Antípodas de um mundo ao contrário! Diversidades.


Há algo de poético e romântico neste país. Não nos podem acusar de falta de notícias. Não nos podem acusar de falta de motivo de conversa. É claro que quando ligamos a televisão, dando voz a um hábito quotidiano de procura de algo que nos mereça a atenção, nem sempre encontramos esse facto, acontecimento ou fenómeno, que nos faça sentir ter valido a pena gastar a energia electrica consumida. As corporações da comunicação social conseguem ter tanto de monótonas na inovação noticiosa quanto o não têm em dissonância opinativa. Todas dão as mesmas notícias. Todas dão a mesma opinião. Sabem porquê? Porque todas são das mesmas pessoas. Todas.

1 facto


Há anos que os enfermeiros e o seu sindicato lutam contra o que têm vindo a afirmar como ataque à dignidade da sua profissão. Há anos. O que disseram os governos, Durão, Sócrates e Coelho?

"Os enfermeiros estão com atitudes corporativas, não compreendem as necessidades do país, têm um discurso datado, o pais hoje não pode pagar o que eles querem".... Num uníssono de vozes concordantes, fomos assistindo ao monólogo colectivo (se tal for possível) cronológico, governo após governo, comentador após comentador, televisão após televisão, rádio após rádio, jornal após jornal, lusa após lusa, reuters após reuters... Nos pacotes que se compravam às agências noticiosas só cabia uma opinião. Para duas, era mais caro...Custos económicos...dizem.

Agora descobriu-se que os enfermeiros ganham menos do que 4 Euros à hora. Que horror dizia o José (in)Seguro. "I...na...dmi...ssivel"! Até um  tal comentador, com a coragem de se assumir do PSD, de quem eu não recordo o nome, porque são tantos e tão iguais (eu não olho para o aspecto da embalagem, só para o conteúdo, não quero ser enganado!), dizia que não era justo. Sim senhor, "não era justo, mas era compreensível". Para tal senhor comentador (um assim gordinho), o "facto de haver demasiados enfermeiros, os hospitais não poderem contratar e a crise económica", justificariam a coisa. Eu pergunto-me: Então porque é que esta gente ganha tanto? Os comentadores? São demasiados, 99% todos iguais, defendem quase sempre as mesmas coisas, não fazem bem nenhum ao país (ao contrário dos enfermeiros) pois só nos andam a enganar, manipular...


Nenhum destes honestos senhores teve a honra, a honestidade e a hombridade de afirmar e desvelar a fonte do problema. Nenhum! Até as notícias, apenas falaram da origem do problema uma vez. E qual é o problema?

O problema é que as empresas de trabalho temporário que recrutam os enfermeiros ficam com metade do pagamento que o estado proporciona. O estado dá 8 euros à hora e essas sérias, competitivas e produtivas empresas, geridas por tão nobres competentes, capazes, esforçados e produtivos empresários e empreendedores, ficam com metade do dinheiro. Porquê? Porque sim!

Também acredito que tais personalidades televisionadas nada tenham dito porque: nada há a dizer sobre o que é óbvio! O problema é que o óbvio para nós, para quem trabalha e para quem é explorado inumanamente (não tenhamos medo das palavras) não é o mesmo que é o óbvio, para quem explora ou é cúmplice e promotor da exploração.

Mas sabem onde é que isto começou e ninguém desta gente falou? Foi, foi com os professores. Professores no desemprego que ganham 4 euros à hora a recibo verde para dar as disciplinas para curriculares que o Sócrates criou. Sabem quem é que fica com os outros 4 euros? Pois é...Dejá Vu!

Assim, já percebemos o que era o óbvio do (in)Seguro. Pois é. Tal como as agências noticiosas que vendem os pacotes de informação aos "pasquins" de comunicação (anti) social, pacotes tão curtos nos quais só cabem uma opinião e uma visão das coisas, os contentores de actores e aldrabões que o capital compra para nos manipular também são pequenos, só cabe gente desta.

E depois, os senhores empresários, empreendedores, empregadores que tanto fazem pelo país, que tanta riqueza "produzem", têm de aturar os "lambões, preguiçosos e mandriões" dos sindicalistas que representam aqueles que salvam pessoas e ensinam os nossos filhos. Uns trabalham, os outros produzem.

Estamos ou não, nos antípodas de um mundo ao contrário?


Jorge Palma cantava: "Ai Portugal, Portugal
                                  De que é que estás à espera?
                                  Tens um pé numa galera
                                   Outro no fundo do mar"...

Hugo
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