ValorSul ou valor sem norte?

Ontem desloquei-me à ValorSul SA, incineradora de S. João da Talha. Ainda me lembro, em miúdo, da discussão que foi a instalação desta incineradora, neste local. Independentemente das vantagens ou desvantagens da operação, o que reclamou a minha atenção foi um facto de outra ordem. De um ordem superior.

A ValorSul SA labora com 50 trabalhadores (mais coisa, menos coisa). Sabem quantos directores tem? Poderia enviar-vos ao site Internet, para observarem por vocês mesmos, no majestoso organigrama, a que ponto pode chegar a lata, falta de vergonha e desrespeito pelo erário público. Mas poupo-vos o serviço. A ValorSul SA tem, nada mais, nada menos que 15 directores e um director geral. Acima está ainda, esse mesmo, o conselho de administração, que deve contar com mais uns quantos iluminados, todos pagos a peso de ouro, ou antes, de platina. Agora vejam bem, 50 trabalhadores e 15 directores, 15!. Sem contar com o resto da maralha.

Mas posso-vos ainda acrescentar o seguinte, a ValorSul tem os seus 50 trabalhadores divididos em equipas de 10, cada uma delas com um turno diferente. Assim, temos que, por turno, arriscamo-nos a ter 25 a 30 pessoas na empresa, e mais de metade são directores.

Ah, produtividade! Mas mais…querem reduzir o n.º de trabalhadores. E mais, alguns do que lá estão, para actividades de manutenção, etc, estão em regime de outsorcing. Até se fala em substituir, a equipa que controla a entrada dos camiões de lixo, por securitas. OU seja, o dia em que os directores se atropelarão e serão em número esmagador, está próximo.

Sabem que mais, todos têm direito a carro, telemóvel, salário chorudo e tudo mais. Quem paga isto tudo?

Pois é, não é o ser público que está mal, o que está mal é a clientela destes vampiros que reclama alimentação. E não é de pão que falamos, é de caviar.

Depois reduzem salários aos funcionários públicos e dizem que esta é a única solução possível. Está-se mesmo a ver. Que tal começar por aqui? Não? Pois…é mais fácil começar pelos mais fracos. Onde é que eu já vi isto?


Hugo Dionísio 
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