Onde é que já ouvimos isto….

Podemos chamar-lhes de visionários…podemos chamar-lhes de adivinhos, médiuns, feiticeiros ou utilizar qualquer outro termo do jorgão ocultista. Mas, no fundo, não mais eram do que seres pragmáticos, dotados de visão relativa e de termo intelectual de comparação.

Vem ao caso, uma reflexão que encontrei de um dos injustiçados da nossa história. Homem culto, dos primeiros humanistas (ainda sem o saber), precursor da renascença, D.Pedro, o Infante das “sete partidas”, filho de D. João I, Irmão do Rei D. Duarte, de D. Fernando (o Infante Santo), do Infante D. Henrique, meio-irmão do Duque de Bragança e, mais tarde, regente do reino durante os 6 anos da menoridade de D. Afonso V, este senhor, viria a falecer na célebre batalha da Alfarrobeira às mãos de um Rei influenciável e fraco, de um meio-irmão, inculto, ganancioso e invejoso, de uma clerezia corrupta e acima de tudo, ingrata (tendo em conta o acrescentamento que D. Pedro sempre lhe atribuiu) e, ainda, de um irmão individualista, insensível, ingrato, egoísta e falso como o foi o Infante D. Henrique para com alguém que, para além de ser seu irmão, lhe trouxe, das suas viagens, as mais importantes fontes de conhecimento geográfico da altura (o livro de Marco Pólo ou o mapa mundo de Fra Mauro que mostrava toda a costa ocidental e oriental de África).

Mas, como dizia, quem ficou conhecido e reconhecido foi o outro, que cometeu tão grandes disparates e tanto dinheiro custaram  ao país. Bem, D. Pedro não acreditava na política ultramarina do Navegador. D. Pedro já dizia na altura, qualquer coisa como isto: trocar Portugal por Marrocos (na altura estva-se a discutir a ida a Tânger, que tão desgraçada foi) “era como trocar uma boa capa, por um capelo”. Mais tarde, viu-se quem teve razão. Não era isto, apenas, do que eu falava. Este homem bastante honesto e realista para a altura (dentro, obviamente, dos padrões culturais e morais da altura), numa carta que escreveu a partir de Bruges para o seu irmão El. Rei D. Duarte, dizia coisas como: “os filhos enjeitando as profissões dos pais, afidalgam-se, formando essa nuvem de parasitas que então enchiam os paços do rei, dos infantes e dos nobres”. Lembram-se dos Jobs for the boys?

Mas ele continuava: Recomendava que “só se empregasse gente cumpridora, homens capazes e competentes”. Lembram-se dos nossos governantes?

Ainda dizia, por entre outras coisas: “ponham-se cobro às despesas o Rei, os infantes, os senhores, limitem-se às suas posses, para não esmagarem o povo com peitas e impostos extenuantes”. Esta de mandar poupar os ricos e não os pobres…Só podia dar em desgraça, não era? Para ele…e para nós todos! Os ricos…mais uma vez…safaram-se!

Acrescentava também que: A beneficência não podia ser explorada por parasitas. “A justiça, senhor, é uma virtude que me parece não reinar nos corações daqueles que têm cargo de julgarem na vossa terra”. “A justiça tem duas partes. Dar a cada um o que é seu e dá-lo sem delongas”. Enfim, chamava à atenção para o facto de ter de se legislar para proteger o povo da “matilha de magistrados vorazes que o caçava desapiedadamente”.

Mais importante…É que D. Pedro, de facto, quando foi regente, publicou as ordenações afonsinas que, foram um progresso para a altura. Por exenplo, uma coisa que o seu irmão Duque de Bragança não gostou nada foi de ele pretender realizar uma inquirição das suas terras (como o fez D. João II) por causa das queixas de abuso de poder e de utilização indevida da força para com o povo. Uma espécie de limpeza ao nosso sistema político corrupto, que tanto necessitava. Era o que isso significava na altura.

Agora digam-me. Estes ditos, juntando-os aos de Damião de Góis 100 anos mais tarde e de muitos outros,,até bem mais recentes devem fazer-nos pensar. Em todos eles, os ricos, os proprietários, a classe dominante era apontada pela miséria, que o seu comportamento ganancioso e desvirtuado, levava ao povo. Nunca culparam o povo, porque…não era o povo que mandava. Óbvio.

Quando olhamos para a nossa actualidade, constatamos que, os ricos, a classe dominante, nada perdeu, pelo contrário, aumenta o seu fausto à conta da nossa miséria. Hoje em dia, temos muitos que os culpam, mas continuamos a ter demasiados que, todos os dias, repetidamente, nas crónicas modernas, na comunicação social, a toda a hora, vêem dizer que o povo, esse sim…esse é que tem gasto demasiado.

O problema é que, se naquela altura se matava quem tinha a razão do seu lado, actualmente, calam-se os que a têm. Mas não se amordaçam, nem prendem. Sabem o que é que se faz? Colocam-se todos os meios de comunicação social corporativos a gritar tão alto e em uníssono, a mentira. E fazem-no de tal maneira que muitos julgam que a mentira se tornou, aquilo que nunca será nem poderá ser, uma verdade.

Então, actualmente, temos nos nossos belmiros, amorins, santos, zebinais, mexias e cartrogas, os nossos duques de Bragança (ah, e temos nesses monopolistas apelidados de grandes empresários, os nossos infantes D.henrique). Depois…temos os nossos camilos lourenços, delgados, coelhos, sócrates e companhias, os seus arautos. E o rei? Já não há rei. Há imperadores (merkozy antes, merkel depois) e senhores feudais, com todos os poderes de vida e de morte sobre quem dominam.

Como vêem, mudando muito…há coisas que nunca mudam. Os mais ricos continuam a mandar mais, a roubar mais, a matar mais, a aldrabar mais, a abusar mais. Fazem-no de forma impune, porque o poder…esse é seu. Democracia? Bem, colocam-se os arautos a gritar ao mesmo tempo e espera-se que metade dos eleitores não vote, por um lado, e basta enganar, comprar, defraudar, burlar ou enganar 40% dos restantes e forma-se um governo fantoche que só serve para garantir que, parecendo que se muda, não se mude nada.  Como diz Adolfo Luxúria Canibal numa letra sua, sobre o situacionismo: Inundam-nos de informação, nos jornais, na Internet e na televisão…mas o que realmente importa, isso…mantém-se secreto. Ou então, o Sérgio Godinho, quando canta que o acesso ao presente está...Bloqueado! É do acesso à verdade que se fala. 

Até quando?



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