A História do que nunca foi ou devia de ter sido

No âmbito do escândalo recente da WikiLeaks surgiu, por entre as trevas do obscurantismo imperialista, mais uma prova inequívoca da hipocrisia e cinismo que constituem a imagem de marca da actual ordem mundial.   De acordo com uma notícia divulgada neste corrente dia, na voz ambígua que por vezes é o Jornal Público, num dos mais de 250 mil documentos revelados (é engraçado como os leram e contaram tão rápido, até parece que já sabiam do que se tratava...) ressalta um dado interessante. Conforme registado num memorando da Srª Clinton (não não é sobre a Mónica...), segundo a própria, há muito a fazer-se no que respeita à Arábia Saudita pois esta "continua a ser um financiador essencial para grupos militantes islamistas como a Al-Qaeda, os taliban, o LeT e outros grupos terroristas". Mas há mais...de acordo com a própria, os Emirados Árabes Unidos (interessante a semelhante cíglica com os EUA) são "um buraco estratégico" a explorar pelos terroristas, o Qatar "é o pior da região" em termos de anti terrorismo e o Kuwait um "ponto chave de trânsito".

Não sei qual o própósito da WikiLeaks. Tratar-se-à de uma entidade com propósitos revolucionários? Tratar-se-á de uma entidade com um propósito contra-informativo, criada de propósito para nos dar a conhecer apenas o que eles querem que nós conheçamos e assim nos desmobilizarem da procura daquilo que é realmente importante? Bem, seja ele qual for, tenho receio de que a sua finalidade nada tenha de altruísta e seja apenas mais uma forma de promoção individual em que, na prática, nada de importante seja colocado em causa. Espero, pessoalmente, por documentos que coloquem em causa o próprio sistema, que o questionem e que digam que ele está errado e não se limitem, apenas, a demonstrar as virtualidades e insuficiências que todos lhe reconhecemos.

Contudo, não deixa de ser importante relembrar e demonstrar a quem tem dúvidas que este sistema está gravemente doente e é comandado por seres, das duas uma, ou mais doentes ainda, ou então, os próprios agentes de doença (parasitas, bactérias, vírus).

Um sistema que se diz democrático, cuja política é fundamentada e caracterizada por factos e conhecimentos do foro iniciático, a que nem todos podem ou conseguem aceder, cujo escrutínio é manifestamente impossível, a não ser que haja uma WikiLeaks a praticar o crime de dar a conhecer a aquilo que nunca deveria nem poderia ser desconhecido, como pode ser um sistema justo? Como pode ser democrático se o "demo" não pode exerecer a "cratia", seja por desconhecimento absoluto da realidade, seja por impossibilidade, por ausência ou insuficiência dos mecanismos própios, para o fazer?

Bem...lá saíram mais algumas verdades do limbo vacuísta para-histórico, onde muito se passa sem que se saiba nem venha a saber-se, da restrita realidade das "pretensas existências" ou das "supostas inexistências", criada por uma qualquer "inteligência", que de tão inverosimil e inalcançável, nos desarreda a todos da "sofia" que deveria ser parte integrante da "sociedade do conhecimento".

Até que se mude, vivam os arqueólogos da nova história, aquela história que "existindo", não foi feita para ser contada. Não hão-de os historiadores estar no desemprego!

Hugo Dionisio
De pensamento em pensamento, até ao esquecimento...


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