EUA e ONG's: o "soft power" após o "hard power" das bombas



 Os EUA são o país do mundo que mais dinheiro gasta em ONG's. São também, o país do mundo que mais gasta em política externa, armamento, espionagem, vigilância, compra de informações e metadados. Qual o papel de organizações como a USAID, NED, Clinto Foundation, World Bank, Freedom House ou OXFAM, para a prossecução dos interesses imperiais no mundo? Uma foto do comandante do ISIS (Islamic State of Iraq al-Sham) numa tenda da USAID, durante a guerra na Siria e da recente ocupação - "consentida" - do Iraque, pode ajudar a perceber melhor, o recurso a esta dimensão "social" da estratégia de poder imperial e global dos EUA - talvez, o  mais vasto império da história humana!


USAID e ISIS - faces da mesma moeda

 Se dúvidas haviam sobre o carácter, natureza e papel que as ONG’s possuem para os EUA, a foto aqui apresentada e divulgada pelo Global Research, tira todas as dúvidas.




A comunicação social corporativa e pró imperialista bem tenta, de forma desesperadamente repetitiva, destacar e distanciar os acontecimentos do Iraque e da Síria, enquanto resultados concretos das políticas norte americanas naquela região do globo. Quem os ouvir, até parece que os EUA estão preocupados com o grupo terrorista em questão e com a sua razia no Iraque.

A verdade é que o ISIS (Islamic State of Iraq and al-Sham), movimento extremista religioso (com ligações comprovadas à Al-qaeda), apoiado pelo governo de Obama na sua investida contra a Siria, surge agora mais reforçado do que nunca, dando corpo à estratégia que se antevia desde o início. Tudo passa sempre pelo petróleo e pelo domínio do “ouro negro”.

Mas a questão que eu queria aqui colocar é a seguinte: Que interesses servem estas ONG’s, agora apelidadas de “Soft Powers”? Será que servem os interesses daqueles que os seus nomes deixam antever?Será que estão cá para ajudar? Ou são braços "civis" de estratégias de domínio territorial e das massas?

As ONG's enquanto pontas-de-lança "civis de intervenções militares

Esta foto em que Muhajireen Kavkaz wa Sham, comandante do ISIS aparece numa tenda do USAID, traz a colação as seguintes questiúnculas (para a comunicação social corporativa, sem importância alguma):

  • A importância estratégica do ISIS é tão grande que os EUA colocam o seu enorme exército de “soft power” (depois do “hard power” das bombas) nas suas mãos;
  • Comprova-se o papel “imperialista” destas ONG’s, espécie de braço “civil” das estratégias militares dos EUA;
  • Para estas ONG’s os princípios que dizem proteger são tão desinteressantes quanto o são, as vítimas de gás sarin Saudita, para a comunicação social corporativa ocidental (com excepção da BBC e da RT News);
  • A conglomeração, de diversas “camadas” de poder, demonstra as quão intrincadas estratégias de domínio norte Americanas;
  • O apoio dos poderes Americanos a organizações extremistas, pró-terroristas, demonstra que este clamor anti-terrorista não passa de “fogo de artificio” para “papalvo” admirar.

Dimensões do domínio imperial

A estratégia de domínio mundial imposta pelos EUA e estados “coligados/ocupados”, estabelece-se em diversas dimensões de poder, como sucede, aliás, com qualquer estratégia de poder imperial:

  • Dimensão militar
Esta continua a constituir a mais importante dimensão de poder. O poder de impor a vontade, pela força, pela agressão e pela opressão, continua a depender do poder militar. Por outro lado, a capacidade de persuasão, sugestão e dissuasão, não deixam de constituir importantes efeitos do poder militar.

De entre estados ocupados à força (Afeganistão, Iraque…), a estados ocupados por decisão “bilateral” (mais de 1000 bases, móveis e fixas, em todo o mundo, mais de 300 na Europa), passando por cedências, trocas e prestações de serviço, variadas são as formas de presença militar Americana em todo o mundo.

A NATO assume aqui um papel primordial. Com o fim do bloco Socialista, era de supor que a NATO acabasse. Porque não acabou? Porque o seu papel político-militar continua a válido para os EUA.

Contudo, esta dimensão militar, é cada vez mais multifacetada. De milícias armadas designadas como “movimentos rebeldes”, a empresas de mercenários designadas como “security corporations”, tudo vale para impor a força. 

Todos os impérios têm as suas legiões e os seus corpos militares simbólicos (as SS, a Legião de Honra, a guarda pretoriana, a Guarda Nacional, os Marines...).

  • A dimensão política
 A dimensão militar abre portas à dimensão política. Coligações para invadir estados soberanos, recursos a “aliados” políticos para que se calem quando necessário e falem quando requerido.

A exportação de modelos “democráticos” ultra liberais; a fiscalização de actos eleitorais; a assessoria técnico-política na estruturação de governos; a montagem de redes politicas, tratados, dependências, etc., traduzem a importância da máquina política na afirmação do poder imperial.

A verdade é que a utilização de termos como “liberdade”, “democracia”; “independência”, “direitos humanos”, passaram a significar “regime liberal” baseado na extorsão, corrupção, pilhagem de recursos e exploração desenfreada do povo. Nenhum país gasta tanto em embaixadores, financiamento de partidos, de movimentos políticos e infiltração de agentes em “covert operations” como os EUA.Os Romanos e os Gregos também levavam a "civilização" aos bárbaros.

A ONU, sediada em Nova Iorque, surge como um importantíssimo instrumento de domínio e legitimação das estratégias de poder norte Americanas.


  • A dimensão económica

Para solidificar o domínio, o controlo dos fluxos monetários é indispensável. O dólar surge como o cimento de todo um sistema assente na exploração dos países mais pobres. O controlo da moeda tem a ver com o controlo dos preços, dos câmbios, etc. Mas tem também a ver com especulação. Mercados energéticos, financeiros e de mercadorias, tudo indexado em dólar. A moeda ao serviço do saque.

Desde os paraísos fiscais, às multinacionais, aos Hedge Funds, tudo passa por dominar economicamente. A capacidade para impor sanções económicas e vetar povos à miséria, constitui, nos dias de hoje, uma das armas de arremesso mais importantes. Cuba que o diga.

O Banco Mundial, o FMI e o Comité de Brenton Woods, a reserva Federal, entre outras, são instrumentos fundamentais desta política ultra-liberal e de cariz neo-conservador.

Hoje em dia, a grande ameaça é o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership). Este tratado controlado pelo Banco Mundial, negociado em segredo entre a EU e os EUA, será mais uma razia para países como o nosso. Depois venham dizer: “não se previa”; “não se sabia”…

Numa fase em que a adesão da EU a este tratado deveria ser alvo de grande participação e esclarecimento, o que encontramos é propaganda, no site da União Europeia: http://ec.europa.eu/trade/policy/in-focus/ttip/ . Chegam ao ponto de dizer que o TTIP promove e protege o “direito dos governos Europeus a regularem os serviços de saúde”; “protecção de serviços públicos no TTIP; “ajudar as PME’s”…  Alguém acredita que a potencia ultra-liberal que os EUA são, que as suas Corporações da saúde, da finança, da educação, da energia, ou que, os Belmiros deste mundo, que estão por detrás deste tratado, estão preocupados com as PME?

  • A dimensão cultural

A apresentação dos EUA como “a terra prometida”, “o sonho americano”, “o mundo livre”, tem enorme importância na manipulação dos povos.

A comunicação social tem um papel enormíssimo nesta questão. As maiores redes de TV, os maiores portais (facebook, google, youtube…), as maiores agências noticiosas, todas trabalham em nome de um mesmo conceito.

Desde a manipulação de massas, à espionagem de “metadados”, todas estas redes sociais, redes comunicacionais, são indispensáveis para o controlo do Emissor, do Receptor e, inclusive, do Feedback.

  • A dimensão social

A história da ex-Juguslávia, da “ex-Ucrânia”, de inúmeros países latino Americanos, comprova a importância estratégica de organizações como o USAID, a OXFAM Foundation, a Clinton Foundation, a DRL, a Millenium Change Corporation, a MEPI, a NED, o NDI, o “Solidarity Center”, o IFES, a Freedom House, a Eurásia Foundation, o Carter Center, o OSI, o Comité de Brenton Woods com o seu FMI e Banco Mundial.

Não é dinheiro mal gasto não senhor! O dinheiro que o congresso americano gasta em ONG’s vale cada cêntimo. O controlo das populações pela caridade é fundamental. Se depois associarmos a isto o trabalho dos Greenpeace’s deste mundo… Até parece que os EUA se preocupam muito com o planeta.

Imaginem o efeito propagandístico de uma ONG que mata a fome a um depauperado africano, americano, ou europeu. Imaginem o efeito deste simples acto perante pessoas sem qualquer sentido crítico.

A verdade é que os EUA são o país que mais gasta (proporcionalmente falando) em: armas; ONG’s; espionagem; contra-informação; operações encobertas; vigilância; comunicação e imagem…

Tudo em nome da estratégia imperial.  Tudo em nome do domínio mundial… Da Soros Foundation, ao Bilderberg, passando pela Trilateral, G-7 ou G-20. Tudo para nos tramar…


Uma nota de rodapé:

Já antes tinha abordado esta questão: o ISIS enquanto movimento sunita, apoiado pela Arábia Saudita (outro estado pró terrorista), foi utilizado pelos EUA para fazer o trabalho suo na síria, nomeadamente, utilizando armas químicas (gás Sarin) que incriminassem o governo de Bassar al-Assad. Felizmente, a Internet e os vídeos amadores recolhidos não deixaram margem de manobra. O gás havia sido utilizado pelos “rebeldes” (se não fossem apoiados pelos EUA, adivinhem como os chamariam) e a Rússia, sabendo-o, vetou a decisão de invasão na ONU.

Mas os EUA não descansaram. Perante a ameaça Xiita no Iraque, e a influência do Irão em futuros governos Iraquianos, porque não optar por um novo califado sunita, controlado através dos sauditas, de forma a controlarem as áreas de petróleo mais importantes da Síria e do Iraque?

Isto, enquanto os Israelitas desenvolvem punições em massa, perante os inocentes civis palestinianos, tal como o faziam os… Isso mesmo, os nazis.










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