Os fascismo em época de crise: a resposta natural do capitalismo. Os dois, são o mesmo!

Em tempos de radicalização neoliberal; da ofensiva contra os povos que anseiam libertar-se e seguir caminhos alternativos; aprofundamento dos métodos de intromissão na vida privada de cada um... Surgem receios fundados por semelhanças com histórias que já conhecemos. Até onde chegará a intenção dominadora de um sistema capitalista que se debate com as suas próprias contradições? Numa espécie de dejá-vu, uma das formas mais utilizadas pelos governos neoliberais tem sido o recurso massivo à privatização de sectores chave da economia. Tudo numa lógica de concentração de riqueza... Depois do ressuscitar do ideário liberal da "mão invisível" e do fim do estado social, não nos pode espantar saber que
o primeiro governante, a aprovar e aplicar um plano tão ambicioso de privatizações, como o que assistimos em toda a Europa, se chamava Benito Mussolini. Admirados? O fascismo é uma resposta histórica do próprio capitalismo!



Diversos são os autores que classificam, com todo o acerto, o fascismo como um resultado, característica ou resposta, do próprio capitalismo. Basicamente, o fascismo é endémico ao capitalismo. E esta teoria é comprovável com factos e com história. Aqueles que, erroneamente, tentaram colocar o fascismo como uma simples antítese do comunismo, ambas destacadas do capitalismo, cometeram um erro dialético crasso.

imagens como esta visavam criar confusão


Qualquer análise histórica superficial contradiz essa lógica. 

  1. A visão de que existe um capitalismo "bom", e um capitalismo "mau", não é verdadeira, porque o capitalismo "mau", concretamente, o capitalismo liberal ou neoliberal, não são mais do que características evolutivas do capitalismo.
O próprio capitalismo, naturalmente, tende para o liberalismo. Perante a ansiedade do lucro e a doença da ganância que leva à necessidade imparável de acumulação de riqueza, o liberalismo surge como uma etapa durante a qual, o capitalismo assume que o estado e o bem público constituem entraves à sua realização. O estado e o bem público, ao "ocuparem" espaço na economia, impedem o capital de se realizar plenamente nessas áreas. Daí que, o liberalismo mais não seja do que a expressão da necessidade que o capitalista sente de libertar a sua ânsia  capitalista, das amarras do estado, ou das imposições do estado. Daó o chavão: "o estado tem de sair da economia"; "o estado ocupa muito espaço na economia".

Daqui resulta que, na minha opinião, o liberalismo mais não seja do que a expressão do caracter bárbaro e selvagem resultante da ganância doentia que domina o capitalista. Perante a sua ansia gananciosa, o bem publico, o estado e o interesse da comunidade, não podem constituir entraves. Daí a "libertação" dessas amarras "colectivas". Dai o "liberalismo" assentar numa lógica individualista ao contrário da lógica "colectivista" em que assenta o socialismo (e o comunismo).

Concluindo, o Capitalismo é, naturalmente, liberal (e aqui o termo liberal quer dizer: livre das imposições do estado, da comunidade, do interesse público, do colectivo, etc.). Não existe capitalismo "humanista" ou "racional", ou ainda "civilizado". O que impões, por vezes, algum humanismo, algum racionalismo, ou algum civismo ao capitalismo, é a própria sociedade que, através da pressão da lei, da democracia, do colectivo, limita a autonomia privada ansiada pelo Capitalismo. Daí que, em tempos de URSS, tenha sido possível a  construção de um modelo social europeu. Não porque o Capital o quisesse, mas porque teve de o aceitar. Aceitou-o por imposição de uma sociedade que ascendia a patamares de liberdade mais elevados, aceitou-o porque tinha receio dos movimentos sociais de massas (regra geral socialistas e comunistas, apoiados pela URSS) que tinham muita influência; aceitou-o porque teve a necessidade política de mostrar o quão civilizado um modelo Capitalista e burguês poderia ser; promoveu-o para ganhar a guerra contra o bloco socialista. A verdade é que antes da URSS era a fisiocracia e o mais puro liberalismo que dominavam as mentes Capitalistas. E a verdade, também, é que, depois da URSS, perante a visão do poder absoluto e da possibilidade de ascensão ao imperialismo, o Capitalismo ressuscita de novo o liberalismo (agora neo) porque sente a liberdade para o fazer.

A própria razão para a falha da social democracia assenta neste problema. A social democracia nunca percebeu duas coisas básicas: a primeira de que só existe porque o Capital necessitava de a criar para lhe atribuir um papel histórico de desradicalização das massas; a segunda que, tal como a história prova, o Capital não se civiliza; o seu papel histórico acabou, finou-se, esgotou-se, porque tornando-se liberal, acabou fundida com os seus criadores.
a social democracia

2. O fascismo, como resposta do Capitalismo, nunca o renegou. Não há nenhum sistema Fascista que tenha acabado com o Capitalismo.

Temos exemplos históricos de ditadores fascistas que, demagógicamente, dizem combater o Capitalismo. Apenas com uma intenção: confundir as massas. O resultado é sempre o mesmo: apoia à criaçãod e oligarquias, criação e domínio de grandes grupos económicos, feudalização do capital. No fascismo, o liberalismo Capitalista realiza-se plenamente.

Tal como, neste momento de fase imperialista do Capitalismo, o caminho do liberalismo económico tem conduzido, muito naturalmente, à concentração de riqueza, monopolização e instituição de cartéis oligárquicos transnacionais, no fascismo, essa realização é realizada enquanto programa de governo.

A verdade é que a teoria da "mão invisível" apenas conduziu ao imperialismo Capitalista. POrque o mercado não se regula, nem se autoregula. O mercado limita-se. E essa é a lição histórica que temos de retirar desta fase de poder absoluto Capitalista.

3. O fascismo é a resposta Capitalista a um contexto de contestação, enfraquecimenti estrutural e crise económica profunda

Perante este tipo de ameaças, o que faz o sistema Capitalista. Radicaliza-se, toma conta do estado e de todo o aparelho coercivo. Poderia aqui dar o exemplo de Pinochet que iinstituiu um programa liberal profundo. O resultado? perante a contestação... Todos sabemos o que sucedeu.

O caso de Hitler que sobe ao poder num período de crise profunda, ou de Salazar, ou de Mussolini. DE crise económica que enfraquecia as bases capitalistas. Perante estas situações, o Capital respondeu com autoritarismo.

O mesmo sucedeu com o período de "caça às bruxas" nos EUA, com Mcarthy e Hoover, que erante o ascenso da luta de massas nos EUA, desataram a perseguir, a inventar e catalogar "comunistas".

Ou ainda, um exemplo concreto. Ieltsin na Rússia que, perante todo o seu autoritarismo (até a Duma bombardeou), mais não fez do que utilizar o aparelho coercivo para recriar a oligarquia económica Russa.

Em resumo, o fascismo é uma resposta Capitalista, autoprotectora. É o resultado da realização plena do Imperialismo capitalista. Perante o contraste social criado e a pornográfica desproporção na distribuição dariqueza, o Capital apodera-se do estado para se proteger a si próprio. Ou seja, passa de ver o estado como agente concorrente, para passar a ver o estado como instrumento.

Neste momento já estamos em fase muito avançada deste processo. Mais uma prova deste avanço na realização Capitalista, é o facto de, até os planos de privatizações defendidos pelas troikas, BCE's, FMI's e demais instrumentos liberais serem baseados na doutrina fascista.

Sabem quem foi o primeiro governante a assumir um Plano Massivo e indiscriminado de Privatizações como política de estado? Um plano liberal de distribuição de riqueza ao Capital para criação ou recriação de oligarquias?

Foi Benito Mussolini.

Na tese  de doutoramento "THE FIRST PRIVATIZATION: SELLING  SOE AND PRIVATIZING  PUBLIC  MONOPOLIES  ...(1922-1925) Germà Bel Universitat de Barcelona (GiM-IREA) & Barcelona Graduate School of Economics", divulgada por Miguel Tiago do PCP (deputado), chega-se a essa conclusão.

A ideia de privatização de sectores fundamentais da economia, para criação de oligarquias e monopólios, vem de Mussolini e foi prosseguida por todos os governos fascistas. Admirados? Eu não!

Aliás, os EUA iniciaram agora um modelo de formação de "chibos". Ou seja, vão formar lideres associativos, sindicais, de ONG's locais, para que identifiquem entre as suas comunidades aqueles indivíduos com comportamentos subversivos que possam colocar em causa a democracia americana.

É mais um exemplo para os ingénuos, incautos ou hipócritas que fingem não ver o que está à frente.

os links para a tese e o artigo são:  

https://pt.scribd.com/doc/241709778/fascismo-e-privatizacoes-pdf

http://www.globalresearch.ca/police-state-america-us-department-of-justice-to-train-community-leaders-to-be-snitches-for-the-empire/5405650


P.S. Obrigado Miguel Tiago, pela partilha da Tese de Doutoramento no facebook.
Reacções:

0 comentários: