há mais de 2000 anos já se sabia!

Cuidado! Vê o que acontece se não participares. Já Platão o sabia. Quantos mais milhares de anos serão necessários para tu também o saberes?

A injusta repartição da riqueza!

Consideras justa esta repartição da riqueza? Então o que esperas para reinvindicares uma mais justa? alguém que o faça por ti? Espera sentado/a!

Não sejas mais um frustrado/a!

Não há pior frustração do que a que resulta da sensação de que não fizemos tudo o que podiamos!




Alcoolítiquices

Esta notícia já não o é. Mas encontrei algo de interessante sobre a mesma.

Bem, longe de mim condenar a senhora deputada Glória Araújo pela sua noite de copofonia. Afinal, todos temos os nossos pecadilhos e tudo o que não quero é viver numa sociedade moralista. Julgo que o ser humano já teve disso que chegue. Contudo, o que mais me espantou nesta situação, não foi o saber que um representante do povo (em feminino, pois eu recuso-me a colocar os o/a) é capaz de apanhar uma valente piela, ao ponto tal, de ser capaz de dizer a si própria: oh, eu estou tão bem que até sou capaz de conduzir!

Já me estou a ver, naquelas noites de jogo do copo em que, tal como todos os que comparam medidas de tanta coisa, jogávamos até ver que era o primeiro a cair para o lado e, após a queda do infeliz, dizíamos: eh pá, o gajo não aguenta mesmo nada! Eu já bebi o dobro dele e ainda estou fixe!

É claro que o “estar fixe” passava por mal conseguir mater os olhos abertos ou, mais difícil ainda, em soletrar o termo “estar fixe” inteiro e de seguida. Bem, de certeza que a senhora deputada, numa noite de sexta-feira, comemorando ainda as entradas em 2013, também terá dito “estou fixe”.

Bem, vindo de uma deputada do PS, o “estou fixe” nem é uma originalidade relacionada com um estado mais ou menos alcoolizado. Afinal, o termo “fixe” associado ao PS já vem de longe.

Querendo matar mágoas pela entrada em 2013, ou querendo comemorá-la, uma vez que 2013 poderá ser o ano de retorno do PS ao poder, a verdade é que esta representante do povo português, olhando para o estado do país e para o desvario deste (des) governo, poderá ter pensado que, mesmo estando com 2,4 g/l de taxa, o seu estado era perfeitamente aceitável para conduzir um automóvel. Na realidade, há quem conduza um país inteiro aparentando um estado bem pior! Ah! E não são autuados pela PSP, nem incriminados pelo Ministério Público. O que não deixa de ser um mistério, reconheçamos.

Mas voltando ao início. Como dizia, o que mais me suscita apreensão nesta informação, não é a capacidade da Deputada Glória Araújo para se manter na estrada (não se esqueçam que as auto-estradas têm três faixas de rodagem, a senhora só tinha de acertar na do meio, em caso de dúvida). A mim, modesto membro da classe a que chamamos de “povo”, emérito anónimo “blogonauta”, o que me gera realmente apreensão é o seguinte facto: quando realizei uma pesquisa no Google com o termo “deputada Gloria Araújo” tive uma grande surpresa (ou não).

Pensam que o que apareceu no Google foram os projectos de lei, as comissões parlamentares, as “célebre intervenções” no hemiciclo, as polémicas politicas, a diatribes republicanas, as acções politicas na sua terra natal, na sua região, no seu distrito?

Não, o que apareceu, pelo menos, nas primeiras 12 páginas (12!) foram chamadas relacionadas com a taxa de alcoolémia da senhora. Foi a multa, a coima, a imunidade, o levantamento da imunidade, a queixa-crime, a ética parlamentar. Tudo o que vi, nas páginas que abri até me chatear de procurar por algo mais, foi o que está relacionado com o desvario da senhora.

Ora, isto para mim é muito grave, por fazer-me levantar um conjunto de suposições nada abonatórias para a carreira de deputada:

  • A senhora deputada para aparecer na ribalta nacional teve de cometer um desvario que, por mais comum que seja, não chega para nos tornar deputados;
  • A senhora deputada, à primeira vista, para além do desvario que cometeu, não se lhe conhece outros actos que não o desvario em causa, o que pode revelar bastante para efeitos da exigência para se chegar ao mais alto cargo da nação (supostamente);
  • A senhora deputada, mesmo depois do desvario, não teve nenhum acto que, pela sua idoneidade politica pudesse, ao menos, capitalizar para amenizar o impacto do seu desvario;
  • Mesmo na imprensa local, sempre tão ávida de publicitar a intervenção dos representantes da terra em órgãos de soberania, a senhora deputada o que consegue é, tão só e apenas, aparecer por causa do seu desvario;
  • Não aparece, nas primeiras 12 páginas do Google, nenhum emérito político da nossa praça (o que significa…o que significa!) a defender a honra da senhora deputada, por que ela vale por isto, ou fez aquilo;
  • De toda a actividade (espero que profícua) da senhora neste ano de 2013 só aparece o seu desvario, o que pode levantar dúvidas sobre a relevância das acções da senhora deputada para além do seu desvario.
Como vêem, todas as assumpções que faço a partir da pesquisa que efectuei no Google com o termo “deputada Glória Araújo” (deputada!), não me aparece, nas primeiras 12 páginas, algo de abonatório da sua acção enquanto deputada.

Isto quer dizer que nada possa dizer em defesa da senhora deputada? Posso, claro que posso:

  • Não aparece nada sobre a sua carreira de deputada. Nada! Já não é como outros…relativamente aos quais aparecem coisas bem piores do que o desvario alcoólico da senhora deputada;
  • Uma pessoa bebe um copo e aparecem (pelo menos) 12 páginas de chamadas sobre a sua bebedeira. Outros ganham comissões em submarinos, cometem fraudes no BPN, “oferecem” as nossas empresas aos seus amigos, apropriam-se do erário publico, traficam influências prejudicando o país, e se o colocarmos no Google, não aparecem de certeza as primeiras 12 páginas sobre isso. Portanto, o seu crime nem é o pior;
  • A comunicação social é tão reles que, em vez de investigar os problemas relacionados com corrupção, tráfico de influências, peculato, entre outros, anda a noticiar sobre problemas do foro pessoal de cada um.
É, pode defender-se a senhora deputada, pelo menos por comparação!


Sindroma de Estocolmo? Não será de Berlim? Ou de Bruxelas? Ou de Nova Iorque?

Imaginem um sequestrador que nos empurra para um qualquer canto subterrâneo, escuro, isolado, afastado. Imaginem que os dias, as semanas, os meses e os anos passam lenta e amarguradamente. Imaginem a voz, o cheiro, a sombra e o olhar do agressor, presentes em repetidos reencontros totalmente despidos de emoção, compaixão, fraternidade ou, simples respeita pela comum condição humana. Imaginem que ao desespero dos primeiros dias, se segue o cansaço e o esgotamento dos seguintes. Imaginem o terror transformado em suspense, por sua vez transformado em indiferença.

Esta poderia ser a estória de um qualquer sequestrado. Trágica o suficiente para nos fazer pensar, quase subconsciente, numa saída, numa fuga, numa alternativa.  Bastaria encher a estória de detalhes relacionais, individuais e materiais diversos, para que todos nós, muito humana e institivamente, iniciássemos um périplo mental preconizador de uma possibilidade de fuga, por muito ínfima que fosse. E porquê? Porque a necessidade de fuga ao agressor e a necessidade de luta, quando esta se torna a ultima das alternativas perante o encurralamento, constituem comportamentos reflexivos típicos de todos os animais. Uns enfrentam o agressor, outros engendram hipóteses de fuga, mas nenhum, que eu conheça, se entrega ao conformismo.

Ora, esta entrega ao conformismo já será, em si mesmo, uma tragédia, por representar a desistência da luta contra o agressor, bem como, a desistência da luta (física ou mental) como forma de se atingir uma realidade material alternativa. Contudo, mais trágica ainda se torna a situação quando, sequencialmente, a vítima em causa se afeiçoa, nos mais diversos graus da afeição, ao agressor.

O que de mais insidioso se pode imaginar do que uma vítima de sequestro, por falta de esperança e perspectivas de vida e/ou mudança acabar por se afeiçoar a quem lhe perpetra a agressão? Este constitui, sem dúvida, o mais trágico dos paradoxos humanos. Representa o despir de toda a dignidade, amor-próprio, individualidade e auto estima. Representa o abandono da luta por algo de diferente. Representa a conformação subconsciente com uma determinada fonte de agressão. 

Daí que, psicologicamente se classifique esta tragédia humana como algo de patológico. Quem pode muito bem tratar-se de um Sindroma. Neste caso, provavelmente, o Sindroma de Estocolmo. Mais patológica se tornaria ainda a situação se, de repente, a vitima passasse a desejar a agressão. Quase como, para colocar um fim ao sequestro, desejar um novo sequestro, numa repetição interminável de fugas à agressão que mais não seriam do que repetições da agressão anterior e que, perante a doença, a vitima passasse mesmo a não desejar o fim das mesmas. Ou seja, não apenas se conformava com a ausência de alternativa como, passaria a ver na ausência de alternativa a verdadeira e única alternativa! Já pensaram em algo mais doentio, paradoxal e insidioso?

Infelizmente, esta tragédia humana, enquanto comportamento disfuncional, é facilmente subsumível a muitas outras realidades humanas, individuais e colectivas. Vejamos como.

Os PIGS (Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha) encontravam-se, economicamente, desprotegidos e inseguros face à agressiva economia especulativa global. Em virtude dessa desprotecção, as suas economias foram alvo das mais diversas acções de aproveitamento da sua situação, nomeadamente, ataques às suas finanças públicas.

Numa lógica de fuga ao agressor, neste caso, já numa situação de doentia predisponência ao sindroma de Estocolmo, pois os nossos governantes possuem uma admiração profunda pelos agressores (os “MERCADOS”, os “INVESTIDORES”, os “EMPREENDEDORES”…), estes senhores procuraram fugir para uma classe de agressores, na sua óptica, menos “agressivos”. É claro que, mais uma vez, os nossos (des)governantes mostraram à partida a sua predisponência  para com a contracção da doença Sindroma de Estocolmo. Pois, à partida, todos simpatizavam demasiado com os agressores, neste caso o FMI, BCE e CE. Então, estes senhores, supostamente democráticos governantes, desejaram entrar numa lógica de sujeição interminável, inequívoca e perpétua à agressão exterior.

Mais grave se torna quando, estes senhores, não se limitando a padecerem eles próprios da doença, tentam, por todos os meios que lhes são possíveis (e que são muitos, desde a comunicação social, à manipulação da justiça) submeter os outros à sua macacoa.

Ora, estes senhores, perante a agressão dos seus deuses, qual a alternativa que preconizam? Uma agressão ainda maior. Se o país está mal por causa dos especuladores, vamos dar-lhe com mais especulação ainda. Se o pais está mal por falta de investimento nas pessoas? Vamos desinvestir mais ainda. Se o país está mal porque a austeridade é enorme? Demos-lhe com mais austeridade ainda. E, assim, fazem suceder sobre o seu país e sobre o povo que, supostamente, os elegeu, uma continuidade interminável de agressões, tipologicamente iguais, mas cada vez mais profundas e incisivas. Ou seja, para esta gentalha, a alternativa à agressão passou a ser…a própria agressão!

É curioso que, no entanto, subsistem um conjunto de seres que, muito saudável, natural e humanamente, tentam encontrar alternativas de fuga e luta ao agressor. Daquelas que implicam a sua destruição ou, pelo menos, a não submissão aos seus efeitos. Este comportamento é, aliás, o verdadeiro motor da história, subjacente à luta de classes, do progresso e até, da sobrevivência das espécies. Imaginem que os escravos em vez de se libertarem, teriam preferido continuar como estavam (aliás, os doutrinados economicistas da altura defendiam a escravatura porque era economicamente importante, portanto, não se podia acabar com ela)? Imaginem que os burgueses do século XV e XVI, sem vez de terem combatido o feudalismo se tivessem entregado às guilhotinas monárquicas? Imaginem os operários do século XVIII que, saídos da revolução industrial, deram em criar partidos, sindicatos, conquistando uma qualidade de vida sem precedentes, imaginem que este se tinham entregado apenas e tão só à desumanidade laboral que o capital lhes queria impor?Imaginem que Portugal não se tinha tornado independente porque Castela era maior e mais rica? Imaginem que não se tinha derrubado a ditadura, porque eles eram mais fortes? Bem, esta ultima é, precisamente, uma das razões da agressão!

Quer esta escumalha neo-liberal queira, quer não queira, está na natureza da vida a luta por alternativas de sobrevivência. Aliás, diria mesmo, o que faz a vida ser tão bela e preciosa é a capacidade que a natureza tem de, perante todas as ameaças de morte e destruição, encontrar sempre o caminho da sua afirmação e salvação, produzindo as roturas e as revoluções necessárias à sua sobrevivência.

E vêm agora estes ditadores argentaristas, uns doentes do sindroma de Berlim, Bruxelas e Nova Iorque, originariamente desistentes do progresso e da evolução, procurar estender a sua insana patologia a todo o país?

É claro que, no meio destes animais, temos diversos graus e espécies patológicas. Uns são masoquistas, nomeadamente aqueles que sofrendo a agressão no pelo, julgam que a mesma é boa e sabe bem. Outros são Sado-masoquistas. Gostam da agressão, gostam da dor que provoca mas querem-na estender a todos nós, para se excitarem enquanto nos vêem sofrer. Também temos os fetichistas Sádicos. Não sentem qualquer efeito da agressão, contudo, a sua homo e sócio fobia são tão grandes que, por razões diversas, gostam e querem ver os outros sofrer. Outros são sofredores do Sindroma de Estocolmo. Apaixonaram-se perdidamente pelos agressores.

Podem passar um bocado a pensar onde enquadrar gente como o Luís Delgado (e a sua raiva primordial a tudo o que está à sua esquerda, o que não quer dizer que seja de esquerda), o Camilo Lourenço (neo-liberal romântico e empedernido) ou até o Ministro das Finanças (menino de mão do agressor). Todos eles se enquadram nalguma das categorias anteriores, mas todos eles têm algo em comum. Nãos e contentam em serem eles os agredidos. Querem-nos todos a sofrer. Querem-nos todos caladinhos. Querem-nos todos apaixonados pelos agressores que, para eles, era ou se tornaram deuses (a Troika, os mercados, os investidores…). Querem que todos nós nos dispamos da nossa humanidade e da nossa natural tendência para a evolução e sobrevivência.

Não vos chega serem doentes sozinhos?


Seus…Sindrominados




1.500.000.000 de Euros!

Tentem lá dizer este número. Conseguem? E agora tentem pensar o que significa este dinheiro em termos de riqueza. Imaginem-se detentores de tal liquidez. Imaginem quantas reformas, subsídios de desemprego, rendimentos de inserção, entre outras prestações sociais, nãos e pagariam com tal montante. Imaginem um investimento desta monta em educação, saúde, combate à corrupção e ao tráfico de influências, justiça, apoio à investigação, apoio às exportações…Imaginem só, e apenas imaginando! Porque para o nosso governo todas estas despesas constituem custo sem retorno, desinvestimentos, fundos perdidos e, em suma, dinheiro público mal gasto, dispendido de forma improdutiva, o qual uma economia débil não se pode dar a luxo de sustentar,

Pois é…por muito dinheiro que seja, para nós, portugueses, pelos vistos, não é nada! Afinal, trata-se da mesma quantia que Américo Amorim contraiu de empréstimo ao BPN (antes da derrocada) e que lhe permitiu entrar na lista da Forbes. Trata-se de um quarto da quantia que despendemos com o BPN que, mais tarde foi reprivatizado pela módica quantia de 40.000.000 de Euros (aliás, sobre isto, posso contar-vos um episódio tragicamente caricato, pois na Finlândia contei isto a vários escandinavos e eles riram-se…acho que nem acreditaram em mim).

Mas esta quantia corresponde, mais ou menos, ao corte que o governo fez na educação, no orçamento de 2011. Trata-se, mais ou menos, da quantia compensatória que teremos de pagar às PPP’s que o governo não “pode” renegociar. Trata-se também de uma ínfima parte dos milhares de milhões de juros que teremos de pagar à Troika pela extorsão de que somos alvo. Trata-se, também, da quantia que não cobrámos de IRC quando o principal accionista da PT, aquando da venda da Vivo, não pagou o imposto em causa.

Enfim, como se vê, esta quantia para um país como o nosso, não é nada. E tão pouco é que, o governo des”troikador” que temos no poder, se permitiu gastar este montante em aplicações financeiras ruinosas. E sabem de onde é que este dinheiro surgiu? Do fundo de reserva da Segurança Social. Ou seja, foi o dinheiro dos trabalhadores que estes marginais e indigentes, deram de mão beijada aos amigos glutões, não de sujidade, mas de dinheiro.

Agora vejam bem, o governo há uns meses emitiu uma directriz autorizando o gestor do Fundo de reserva da Segurança Social a comprar todo o lixo da banca e, como rapaz bem mandado, o que fez este senhor? Estourou 8% das nossas contribuições que estão no fundo de reserva, em lixo económico digital a que a máfia financeira chama de “activos financeiros”. Agora viram-se que era activos tóxicos. Uma espécie de alimento estragado que, para além de não alimentar, ainda provoca doenças. 

Pois é, o lixo digital a que a máfia mercantil chama de “activos” e que justifica que bancos com tantos lucros estejam sempre a necessitar que o estado lhes dê a mão, tem uma origem engraçada…um bocado como a história da mosca e da m****. É que este lixo digital é o dejecto que atrai as moscas imundas que se auto denominam de governantes responsáveis, capitalistas, financeiros, investidores, empresários, empreendedores e credores do Olimpo mercantil actual.

E estes insectos imundos, cuja utilidade é menor do que a das moscas, pois estas ao menos podem servir-nos para a distracção de as andarmos a perseguir com um mata moscas, insistem em estragar o nosso pão. Insistem em consumi-lo e/ou degradá-lo. Subtraem-nos a matéria orgânica limpa e transformam-na em lixo digital sem prazo de validade. E mais, depois é ouvi-los a dizer, constantemente, que o estado é que é o papão.

Arre…alguém tem aí um mata moscas?

Não? Pode ser shelltox.

P.S. Onde andam os advogados, juízes, magistrados, juristas, procuradores e outros seres que não querendo fazer parte do enxame, venham exigir a justiça aplicável a estas situações? Onde andam eles? Será que neste pais se pode continuar a ser corrupto, negligente ou doloso, burlão, aldrabão, em que nada suceda?

Autoflagelação

Este governo deve gostar mesmo muito da Troika. Será por paixão? Não, porque nesta troika não anda lá ninguém bonito e onde mete dinheiro, não se mete paixão. Afinal, se a troika é amiga...amigos, amigos...negócios à parte. Portanto, só podem ser os negócios a razão de tanta paixão pela troika. Afinal, já o governo disse várias vezes que queria criar em Portugal um bom ambiente de negócios. E quem diz de negócios, diz de negociata.

A verdade é que, seja por uma ou outra razão, e vindo de quem vem, essa razão não pode ser boa, a paixão, o bem querer, a atracção e o magnetismo deste governo pela troika é enorme. Da fase do menino bem comportado, que tudo fazia, obedecendo cegamente às ordens ditadas, este governo passou à atitude proactiva do amante que quer provocar um encontro forçado, parecendo que foi por acaso.

Conhecem aquela história do gajo que vai ao médico, e vendo que se tratava de uma médica, e que médica, pensou logo em como conseguir repetir aquela consulta mais vezes. E então, passou, ele próprio a garantir que estava permanentemente doente.

Ora, este governo já está num estado tal de perdição amorosa que, faz o mesmo com o país. Senão vejamos:

1. Desce a TSU às empresas para as libertar de custos, mas sobe-a aos trabalhadores que, com menos salário deixam de consumir os bens das empresas o que, lhes torna todo e qualquer custo (alto ou baixo) insuportável. Que auto-facada tão bem dada na nossa economia!

2. O Ministro das finanças diz que quer combater o desemprego e então, como acha que o caminho é conter a despesa do estado, impede a abertura de novos cursos ao IEFP, colocando milhares de formadores no desemprego. Conclusão, tem de pagar mais subsídios de desemprego, para além de ter de manter o IEFP a funcionar mas, sem fazer nada. Combate desemprego com mais desemprego ainda e contém despesa, aumentando a despesa. Beber veneno não daria melhor efeito!

3. Diz que em Portugal há muito desemprego e é preciso segurar o emprego que existe, mas altera o código do trabalho facilitando os despedimentos. Que g'anda cabeçada!

Enfim, poderíamos continuar por ai fora o manancial de autoflagelação que me leva a dizer que o governo quer tanto a troika que, com medo que ela se vá embora, trata de boicotar a sua própria acção. Cria as medidas e as contra-medidas.

É um problema de dinheiro, dizem, há negócios e esquemas em funcionamento que justificam a paixão em causa. Mas...não será também incompetência?

Até quando vamos continuar a assistir a isto?

Liberdade/igualdade - uma equação difícil?

Um dos maiores dilemas das sociedades democráticas é o seguinte: Como e quando atingimos o justo equilíbrio entre liberdade e igualdade?

Se por um lado, a democracia não sobrevive sem liberdade, individual e colectiva, pois sem ela, a nossa opinião, postura, opções, expressões, pensamentos e acções poderiam, inevitavelmente, entrar no domínio do delito, por outro lado, sem igualdade, também não se garantem um conjunto, fundamental e essencial, de oportunidades que, a não existirem, impedem o pleno exercício da liberdade individual e, numa outra fase, colectiva.

De que me vale ter muita liberdade de acção se, estiver dependente de alguém por razões de subsistência? De que me vale ter muita liberdade de acção se, por não ter educação, desconhecer as oportunidades que a sociedade me proporciona? De que me vale poder emitir a minha opinião livremente se dependo de alguém que não me permite exprimi-la? De que me vale ter liberdade e escolher os meus tratamentos de saúde se, os hospitais forem todos caríssimos e só me sobra dinheiro para ir aos maus? De que me vale ter liberdade de escolher as melhores escolas se, por não ter dinheiro ou, por o estado não assumir as suas obrigações colectivas, não me for possível outra solução que a de não estudar?

Como podemos ver, facilmente podemos constatar que, sem determinadas condições garantísticas de igualdade de oportunidade, faltar-nos-ão as condições básicas de exercício da mesma. Ou seja, liberdade sem igualdade, seria como termos um automóvel sem gasolina ou...um país muito bonito e bom, mas sem governo.

Por outro lado, também não pode ser tudo igualdade, ao ponto de entrarmos no igualitarismo e na sua uniformização. Tal provocaria o final da diversidade, da pluralidade e da...liberdade. Se a liberdade não funciona sem a igualdade, a igualdade também não funcionaria sem a liberdade. E é aqui que entramos numa equação complexa, a qual só a democracia pode resolver.

E é aqui que entronca o nosso problema colectivo. Temos um governo que acha que a liberdade é mais importante que a democracia. Mas, o problema é que, é através da democracia que se equilibra a equação entre liberdade/igualdade (qual o peso de uma e de outra em cada momento). Ora, para o governo (leia-se: governos), a sua liberdade de mentir descaradamente, a liberdade de provocar problemas sociais que afectam uma liberdade em igualdade de circunstâncias para todos, a liberdade de transferir dinheiro dos pobres para os ricos, a liberdade de dar liberdade aos ricos para serem mais ricos à conta dos pobres, para este governo (leia-se: governos), a liberdade é mais importante do que a democracia. Sabem porquê, porque a democracia assenta, primeiro que tudo, em conceitos de igualdade, na igualdade entre todos, o que, por assim ser, legitima uma igual liberdade para todos. Portanto, na equação, a igualdade teria sempre de vir primeiro. Mas há um problema...este governo é liberal. E isso é diferente de se ser democrático. Já verão porquê.

Contudo, será que, mesmo teoricamente, há alguma liberdade que não tenha um fundo democrático?

Haver há. Mas não para todos. O que fere de morte qualquer ideia democrática. E é aqui que falha a legitimidade democrática deste governo e deste sistema. É que, quando esta gente acredita que a sua liberdade é o mais importante, mais importante do que a liberdade dos demais (essa liberdade que resulta do estatuto de igualdade), sabem o que acontece? Acontece que, como governo burguês, num estado de natureza burguesa, a liberdade é acima de tudo económica. Os burgueses ficam com a liberdade de serem cada vez mais ricos. Ora, num estado assumidamente "capitalista", a liberdade compra-se com dinheiro, logo, os ricos são livres. E os pobres?

Os pobres, como não podem comprar com capital a liberdade de oportunidades que este pode conferir, resta-lhe apenas o igualitarismo a que os ricos os submetem, o de continuarem pobres, ou seja, como não podem comprar a liberdade, de decidir, de mandar no governo (porque a democracia não existe), de influenciar na comunicação social ou de se fazerem notar, resta-lhes apenas a liberdade de serem igualmente pobres. Isto porque falta o contrapeso que poderia impor a igualdade a uns e distribuir a liberdade pelos outros, ou seja, falta a democracia. Que tal conquistá-la já no dia 29? Afinal no dia 15 eles abanaram...ou não?

Também queremos a liberdade...
O Preço da Liberdade!

Hoje de manhã, na SIC Notícias (passe a pub.), uma jornalista (uma tal de Ana Sofia) do expresso/exame, que tem realizado os comentários da manhã, afectou-me profunda e irremediavelmente o me pequeno almoço. 

Está bom de ver porque é que esta Ana Sofia ali está. O seu tacto politico é tão diminuto e o seu nível de doutrinação hiper-liberal, tão elevado que, à partida terão funcionado como os critérios primários da avaliação da sua capacidade televisiva. A falta de coerência, de acuidade e sabedoria dos seus comentários, não me deixa margem para a identificação de outras possíveis qualidades, a não ser...ah, o trabalhar muito. Provavelmente, como qualquer versão light e plástica do yuppie hiper-liberal (que muitas vezes nem sabe que o é), não tem família e trabalha 18 horas por dia. Mais ou menos como as olheiras do ministro das finanças, estão a ver? De humanidade, não sobra nada.

Mas, o que dizia, tão eminente "comentadeira" (uma espécie de comentadora com peixeira que vende "banha da cobra")?  Ah! Só mais uma coisinha...os seus comentários são sobre...Direito? não! Sociedade? Não! Justiça? Não! Medicina? Não! São sobre ECONOMIA! trata-se de uma homoeconomicus.

E dizia a "comentadeira" que os mercados (se fosse ela teria colocado um "M" e não um "m") da dívida secundária penalizaram Portugal. Na zona Euro, ontem, Portugal foi o único país cuja taxa de juro subiu. E porquê? Por causa da contestação! Ora Essa. Afinal a resposta é tão fácil!

Ah...Então mas e os juros da Espanha? E da Grécia? também desceram por causa da contestação? Perguntaria eu. O "jornaleiro" de serviço não teve tanta coragem. Até porque ela responderia, talvez, apenas talvez: "Não, Não foi por causa da contestação porque a contestação que faz subir os juros da dívida secundária é a Portuguesa. A contestação Grega, Espanhola, fá-los baixar".

O que interessa é o seguinte. Se para tão eminente cabecinha, a contestação portuguesa faz subir os juros dos mercados (para ela com "M"), então o problema está no tipo de contestação. Temos de passar a contestar como os gregos e os espanhóis. Ou seja...à bomba e à pancada. Será isso?

Por outro lado, vem-me à memória as alturas em que o desgoverno em vigor, aplicava medidas de austeridade com muito menos contestação e, voilá, os juros subiam na mesma. Sim...mesmo quando o PS aprovou o OE de 2012, as alterações ao Código Laboral, ou o plano da Troika. Os juros, secundários, subiram sempre. Pois...faltou a tal contestação à espanhola e à grega!

Isto quer dizer que temos de continuar a endurecer a luta e a contestação. Endurecer!

Até para responder a outra coisa. Disse a "comentadeira" que  os mercados (com "M") e os investidores (com "I") reagem muito mal a estas coisas. Estas crises politicas, estes ambientes de conflito social...trazem muitos problemas. E ela acrescentava: "a subida da TSU é muito má, mas a quedo do governo seria muito pior". Que os Mercados nos protejam de todo o mal e iniquidade! Acrescentaria eu.

Quem é ela para fazer um juízo deste tipo? A quem é que ela perguntou o que seria melhor? Quem é que a legitima e que estudo científico diz que ela tem razão? Então, para esta gentalha, o totalitarismo do mercado é melhor que a soberania da liberdade? do que o juízo da democracia? Então esta gentalha, que se diz democrática, apoiam o totalitarismo mercantil, cujos ditames e cânones lhes indicam que, perante a crise, a discórdia e o conflito, mais vale calarmos-nos, senão a ira divina será implacável?

Em que período da história o povo preferiu a normalidade da opressão totalitária, à indefinição libertária que  a democracia traz? Em que período da história o povo preferiu as amarras de um pensamento único ao voo da imaginação que só a liberdade comporta? Quando é que eles escolheram o silêncio ao grito? Nunca!

E não será desta vez. Nãos será desta vez que os doutrinários do totalitarismo "argentocrático" ganharão. Não ganharam quando era senhores feudais. Não ganharam quando eram nobres e monarcas. Não ganharão enquanto burgueses! A história é das massas...será sempre!

Senhores "Comentadeiros", estaremos sempre disponíveis para pagar o preço da liberdade, colectiva e individual, da nossa soberania e da nossa democracia. Sempre! E vocês, demónios do "Mercado", deviam agradecer-nos por terem a vida que têm hoje e por poderem estar na TV a dizer tais barbaridades. Se fosse a nossa luta, ainda hoje não teria havido revolução francesa e vocês, burguesia, não governariam.

Deixem-se de inculturas próprias de quem só vê números e aprendam história. Quem não conhece o seu passado, não consegue perceber o seu presente e muito menos antever o seu futuro! A luta continua e continuará sempre!