Uma nova geração de desportistas


Longe vão os tempos de Rosa Mota e Carlos Lopes, incontornáveis maratonistas do desporto mundial, que, à falta de um centro de alto rendimento desportivo em Portugal, tinham de deslocar-se a Espanha para aplicar determinadas metodologias de treino.
Nos dias que correm, é visível a evolução neste campo. Portugal, pode orgulhar-se de, actualmente, conseguir formar, dentro das suas fronteiras, toda uma estirpe de atletas de altíssimo nível competitivo que, em alguns casos consegue mesmo exportar para as mais altas instâncias internacionais.
E digo isto, não por ironia, mas por crer que as manobras praticadas são de tal forma arriscadas e radicais, que nalguns casos a queda é inevitável, embora este país tenha certas redes que, também elas de elevado nível, nunca cedem. Digamos que, a tecnologia de suporte tem acompanhado a técnica que se pratica.
Como nestas coisas nunca é bom generalizar, sob pena de sermos alvo de alguns imponderáveis desaguisados, por parte de pessoas, que pela sua humildade, consideram não ser justa nem merecida a sua inclusão neste rol de excelência, pois o Português, algo que preza muito é o mérito, assim, passarei a enumerar os exemplos mais emblemáticos da grande evolução atlética do nosso amado país:
• Salto à Vara. Armando de sua graça, tão bom que o apelidam de Vara, é o exemplo máximo do atletismo de salto em Portugal. Qual Évora qual carapuça. Nem Évora é nome de desporto, nem o salto dele se compara com o de Armando. Se um no triplo salto chega aos 18 metros, e ainda se queixa de não ter uma pista própria para seu treino, o Armando, que nunca se queixou, saltou muito mais do que 18 metros, e não foi de cumprimento, foi de altura! De caixa de um banco a Ministro da Administração Interna! Quantos metros vão? Então…e se for…de caixa de um banco a n.º 2 do Conselho de Administração do BCP, maior banco português? Se calhar ainda são mais metros! Ou, noutro campo, também ele de grande virtude, neste caso, nos domínios da performance mental, que tal…saltar desde o nível secundário para a pós graduação directamente? Com Varas destas não há altura que aguente…
• Trapézio. Este exemplo é admirado pela sua persistência quase doentia. Este homem salta de nível em nível, ininterruptamente, passando dos mais altos para os mais baixos e quando pensamos que vai cair de vez, qual triplo mortal ou dupla pirueta, é vê-lo agarrar-se ao último baloiço que por ali, por acaso passava, enviado por um qualquer protector divino. Vindo de Santana para se chamar Lopes, ele mesmo, Santana Lopes. De suposto jurista a presidente do SCP, saltando para Figueira, passando para Lisboa, pelo meio o PSD e até para 1.º Ministro, por entre secretário de estado e consultor da EDP, Santana apanha sempre o último baloiço e não há rede que se lhe rompa, tanto faz, porque ele não cai.
• Montanhismo/Escalada. Não se pode ser Mole para se chegar ao Topo do Mundo. Logo, a sua graça só poderia ser Durão, Durão barroso. Já lhe chamaram de peixe, mas se peixe for, de certeza é fora de água. Mais parece um pássaro, pois a sua escalada da base ao topo é sem dúvida de se lhe tirar o chapéu. De simples militante do PSD, fez a sua primeira escalada, chegando logo a Ministro. Depois, foi só esperar, e a subida ao cume da mais alta montanha nacional foi demasiado rápida para se ter feito a pé e a trepar, pelo que, umas viagens a Angra dos reis terão ajudado a recuperar o fôlego. A voar, talvez, porque este senhor tem meios que os fins desconhecem, lá chegou ao topo da estrela, a 1.º Ministro. É claro, que Durão queria mais, ele queria a montanha mais alta de todas, ainda não a conseguiu, mas como homem preparado para a guerra que é, já chegou à mais alta da União Europeia. Mas, todos sabemos, que pela sua dureza e pela estrutura competitiva que comporta, outros voos mais altos estarão na forja, rumo ao cume mais alto de todos, mais alto ainda que o Everest. Pode ser que entretanto lhe falte o oxigénio, ou congele a língua, a sua principal arma voadora!
• Jogging. Pode não ser o mais rápido, mas não é de certeza o mais lento. Pode não ser o mais forte, mas não é certamente o mais fraco. Pode não ser também o melhor, mas não é o pior. Tem nome de pensador, e só o nome talvez o ajude na táctica, pelo que, qual maratonista, correndo por detrás, chegou-se à frente e agora não há quem o aguente. José Sócrates. Cedo começou na JSD, mas como nestas coisas se escolhem os melhores atalhos, lá mudou para o PS. Foi secretário de estado, ministro e concorrente à liderança do PS, e, tacticamente perfeito, aparece na altura certa para cortar a meta como 1.º Ministro. Todos sabemos que talvez abusará do doping, mas ainda não foi apanhado! Também sabemos que falsifica os tempos, mas não existem provas! Sabemos até, que colocará algumas barreiras no caminho de adversários, mas não se sabem bem quais! O que conta é que ele ganha e vamos a ver se não é com record.

• Full-Contact. Para ele vale tudo e não há adversário que resista. Do maior ao mais pequeno, esta pessoa parece sempre levar a melhor e mesmo quando parece definhar, qual peixeiro que sem peixe só lhe resta a voz, para vender o que não tem, lá vem ele dos confins da obscuridade para nos bater a todos, violentamente e sem dó nem piedade. Este também dá com o que não tem. Não tem honestidade, mas bate-se com a honestidade, tem seguranças, mas fala da insegurança, é rico, mas fala dos pobres, devia estar preso, mas fala como se fosse inocente, tem horror a pobreza mas não sai lá do meio. Para ele vale todo o tipo de golpe e em qualquer parte do corpo. Quando achamos que está KO, lá aparece ele numa qualquer feira a treinar o corpo a corpo e como um murro no estômago, damos conta de que está OK. Paulinho para uns, Portas para outros, não há golpe que não conheça, nem conhecimento que não utilize. Não tem corpo para tal, mas como luta com o que não tem, não interessa, está sempre em combate.
Estes exemplos podem ao menos dar-nos uma motivação. Se eles lá chegam, porque não havemos de lá chegar nós? Só nos falta a rede, pois eles quando dão um trambolhão, normalmente são amparados, sabe-se lá por que braços de qual polvo, e nós não usufruímos disso, para nós é tudo muito mais difícil. Mas lá que Portugal tem um centro de alto rendimento para estes desportistas, lá isso tem.

Hugo Dionísio
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