros que tais, esquecendo-se que estão a alimentar os seus meios de domínio sobre o país
  • Continuem a não aplicar critérios de ética social e humana ao vosso consumo individual, pensando que não vale a pena escolher ou que isso é muito dificil
  • Continuem a achar que, cada um de nós vale muito pouco e o que pode fazer não vale de nada
Até podem continuar assim...Mas não se queixem! Não se lamentem! Ao menos sejam homenzinhos (ou mulherzinhas) o suficiente para serem coerentes convosco próprios!

Porque, a verdade é que, todos valemos muito. Porque hoje em dia temos meios extremamente eficazes de fazer valer as nossas opiniões e de denunciar as iniquidades que vemos. Porque hoje em dia podemos diversificar as fontes de informação ao ponto de identificarmos as farsas que a elite dominante nos quer enfiar pelos olhos adentro. Porque um homem sem liberdade é um escravo. E o pior escravo é aquele que escolhe sê-lo porque se imiscui de exercer, em cada momento, em cada dia da sua vida, a sua liberdade.

Pela liberdade individual realiza-mo-nos pessoalmente.  Pela liberdade colectiva emancipa-mo-nos enquanto povo, enquanto espécie. Deixem-se de tangas e de tretas. O caminho faz-se andando e em democracia somos todos importantes...todos. E essa é a unica forma de afirmar-mos em cada momento a igualdade de todos os seres humanos. Não lhes podemos dar descanso. Não devemos dar-lhes descanso. É imperioso que não lhes dê-mos descanso.

A marcha da história é das massas. Foi assim, sempre que a elite iluminada, vendeu o país ao estrangeiro. Nesses períodos, foi sempre o povo que deu o corpo ao manifesto. Estão à espera de quê? Mais precisamente?
À luta







Estás farto deste governo? Começas aos saltos de raiva quando com o Passos Coelho? Tens pesadelos com o Gaspar? Tens ataques de pânico quando vês alguém do governo? Tens ataques de sonolência quando ouves o Cavaco? Apetece-te partir a televisão quando ouves o Primeiro Ministro prometer algo que sabe à partida não poder cumprir? És daqueles que achas que isto só lá vai à bruta e as palavras já não chegam?

O que estás à espera para aderir à greve geral de 27 de Junho? Estás à espera do quê? De que alguém lute por ti? Podes mas é esperar sentado! Deves mas é estar à espera que um milagre venha e transforme isto tudo...Deves mas é estar à espera que todos os outros (menos tu) se juntem para obterem os resultados que tu não contribuis para alcançar...Deves mas é estar à espera que os teus direitos te caiam em cima do colo sem nada teres de fazer...Deves mas estar é a ver qual é a forma mais fácil de nada fazeres e poderes continuar a lamentar o azar de nasceres num país destes.

Faz-te mas é a vida...meu. Assume-te e torna-te digno da herança que aqueles que lutaram pelo 25 de Abril  te deixaram. Não te transformes no derrotado que, em democracia, perdeu aquilo que outros conseguiram, em ditadura. Faz mas é greve, participa, denuncia e mobiliza que é para isso que foi feita a democracia e a liberdade. A liberdade nasceu para ser usada. Deixa-te de cobardias e de tangas e faz mas é greve!

És daqueles (ou daquelas) que no comboio, na camioneta ou no metro, se lamenta sem parar sobre o estado a que chegou o país? És daqueles que, quando vais no teu carro e ouves as notícias, começas aos gritos com o vizinho do lado porque achas que os culpados foram aqueles que votaram neste governo? És daqueles que te lamentas constantemente mas sabes que só o lamento não chega para mudar o que quer que seja? És daqueles que dizes que o o governo é composto por ladrões sem vergonha e que, corras ou saltes, o resultado é sempre o mesmo?

De que está à espera para fazer greve? Estás à espera que o governo caia por si só? Estás à espera de quê? De que alguém lute por ti? Espera mas é sentado! Não me venhas com aquela tanga - ai...eu até estou de acordo com a greve, mas não a posso fazer! Não me venhas com aquela que não fazes greve porque perdes um dia de salário. Quanto já perdeste estando calado? E o que ganharam todos os que as fizeram no passado? Julgas que os direitos que temos caem do céu? Não...meu caro...são o resultado de séculos de luta, de sangue, suor e lágrimas. Quem tem a riqueza, quem tem o poder, não os quer largar. Nunca quis. Portanto, deixa-te de balelas e faz-te mas é à vida. Junta-te à greve geral de 27/6.

És daqueles que às vezes acha que nem vale a pena votar porque os políticos são todos iguais? És daqueles que acham que isto o que é preciso é um sublevação popular em massa? És daqueles que praguejam todos os dias, todas as horas e todos os minutos contra a escumalha que tomou conta do país? És daqueles que acham que isto está entregue aos bichos e ninguém nos pode salvar? És daqueles que já não acredita em milagres e diz que as coisas estão cada vez piores?

De que estás à espera? Cala-te e faz greve! Torna-te um homem (ou mulher) e assume, de uma vez por todas, a importância de se ser livre numa sociedade de homens livres. Assume a responsabilidade que sobre cada um de nós recai, de deixarmos aos nossos filhos um mundo melhor do que o que temos agora. Deixa-te mas é de tretas, lamentas e tangas do tipo do "ái...isto não vale a pena", ou "ái...sozinhos não conseguimos nada, ái...se o vizinho do lado não faz, eu também não faço,  assume-te como homem ou mulher e luta pelos teus próprios interesses. Estás à espera de que lutem por ti? Espera mas é sentado!

Meus caros, Portugal só avança se for constituído por homens e mulheres livres. Homens e mulheres que não têm medo de assumir, em cada momento, a sua opinião, o seu descontentamento, a sua dignidade. Um povo sem coragem é um povo de dignidade. Um povo que não honra a luta do passado, é um povo que não tem direitos no futuro. Pior que o que nos tiram estes bandalhos governantes, é o que nós perdemos pela derrota que nos infringem. Porque é a derrota da dignidade, é a derrota da justiça e da verdade. Se achas que o 25 de Abril valeu a pena ser feito...não deixes que esta gente nos prive da sua glória. Essa é a maior derrota...essa é a maior perdição.

Vamos todos à greve com a força e a convicção de quem tem a razão. A razão da justiça, a razão da liberdade e a razão da democracia. Não se deixem pisar por gente vendida e sem dignidade, não se deixem vencer pelo medo e pelo receio de perder o que já não vos reconhecem... a dignidade.

Quando um governo nos mente e desrespeita continuamente é porque nada nos reconhece. Só podemos ganhar, não há nada a perder. Idos os anéis, de que estão á espera? que vos levem os dedos?

Coragem, vamos todos à greve. Na greve ninguém ficará sozinho. Mais um abanão e esta corja cai...ai cai. 

P.S. a queda do governo antes do final da legislatura será uma conquista democrática sem precedentes no nosso país. Será a vitória do povo sobre o jugo da elite financeira, arrogante e totalitária. Vamos mandar tudo abaixo...

Como diz o outro...Vai tudo Abaixo!!!!
Como o Belmiro começou a enriquecer...
...Nadava nas águas da UDP...

 
Quando, em 14 de Março de 1975, o governo de Vasco Gonçalves nacionalizou a banca com o apoio de todos os partidos que nele participavam (PS, PPD e PCP), todo o património dos bancos passou a propriedade pública. O Banco Pinto de Magalhães (BPM) detinha a SONAE, a única produtora de termolaminados, material muito usado na indústria de móveis e como revestimento na construção civil. Dada a sua posição monopolista, a SONAE constituía a verdadeira tesouraria do BPM, pois as encomendas eram pagas a pronto e, por vezes, entregues 60, 90 e até 180 dias depois. Belmiro de Azevedo trabalhava lá como agente técnico (agora engenheiro técnico) e, nessa altura, vogava nas águas da UDP. Em plenário, pôs os trabalhadores em greve com a reclamação de a propriedade da empresa reverter a favor destes. A União dos Sindicatos do Porto e a Comissão Sindical do BPM (ainda não havia CTs na banca) procuraram intervir junto dos trabalhadores alertando-os para a situação política delicada e para a necessidade de se garantir o fornecimento dos termolaminados às actividades produtoras. Eram recebidas por Belmiro que se intitulava “chefe da comissão de trabalhadores”, mas a greve só parou mais de uma semana depois quando o governo tomou a decisão de distribuir as acções da SONAE aos trabalhadores proporcionalmente à antiguidade de cada um.
É fácil imaginar o panorama. A bolsa estava encerrada e o pessoal da SONAE detinha uns papéis que, de tão feios, não serviam sequer para forrar as paredes de casa… Meses depois, aparece um salvador na figura do chefe da CT que se dispõe a trocar por dinheiro aqueles horrorosos papéis.
Assim se torna Belmiro de Azevedo dono da SONAE. E leva a mesma técnica de tesouraria para a rede de supermercados Continente depois criada onde recebe a pronto e paga a 90, 120 e 180 dias…
Há meia dúzia de anos, no edifício da Alfândega do Porto, tive oportunidade de intervir num daqueles debates promovidos pelo Rui Rio com antigos primeiros-ministros e fiz este relato. Vasco Gonçalves não tinha ideia desta decisão do seu governo, mas não a refutou, claro. Com o salão pleno de gente e de jornalistas, nenhum órgão da comunicação social noticiou a minha intervenção.
Este relato foi-me feito por colegas do então BPM entre eles um membro da comissão sindical ( Manuel Pires Duque) que por várias vezes se deslocou na altura à SONAE para falar aos trabalhadores. Enviei-o para os jornais e, salvo o já extinto “Tal & Qual”, nenhum o publicou…

Gaspar Martins, bancário reformado, ex-deputado

P.s. Agora não se esqueçam de continuar a comprar coisas e a consumir serviços das empresas desta senhor. Eu já não o faço, e garanto que, se todos conseguirmos passar a moldar o nosso consumo num plano mais ético, esta gente sem escrúpulos, valores ou qualquer tipo de moral que não seja a do enriquecimento fácil, tem os dias contados. Eles não nos gramam, mas vivem do nosso dinheiro. Existe maior ingratidão que essa?

O meu dinheiro? que sai do meu trabalho? No bolso desta cambada? Nem pensar. Sós e não tiver alternativa...mas temos. 

Um país que possui, no zénite da figura de empreendedor de sucesso um ser como este, de facto, tem de ser um país com graves problemas, acima de tudo, problemas de identidade. A Comunicação Social corporativa, obviamente nada diz. E nós?

Fica ao vosso critério. Por mim...animais destes não fazem cá falta nenhuma. A natureza só sentiria a sua falta pela positiva!

Hugo Dionísio 

 


Relvas, relvinhas… O efeito autoclismo…

Neste dia de chuva, cinzento como o Vítor Gaspar e desagradável como o Passos Coelho, mesmo molhadinho até aos ossos, não perdi o sentido de humor. Pudera, comecei a minha leitura matinal de e-mails com isto:


Pois é…Pois é...A brincar, a brincar… Estão a ver como se podem dizer tão grandes verdades com não menos grandes brincadeiras?

A verdade, verdadinha é que, nos últimos dias foram várias as visitas de Relvas a Universidades e Politécnicos (para além de outras tentativas de apresentação publica). Todos sabemos quais foram os resultados. Em todos os casos, Relvas foi tratado ao nível de qualquer figura anedótica nacional de mau gosto.

Por exemplo…podemos comparar o aparecimento do Relvas em publico como o caso do Conde Andeiro (que D. João I matou à punhalada, salvando o povo português das garras do correspondente medieval do Relvas). Também podemos ir buscar o Cardeal D. Henrique que, tal como Relvas nos vende ao capital estrangeiro, o Inquisidor D. Henrique, vendeu-nos aos espanhóis. Ainda me vem à memória…Alves Redol, com mais classe do que Relvas.

Confesso que este exercício de conseguir figuras tão patéticas como Relvas, na nossa prolongada história nacional é, um tanto ou quanto, difícil. Daí que, talvez possamos reconhecer a Relvas o mérito de se ter tornado uma figura incontornável da nossa história. Pela negativa…

Mas o que importa, no meio disto tudo, é que, para além das goradas tentativas de apresentação publica que talvez tivessem como intuito a promoção de uma certa proximidade simpática entre Relvas e o povo, de forma a contornar a espessa barreira criada entre a realidade nacional e o sonho que Relvas tinha de se tornar num sebastiânico Ministro do nosso (des)governo , a experiência tentada, tal como tudo o que este governo tenta, mais uma vez não passou disso mesmo, de uma tentativa. A distância entre a exigida credibilidade ministerial e o ministro Relvas é tão grande que todo o governo se afundou no fosso criado pelo efeito.

Então, Relvas, para além de funcionar como uma espécie de vácuo que tudo suga, tal como o cifão das nossas casas de banho que leva para fora da nossa casa os mais inconfessáveis dejectos da nossa existência, o efeito Relvas não se limita a sugar os dejectos governamentais expelidos por um acto eleitoral caracterizado pela mentira descarada, pela desinformação e pela omissão intencional, por parte da comunicação social, de todas as evidências que poderiam tornar este governo numa solução meramente teórica, derrotada pela verdade concreta de um acto eleitoral verdadeiramente democrático. Relvas, suga para dentro e, automaticamente, expele os dejectos para de onde os mesmos vieram. Com um problema…É que quando os expele, esses dejectos vêm em decomposição, tornando a sua convivência com povo absolutamente insuportável.

Este efeito Relvas, o Dias Loureiro dos tempos actuais, responsável pelo aparelho PSD e pelo seu financiamento, responsável pela distribuição dos despojos públicos pelos dejectos ambulantes que pululam à sua volta, este efeito tinge a nossa sociedade de um cinzentismo mal cheiroso do qual é muito complicado livrar-nos. É que, como toda a porcaria, esta também entranha… E entranha de tal maneira que, mesmo o cheiro sendo nauseabundo, ninguém consegue tirá-lo.

Não obstante, Relvas tentou mascarar a sua reles aparência – a de um aldrabão íntegro – com a aparência de um doutor. Para tal, sem nunca ter posto um pé num estabelecimento do ensino superior que se preze, comprou, traficou, extorquiu, inventou, expeliu, dejectou, um grau de licenciado, vindo das profundezas das suas entranhas. Se saem de lá Coelhos – qual mágico – como não sairão licenciaturas? O Ilusionista tira coelhos da cartola, Relvas tira muito mais, tira Coelhos, Licenciaturas, Moradas em Tomar (por causa das ajudas de custo), processos de privatização da TAP, BPN’s, Banif’s, Tecnoformas, LDN’s e até, formação sobre arquitectura sustentável. Só que, pois é, não o faz com ilusionismo, fá-lo à descarada. Relvas é tão reles que nem se dá ao trabalho de inventar um truque. Vai à bruta. E que vir, que se aguente.

Relvas é muito mau mágico. É daqueles que quando faz um truque, todos vemos que é, isso mesmo, um truque. O truque que relvas tenta fazer ao país equivale a um ilusionista fingir que vai serrar uma assistente ao meio e, pumba, não é que a serra mesmo?

Relvas quer fazer-nos crer que não está a cortar nada aos bocados…mas quando abrimos os olhos, está tudo partido, sem que ele consiga voltar a montar os cacos. Quando o faz…ainda os parte mais.

Não obstante, o Sr., Dr., Eng.º, Arquitecto, seja lá o que for, sabendo que tem um diploma de licenciado e sabendo que, agora, ao contrário do que todos fazem, é hora de ir às universidades compensar o tempo de aulas que nunca teve, depara-se com um problema ontológico. A universidade não o quer lá. Do tipo, “se já estás licenciado, põe-te a andar”! E a rejeição tem sido tão grande como quanto a complexada insistência.

Até que enfim que alguém começa a puxar o autoclismo. Com um efeito interessante e que comprova o que eu disse anteriormente, é que arrasta com ele todos os dejectos que expeliu.

Que cheirete…Não é?
Dêmos-lhe corda!


Passos Coelho, num destes dias, numa das suas metafóricas associações – que também têm algo de meteóricas – quis, mais uma vez, invocar uma imagem que pudesse, de alguma maneira, ajudar a reconstruir a confiança dos Portugueses no executivo que (não) lidera.

E que imagem invocou? A imagem da corda que estica e não parte. Imagem arquetípica esta. Imagem muito do agrado dos portugueses, um bocado como aquela do “mais vale quebrar que torcer”.

Passos Coelho, à falta de sabedoria e inspiração suficientes para que pudesse mostrar uma luz, a quem dele já tudo – de mal – espera, vai-se munindo de expressões recorrentes, requentadas a partir da nossa sabedoria popular. O problema, claro está, é que, este sujeito a quem temos, obrigatoriamente, de chamar de Sr. Primeiro-ministro, nada possui de “sabedoria” e muito menos de “popular”. Aliás, para além de nada ter nem de uma coisa nem de outra, o mais caricato ainda é que, toda a sua acção representa a negação da própria sabedoria e, ao mesmo tempo, representa uma ofensa a tudo o que é popular.

Desgraçadamente, esta é a maior das ironias da vida deste Sr. a quem, desgraçadamente, chamamos de Primeiro-Ministro. Ao utilizar exemplo da “corda que estica e não parte” Passos Coelho confrontou-se com um problema, extensível, nestes últimos dias, a todos os membros do seu governo.

Se reparar-mos, nos últimos dias não há membro do governo que possa colocar a cabeça de fora, sem que o povo não corra logo atrás a querer enforcá-lo. Quem é que mandou o mais desgraçado PM da nossa história, lembrar-se de falar da “corda que estica e não parte”?

É que agora, para além de estarmos todos a pensar no que fazer com tal corda, dando-lhe uma utilização cada vez mais popular, Passos também conseguiu colocar-nos a “rezar” para que, depois de a utilizarmos, a corda não se parta. Caso contrário, de nada serviria a sua utilização. Ela que estique – sem dúvida – mas que não parta
Não, Sr. Passos Coelho – chamo-lhe Srº e não Drº porque o deve ser à la Relvas – A corda não se partirá. Ante que tal aconteça, outras coisas partir-se-ão.
P.S. tal como a metáfora de Passos, o meu discurso também é metafórico, portanto, não me venha o reaccionário SIS, com a tanga de que estou a pregar à violência…



ENERGIA A MAIS

Acordei ao som estrondoso do meu despertador, esfreguei as remelas e, apalpando de olhos fechados à procura do botão, desliguei o desgraçado instrumento e liguei outro…O rádio.

«O país tem um problema de défice da balança comercial, agravado pelo problema do défice energético», dizia, um dos palradores do regime, na sua crónica “economicista” matinal. Nada como acordar ao som metálico do dinheiro, logo de manhã.

Pensei que, estes doentes, apanhados pelo vil metal, viciados na adrenalina da “mais-valia”, começavam logo de manhã a sua maratona propagandística de convencimento das massas. Funcionam, sem dúvida, como uma espécie de anestésico social. Impedem o povo de chegar, facilmente, à verdade.

Aquilo que parece uma verdade simples passa a constituir uma verdade complexa, porque estes senhores a complicam, de forma a fazerem crer que o desvendar da realidade está para além das capacidades do comum dos mortais e acessível, apenas, a um grupo de iniciados na arte de “como aumentar a exploração do povo em que este o sinta”.

«O governo tem a necessidade de baixar o consumo interno para que se reduzam as importações, o que, aumentando as exportações, leva ao equilíbrio da balança comercial».

Poderia continuar com a citação mas, todo este palavreado se tornou demasiado simples. O “economês” tradicional neo-liberal continuaria a dizer que para isso tem de haver contenção salarial, criatividade fiscal e emagrecimento do aparelho de estado o que, traduzindo para língua portuguesa quer dizer: Baixar salários abaixo do limiar de pobreza; aumentar os impostos sem redistribuir mais, por isso; acabar com estado social.

Como podemos ver, só os mais incautos ignorantes do jargão linguístico “economês”, dialecto padrão da autocracia argentaria ultra-liberal, não saberiam traduzir à letra, expressões idiomáticas tornadas tão comuns.

Contudo, nesse mesmo dia, veio o Governo, sebastiânicamente, mostrar ao país a solução. «Portugal tem de tornar-se um país líder na produção de energias através de fontes renováveis». Confesso que fiquei impressionado. Sem dúvida, uma medida importante. E continuava: «O governo vai accionar um plano de investimento em renováveis que promova, a longo prazo, a sustentabilidade e autonomia energética do país, equilibrando a balança comercial».

Quando governos autocráticos, eleitos ao sabor da mentira, da demagogia e da ocultação das verdades, referem possuir planos de investimento, é razão para ficarmos preocupados…quer dizer que vai chover dinheiro lá para os lados do zoológico das suas amizades.

E, tal assunção, não resulta de nenhum preconceito, resulta de uma constatação material e substancial, que de tão repetida e inatacada por quem o poderia fazer, se tornou, inevitavelmente banal. Passou a ser banal, usar o erário publico para beneficiar patrimónios particulares. A prática do peculato encapotado, tornou-se um “must” ao nível do Know How necessário para governar.

Ora, não foi com surpresa que todos vimos as nossas factras eléctricas aumentarem por que passaram a integrar uma taxa para investimento em energias renováveis. É pena não inventarem uma taxa para “orçamentos familiares renováveis”, “cuidados de saúde renováveis”, “reformas renováveis”, etc.

Foi também sem surpresa que vimos o estado, na sua grandeza e imensidão, continuar a pagar rendas de barragens que são nossas  e a subsidiar a fundo perdido (por acção do QREN) o investimento nas energias renováveis.
Quem ouvisse falar tal gente e não fosse de cá, pensaria «eh pá, em Portugal está a ajudar-se o país a se independente energicamente». Ou, «com energia nossa, nas nossas empresas, equilibramos a balança comercial e não estamos sujeitos aos elevados preços do petróleo».

Todo o discurso assentava que nem uma luva. Ajudar empresas nacionais, promover a sustentabilidade e autonomia energética…Faaaantástico. Disseram os donos da GALP, EDP, REN e outras.

Então, o que sucedeu? As “nossas” EDP’s, GALP’s e REN’s, para além de produzirem energia mais barata, para além de não terem investido um chavo na “nossa” estrutura produtiva, para além de aumentarem exponencialmente os seus lucros, o que fizeram elas? Beneficiaram o país? Depende de, quem é o país.

Agora soube-se que nos últimos 4 ou 5 anos pouparam-se 6.300 000 000 € em petróleo, com benefício para a  balança comercial. Quase 4% do PIB nacional. E de quem foi o benefício?

É, pois é, enumeremos:

  • Lucros das “nossas” empresas energéticas
  • Balança comercial mais equilibrada, o que é bom para…Não sabemos, porque, não nos diminuiu imposto nenhum
  • Lucro das empresa chinesa que comprou a EDP
  • Lucro especulativo dos accionistas das energéticas

E para nós, o povo? Que “benefícios” recolhemos?

  • A energia mais cara da Europa
  • Impostos mais altos para pagar os custos energéticos do estado e os custos futuros da privatização das energéticas
  • Empresas que vão à falência por causa da factura energética
  • Precariedade laboral e baixos salários praticados pelas empresas que prestam serviços Às multimilionárias energéticas
  • Monopólio de distribuição e produção energética
  • Preços energéticos cartelizados
  • Mais valia apropriada pelo capital quando deveria de reverter para quem investiu nessas empresas

Pois é, meus caros, a politica do Sócrates foi só vantagens. O Passos que o diga, porque essa, ele não mudou.

                                   Arre, parece que gostamos de ser roubados