Quando o capital se junta aos Nazis... De que lado fico eu?




O que eu sei…

Primeiro era o tratado com a EU. Depois foram as manifestações em Donetsk e Kiev. Depois vieram os snipers e as barricadas, os mortos nas manifestações…Mais tarde as milícias, os hospitais de campanha e as ocupações ministeriais. A Ucrânia estava sob assalto e a confusão era enorme.

Continuou com a invasão das sedes do partido das regiões, com propostas de ilegalização do partido comunista ucraniano, bocas, ofensas e agressões aos judeus e aos ucranianos pró-russos. Continuou com o derrube das estátuas do Lenine…

Um cobarde presidente, Viktor Yanukovich, rico oligarca e corrupto, foge a sete pés e abandona o poder. Entre enviados de todo o lado menos do povo ucraniano, surge um novo governo interino, aprovado por um parlamento sob assalto armado e em estado de choque.  Este governo, composto por partidos da chamada oposição, inclui 5 Ministros de um partido de extrema-direita, o Svoboda, proveniente de uma região ocidental da Ucrânia em que metade dos votos são nazis, saudosistas dos tempos do colaboracionismo anti soviético ao lado de…Isso mesmo, Hitler.

Os Russos, ora aproveitando o pretexto para resolver a situação da Krimeia, ora preocupados com o que os Alemães e EUA tinham na manga para as suas fronteiras, decidiu intervir e apoiar os manifestantes pró-russos, que até aqui ninguém julgava existir, a não ser que estivesse com alguma atenção e conhecesse a história Ucraniana.

O governo neo-nazi, preocupado com o salvamento das aparências, decidiu não investigar o caso dos snipers. Segundo um telefonema captado pelos serviços secretos de Viktor Yanukovich, estabelecido entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Uros Paet, e a Alta representante dos Assuntos internacionais da EU, Catherine Ashton, esta gente sabia que o Svoboda era nazi, que os seus membros são bandidos e que foram eles que contrataram os snipers para incriminar o anterior governo.

Aqui está para quem quiser ouvir





Claro que isto nunca deu nas nossas notícias. Como não deu que um dos financiadores da “oposição” Ucraniana é Victor Pinchuk, oligarca do aço, que comprou a indústria nacional do aço ao seu sogro, ex-presidente Ucraniano. Gente séria, portanto. Também não se falou que este senhor Pinchuk é um dos financiadores da fundação dos Clinton e um dos principais financiadores da candidatura de Hilary Clinton à presidência dos EUA.

Também se sabe, por exemplo, que está prevista, no âmbito do acordo com a EU, uma reestruturação da economia Ucraniana, para a qual, o FMI entrará com um empréstimo nunca inferior a cem mil milhões de euros. Vendo, aqui no nosso canto, como é que é esta história dos empréstimos, das ajudas e das reestruturações…

Mas podia ainda mostrar gente como o Senador Maccain, a mesma Catherine Ashton e outros com gente do Svoboda:










Ou ainda um dos membros da Maidan brown shirts, constante das listas internacionais da Interpol por incitamento ao terrorismo (Dmitry Yarosh - centro):


Este senhor é o líder da delegação do Sector da Direita Neonazi ao Paralmento Ucraniano. É também co-fundador e amigo do lider do Partido Svoboda (nas fotos atrás) - antes Partido Neo-nazi Social-Nacional da Ucrania.

Agora: eu sei isto tudo há bastante tempo e querem-me convencer que, nem a comunicação social ocidental, na sua sanha por escândalos, nem os EUA com os seu 80 mil milhões de dolares anuais em "intel", nem a EU, sabiam destas coisas. Otários aqui ou quê?

O capital joga a mão aos fascistas sempre que pode para dominar. Aliás, sente-se sempre muito afim e perto deles. Estranho não é? Para quem anda sempre com a boca cheia de democracia.

O que vi na televisão…

Primeiro veio a EU, com um tratado comercial. Depois vieram os russos. Depois o povo revoltou-se contra os russos. Depois os snipers contratados pelo governo mataram manifestantes da oposição. Depois o governo corrupto, pró-russo, foi derrubado pelo povo e o parlamento aprovou um novo governo interino, realmente consonante com as aspirações populares.

Entretanto, o povo, montou as barricadas, armou milícias e montou hospitais de campanha. O mesmo povo, muito zangado, ocupou os símbolos do antigo governo.

Os Russos malvados que querem a Krimeia de volta, após uma sessão de bebedeira de Kruschev, desatam a invadir a Ucrânia, isto porque, na Ucrânia já não existem pró-russos a não ser na parte leste, ou seja, na própria Krimeia.

Vem Jonh Kerry e a enviada da EU, Catherine Asthon, trazem paz e sanções financeiras e económicas contra os malvados Russos. Jonh Kerry traz também mil milhões de dólares no bolso, os quais, digo eu, muito jeito dariam aos milhões de americanos que passam fome, e Ana Gomes está realmente convencida que a agressão Russa é ilegítima e injustificada.

Na Ucrânia todo o povo está com o Svoboda. O Svoboda é a voz do povo…

Na Ucrânia, o povo oprimido pelos algozes de Putin, luta ferozmente pela libertação do jugo imperial Russo, numa continuação da sua ancestral luta pela libertação do “império” Soviético. Depois, há meia dúzia de pró-russos da Krimeia que não querem a mudança.

Sabemos ainda que, o PS tem uma posição passivamente dúbia sobre o problema, em virtude de um conjunto de preconceitos anti-comunistas – e quiçá anti socialistas – afectarem alguns dos seus “sociais democratas”. O PSD está com os EUA para o que der e vier, como esteve na situação Iraquiana ou Afegã. O CDS? O CDS com os seus laivos de extrema-direita, à partida está pelos EUA, mas não enjeitaria alguma simpatia com a Alemanha – se é que percebem o que quero dizer.

Só lembro aqui que, na ultima quadratura do círculo, Lobo Xavier acusou Seguro de ser radical de esquerda, mas quando Costa lhe falou da Frente Nacional em França, calou-se que nem um rato. Mais tarde chamou Pacheco Pereira de Marxista por aquele defender uma distribuição mais justa da riqueza. Estamos conversados sobre as reais simpatias ideológicas do CDS.



E depois, o que aconteceu?

Depois vem James Cameroon dizer a Jonh Kerry que: “alto lá e para o baile que a banca inglesa não funciona sem o dinheiro dos malvados Russos”. Merkel não diz nada mas pensa: “eu bem que queria deitar a mão às empresas públicas Ucranianas, mas o gás Russo está-me a lixar os planos”, “tenho de dizer ao Kerry para deixar isto andar e ver o que dá”, “com sorte o FMI vai para lá e nós pilhamos o que houver para pilhar”.

Vem Putin, que a sabe toda e, encontrando-se numa posição de vantagem, diz:”meus amigos, este vosso governo da tanga é ilegítimo, de extrema-direita e nazi”, “se me chateiam, eu invado a Krimeia e digo que o povo Russo foi ameaçado”.

Inexplicavelmente, a comunicação social corporativa ocidental começa a dizer que afinal há pró-russos na Ucrânia, que nem todos estavam contra o Yanukovitch, que afinal isto é uma grande confusão e que o Maidan é de extrema-direita e de inspiração Nazi. Sim…Estão assustados com a m***a que fizeram! Os EUA, com a cobertura dos média corporativos, fizeram na Ucrânia o que fizeram no norte de Africa. Agitaram, remexeram e perderam o controlo. Agora, tentam arranjar um reaccionário para colocar no poder. Ah…Que afinidade tem o Império capitalista ocidental com toda e qualquer forma de fascismo! Apoiam sempre os fascistas e reaccionários, sempre!

Eis que surge a China e telefona às partes, Merkel, Putin e Kerry. Eis que o Primeiro-Ministro Chinês telefona a Kerry e Merkel e diz-lhes: “Camaradas, nós não gostamos de confusão mas, não se esqueçam da terra toda que comprámos na Ucrânia e que produz cereal para matar a fome na China”, “controlem-se lá porque o povo Chinês já passou fome que chegue e vocês o que querem é engordar ainda mais”.

Por fim, na nossa comunicação social (na estrangeira não era bem assim) começaram a surgir comentários como: “Isto não há bons nem maus”; “isto é só interesses de um lado e de outro”; “tem de se ter cuidado com o Svoboda”; “isto é assunto entre impérios”; “a Ucrânia está dividida”; etc…

Verdade? Demoraram tanto tempo para chegar a estas brilhantes conclusões? É preciso receber milhares de Euros de avenças mensais, das TV’s e jornais para, passados dois meses, chegar a uma conclusão que já se tirava à partida?


Não, o que estes comentadores estavam era com medo. Medo do poder, medo de tomar o partido errado, medo de perder o emprego.

Pois eu não tenho medo de perder o emprego e afirmo o que disse sempre desde o início:

1.º Putin, Merkel, Obama, para mim são todos iguais porque todos se movimentam por dinheiro, poder, protegem oligarcas, multimilionários e todos têm propensões imperiais;

2.º Para mim não se trata de apoiar Putin com base numa ideia saudosista pró-soviética como, muitos pseudo-democratas preconceituosos, acusaram comunistas e gente de esquerda quando optaram por tomar uma posição isenta quanto à análise da situação. Não tenho qualquer ilusão sobre Putin e sobre a sua simpatia com o comunismo, socialismo ou a esquerda. Putin é mais um governante imperialista, autoritário, tipicamente Russo.

3.º A Krimeia é um problema real para os Russos, pelas razões relacionadas com a sua anexação à Ucrânia. A Ucrânia é um problema centenário, tal como a Polónia, pela sua importância geográfica e territorial. Daí que, ao longo da história dos impérios Europeus, ter-se sempre levantado o problema daquela região e da sua divisão.

4.º A Rússia tem interesses territoriais, militares e económicos na Ucrânia? Certo, como os EUA e a Alemanha. Tal e qual. Do escudo anti-missil ao desmantelamento da economia ucraniana a pretexto de uma ajuda ocidental (conhecemos bem que tipo de ajuda é essa).

5.º Desde cedo se viu que a “oposição” ao Partido das Regiões era dominada por partidos reaccionários e de extrema-direita, provindos dos antigos partidos pró-nazis.

6.º Por outro lado, o partido das Regiões não era um partido de esquerda. Era mais um partido centrista, de inspiração liberal e com gente autoritária, gananciosa e pró russa, no pacote.

7.º Desde cedo se percebeu que, quem visse as televisões internacionais, que a Ucrânia estava dividida entre pró-russos e anti-russos.

8.º Uns são maus e outros bons? Não, claro que não. Tem a ver com etnias e com a história. Só que, os pró-russos nunca colaboraram com os nazis e, logo, os anti-russos estão muito conotados com a direita mais reaccionária e, nalguns casos, de inspiração nazi.
 
Perante tudo isto, eu pensei: “Não vou escolher um lado?”; “mas temos sempre de ter um lado, não é?”; “então escolho os Russos”.

Porquê? Porque por muito maus que sejam não podem ser piores que os Nazis. E como eu, por ser quem sou aqui neste cantinho Portuga, outra coisa não poderia ser na fria tundra ucraniana. Ou seja, ainda está para nascer o dia que me verá a tomar partido pelos nazis, fascistas e outros reaccionários.

Por outro lado, o fim da União Soviética e da guerra-fria ensinou-me algo…O poder nunca deve estar de um só lado. O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. O fim da URSS mostra como a Europa se corrompeu totalmente, rejeitando e enterrando os princípios que, segundo a “lenda”, estiveram na origem da sua criação. Mal por mal, preferia a história da carochinha da democracia, do estado social europeu….

Poderiam também dizer: “mas não é preciso escolher lado!”

Aí é que se enganam… Cada vez mais temos de ter lado. Numa altura em que alastra, a par da nova idade média, o fascismo, temos de escolher se estamos para embarcar, mesmo que por passividade, nessa tendência, ou se escolhemos lutar contra ela.

É que aquela ideia de que não se tem de escolher lado é muito perigosa e só interessa a quem domina. Sabem porquê? Eu explico:

Imaginam um barco com quatro remos, dois de um lado e dois do outro. Se os dois remos de cada lado remarem, para onde se dirige o barco? Para o lado com mais força, ou, tendencialmente, para o meio (onde se diz estar a virtude). Mas, imaginem que um dos remadores decide não escolher lado e, portanto, deixar de remar. Para que lado vai o barco? Para o lado em que os dois remam. E o que não rema? Vai com eles…

É que quem não luta vai com aqueles que dominam, mesmo que, à partida não goste deles. Quem luta, tem pelo menos a consciência de tudo fazer para não seguir na tendência. Portanto, por cada cidadão, trabalhador que decide não tomar partido nesta luta contra qualquer forma de império, principalmente de impérios que não têm problemas em jogar com os nazis, é mais um que contribui para o alargamento da tendência mais forte neste momento. Ou seja, está a contribuir para a sua própria pobreza.

Ainda querem não ter lado?


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