Que raio de país é este? 2




Uma das aplaudidas inovações da era Socratiana, foi a extensão do tempo de permanência na escola, por parte dos alunos da primária. A escola primária estava em crise e havia que tomar medidas. Sem dúvida, pessoalmente, considero-a uma óptima medida.

De facto, se à componente curricular, adicionarmos actividades extracurriculares como o inglês, música, apoio ao estudo, ginástica e expressões, os alunos, teoricamente, ficarão a ganhar, bem como os pais dos alunos e o país, em geral. No papel tudo parecia funcionar bem. Finalmente, parece que estávamos a fazer bem as coisas. Só que…
Neste país parece que nunca nada pode ser bem feito até ao fim. Temos óptimas ideias, que começam bem, mas inevitavelmente acabam demasiadas vezes mal. Esta é mais uma delas. E porquê?

O primeiro problema surge ao nível das infra-estruturas. É que, como sabemos, as escolas estão muito mal equipadas e como se aplicou esta medida antes da remodelação do parque escolar, o que acontece é que, muitas vezes, não existem salas de aula para desenvolver as actividades e logo, o lugar da actividade curricular é na rua…(Eu vi, com estes olhos que a terra há-de comer, não me contaram!). Inglês na rua? Deve ser para aprender a falar inglês em espaço aberto. Música na rua? Deve ser uma espécie de dança da chuva. Aliás, na aula de música, a única coisa que se faz é…cantar. Está bem, muito bem.

Mas há mais! No apoio ao estudo, umas das componentes é informática, mas só há um computador e velho. Nas expressões apreende-se a fazer aviõezinhos de papel. Pensavam que era teatro e isso…Não?

Outro dos problemas é o dos supostos animadores destas actividades. Todos jovenzinhos adolescentes muito mal pagos. O que acontece? É simples, a forma como dirigem as actividades é um atentado à pedagogia. Um aluno porta-se mal? Todos ficam de castigo, logo, assim não têm que dar aula.

Professores no desemprego e jovens mal saídos da adolescência a dar aulas? Só neste país! Será que o dinheiro que se paga aos jovenzinhos não daria para professores? O dinheiro que cabe aos jovenzinhos não...mas o dinheiro que o estado paga a intermediários para lá colocar os jovenzinhos, esse sim! Só que, neste país, nunca nada se faz por bem, nunca nenhuma medida se toma de forma desinteressada, tem de haver sempre alguém a ganhar com isso.

O que acontece é que estas actividades estão transformadas num depósito para filhos. Uma espécie de “filhão” (pegando no “pilhão” e no "velhão" dos gatos). Só lá estão aqueles que os pais não têm hipótese de colocar noutro lado. E assim, por interesses diversos, incompetências e favorecimentos, uma medida que começou bem e tudo tinha para dar certo, está cada vez mais desvirtuada e descredebilizada.

Já agora, o que tem aquele senhor da Confederação das Associações de Pais, que se anda sempre a atirar aos professores, a dizer sobre isto?

Como já alguém disse, este é um país do faz de conta. Tomam-se as medidas e faz-se de conta  de que tudo está bem.

Hugo Dionísio
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