o plano anti-voto




Uma curiosidade da estratégia comunicacional assumida pelos radicais doutrinários e propagandistas da religião neo e ultra liberal, tem a ver com a menorização dos eleitores e do seu voto, nestas eleições Europeias.

Aliás, toda a estratégia da direita, em contradição com o discurso anti abstenção (admirados?), assenta numa lógica desmobilizadora do voto. Passo a explicar.



A penalização do governo sem consequências

Os principais “comentadeiros” liberais fazem assentar o seu discurso nos seguintes pressupostos:

  • O povo vai aproveitar estas eleições para penalizar o governo. E vai fazê-lo, não porque o queiram efectivamente fazer (porque haveriam de querer?), mas porque como sabem que os resultados das Europeias não têm quaisquer consequências na política interna, não se importam de encetar pelo voto de “protesto”.

Ora, esta cambada de jumentos, dentro da sua quadratura lógica, não percebem que, ao assumirem que estas eleições não têm consequências, sejam quais forem os resultados, estão precisamente a dizer ao povo: “escusam de votar porque votem onde votarem, nada mudará”, e “o vosso voto, por mais zangado que seja, não comportará qualquer expressão democrática, porque esta politica prosseguirá.

 Ao mesmo tempo, quadrados, triângulos, cubos e rectângulos liberais, aparecem a dizer: “apelamos ao voto, abaixo a abstenção”. “Mas não se esqueçam… Votem em quem votarem, tudo ficará na mesma!”

PSD e CDS concorrem juntos para mascarar a derrota

O outro pressuposto desmobilizador, desmotivador e enganador que estes figurões geométricos de linhas semi-rectas proferem é o seguinte:

  • Se o PS não conseguir um resultado esmagador, então, é porque o governo não está assim tão mal. E o que é esse epíteto de “esmagador”? São, pelo menos, 10% de diferença.

Ora, sabendo o que vai nas sondagens, já estamos a ver o que vai suceder. Todos vão a correr, dizendo que não há vencedores e que o voto de protesto não teve assim tanta expressão. Só que se esquecem de uma coisa… É que eles estão a avaliar a votação do PS só e mal acompanhado por si próprio, com o PSD mal acompanhado pelo CDS. Ou seja, se retirássemos o CDS da corrida, aí é que poderíamos avaliar, devidamente, a real extensão da tareia. Ora, como forma da mascarar os resultados e a dimensão da derrota, a dupla debulhadora de portugueses, decide concorrer aos pares, permitindo aos vigários da maior extorsão do povo desde o 25 de Abril, justificar os resultados com um “o governo tem razões para estar contente, afinal, a derrota não foi assim tão grande”!

Mais um elemento desmobilizador. Da votação. Voto de protesto, ou não, tudo irá ficar na mesma.

A única verdade: PS, PSD e CDS apoiam esta ideia de Europa.

Por fim, o outro pressuposto, e talvez o único que é verdadeiro, o que é uma coisa excepcional e raríssima na verborreia diária de manada de quadrados, é o seguinte:

  • O PS não vai poder fazer diferente pois também apoia o pacto orçamental e a Troika, Alemanha e toda esta multidão de vampiros.

Sendo verdade, e sendo louvável a honestidade, que só se verifica porque esta gente acredita que todos temos de pensar da mesma forma, também esta sentença surge como desmobilizadora. Por ela transmite-se a ideia de que, vá para lá quem for… E não é verdade! Só é verdade quando colocamos a par os partidos do “arco do poder”. Mas eles sabem-no. O que eles querem é dizer-nos que só vale a pena votar num deles. Ou seja, esta gentalha é tão democrata que se sente bem num sistema em que, vote-se por onde votar, dá tudo no mesmo.

E por isso é que eles se dão tão bem com o fascismo, o nazismo e a extrema-direita. Vejamos o que está a suceder na Europa e eles só falam é de economia, défice e dívida.

Portanto, meus caros… Votemos e votemos contra eles
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