Dick Cheney (ex- secretario de estado da Defesa de George Bush - um dos homens Iraque) veio dizer que "a publicação dos relatórios sobre a tortura são um crime contra todos nós"! Apoia, portanto, a tortura. E enche a boca com palavras como "direitos humanos", "democracia" e "liberdade". Ao mesmo tempo que esta "fascizada" nos governa, os EUA continuam, a par do apêndice Israel a ser o único país que vota, na ONU, a favor da manutenção do bloqueio económico a Cuba. Até Portugal votou contra!
Proximamente, e já não falta muito, os EUA, a par do apêndice Israel, serão o único país a não reconhecer o Estado Palestiniano. Até o Portugal de Portas e Passos o vai fazer!
Eu volto a deixar a pergunta: Um país sozinho contra todos os outros continua a impor, pela força, a sua vontade. Será este um país democrático?
A história mal contada!
Cuba está em 44.º lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU (IDH), correspondente à classificação IDH muito elevado. Cuba é o país da América latina e caribe considerado o melhor para se nascer. Os países "livres" apoiados pelos "democráticos" EUA estão todos muito atrás. Quem é que nos está a contar mal a história? Já agora, vejam a "ditadura soviética" por oposição à liberdade yankee no Afeganistão:
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*Em grandes parangonas, o matutino dito de referência, alegrava-me a
existência enquanto procurava conseguir uma consulta médica: “os bancos
continuam a ...
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El eco cuántico de la consciencia
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El eco cuántico de la...
Tem o idealismo raízes materialistas?
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Confesso que tenho muita dificuldade em discernir qualquer linha de
pensamento dos arrazoados simplistas com que José Rodrigues dos Santos
insiste em funda...
Isabel Jonet afirmou que os desempregados passam demasiado tempo nas redes sociais em vez de procurarem emprego. A afirmação carece de bom senso, mas sobretudo é falsa. Se os desempregados fossem todos à procura de emprego haveria na mesma 1 milhão e 400 mil pessoas desempregados. Os mesmos que há com os desempregados “a passar o tempo nas redes sociais”. Há 1 milhão e 400 mil desempregados porque há 1 milhão e 400 mil postos de trabalho que não estão a ser utlizados de propósito.
Há algo que me faz uma confusão imensa. Quer dizer…Não faz,
mas poderia fazer se eu não soubesse o porquê. E de que se fala?
Bem, quando eu olho para aquela quantidade enorme de
associações, agências, ong’s, que, de forma sistemática, referem defender a
ecologia, o ambiente e a natureza, fazendo-o, na grande maioria dos casos, sem
que estabeleçam qualquer relação entre factores que são altamente contraditórios,
como:
A
ideia de que as ameaças à natureza, ao planeta e ao equilíbrio ecológico,
estão intimamente ligadas à exploração massiva dos recursos
A
ideia de que essa exploração é responsabilidade inequívoca do sistema
capitalista em que essas organizações se movimentam e com o qual, inúmeras
vezes, possuem uma intimidade confrangedora
Aparentemente, quando se fala de FMI, a maioria do público não
estabelece uma relação directa entre este organismo internacional e os
interesses dos EUA.
Aliás, quando aparece alguém a dizer que o FMI nada mais faz
do que prosseguir interesses imperialistas dos EUA e do ocidente, em especial,
dos países mais ricos, muita gente que se considera de esquerda, democrata e
isenta, levanta as “guardas” e “defesas” ideológicas e pensa: “lá vem a
conversa habitual da “extrema-esquerda”.
O problema é que, do ponto de vista comunicacional e propagandístico,
os EUA obtiveram uma vitória assinalável ao conseguirem distanciar a ideia de “FMI”
da ideia de “interesses imperialistas dos EUA”.
Se esta relação é bastante visível para quem, ideologicamente,
está do outro lado da “barricada”, ou para quem está por detrás da construção
do próprio sistema geoestratégico dos EUA, o mesmo já não se pode dizer no que
respeita à generalidade dos cidadãos, nomeadamente, aqueles que se encontram
desradicalizados do ponto de vista Político e fazem depender a sua informação politica
pessoal, dos órgãos de comunicação social de “referência”.
O branqueamento da relação do FMI com os interesses dos EUA
foi, obviamente, conseguido através de fortíssimas campanhas em órgãos de
comunicação social de “referência”, dia após dia, ano após ano, comentador após
comentador, jornalista após jornalista.
Como desmontar isto? Eis que, para além das evidências históricas
que remontam à América Latina dos anos 60, 70 e 80, à Inglaterra de Tatcher, ao
“consenso de Washington”, à Rússia e leste europeu dos anos 90 e à Europa do
sul do século XXI, vem uma carta do Comité de Bretton Woods ao Congresso Americano,
clarificar totalmente o papel deste fundo para a estratégia de domínio dos EUA.
O que é o Comité de Bretton Woods?
“O
Bretton Woods Committee é uma organização Estado Unidense criada em 1983 como
resultado de um acordo entre O secretario de Estado do Tesouro e o seu Vice, um
Republicano e um Democrata. O objectivo deste comité é o de influenciar e
sensibilizar para a importância da existência de instituições Financeiras
Internacionais, as apelidadas “Bretton Woods Institutions”. Foi após a Conferência
de Brenton Woods em 1944 que o FMI e o Banco Mundial foram estabelecidos. O
objectivo fundamental passa, portanto, por elevar a importância do FMI, do BM e
da Organização Mundial de Comércio”.
Ora, Esta apresentação contida em Wikipédia, só por si, já
diz muito sobre a criação e potenciais objectivos destas organizações. A não
ser, claro está, que estejamos perante alguém que, lendo isto considere que,
mesmo assim, os EUA criaram esta organização por “fraternidade” e “solidariedade”
com os pobrezitos. Seria precisa uma grande dose de crença de boa fé no sistema
para acreditar que os objectivos destas organizações iniciam e findam no seu
papel literal.
Mas, para os mais incautos, fica aqui a prova final da “bondade”
Yankee:
“The IMF has always
been a valuable tool for advancing U.S. national interests
globally, from
helping navigate
the Latin crisis of the 1980s to supporting the Arab Spring countries today
with
policy advice, technical assistance, and financial support”.
Tradução livre:
“ O FMI sempre foi uma
ferramenta valiosa na prossecução dos interesses nacionais dos EUA ao nível
global, desde a ajuda a ultrapassar a crise latina dos anos 80 ao apoio aos países
da primavera árabe com aconselhamento politico, assistência técnica e apoio
financeiro”.
Desta simples declaração
muito haveria a retirar e que daria para outro artigo. Deixo, no entanto, as
seguintes notas:
Esta
carta foi endereçada ao Congresso dos EUA pedindo um maior apoio,
financeiro e político, ao FMI, nomeadamente através de produção legislativa
que o concretize
Num
determinado ponto diz a carta que o “FMI defende os interesses comerciais
e os trabalhadores das companhias americanas que funcionam nesses países,
suportando o emprego e as exportações dos EUA”
Esta
carta comprova “ipsis verbis” o interesse estratégico que o FMI tem para
os EUA a nível global, na manutenção da sua influência económica
Esta
carta comprova também a importância estratégica do FMI para a entrada,
investimento, permanência e domínio económico dos EUA, nos países
intervencionados
O fim do mistério
Desvenda-se, desta forma, o mistério que atacava algumas
mentes mais incautas sobre o porquê da “desconfiança” que as forças políticas
progressistas, normalmente, sentem em relação ao FMI, BM e OIC. As organizações
financeiras de Brenton Woods constituem importantes ferramentas de domínio
imperialista.
Basta ver os choques económicos e sociais de natureza
neo-liberal que afectaram a América Latina no passado, a Inglaterra e os países
da ex-URSS, incluindo a própria Rússia.
Aliás, as notícias ontem veiculadas sobre a Ucrânia
comprovam mais uma vez esta evidência. Depois da tomada do poder através de um
golpe de estado, realizado no sentido de afastar a Ucrânia da influência Russa,
numa guerra de impérios (e não de bons e maus, como muitos, maniqueistamente
gostam de catalogar), o governo interino – uma mistura de ultra liberais com
neo nazis – apressou-se a concretizar aquilo que estava por detrás desta história
muito mal contada: o negócio da entrada do FMI na Ucrânia.
Ontem, noticiou-se, então: um empréstimo de 27 mil milhões
de dólares, 15 do FMI e 12 da EU mediante a imposição de medidas draconianas à
semelhança das nossas.
Para já as primeiras imposições conhecidas serão: aumento do
gás natural em 50%, uma vez que ele virá do Espaço Económico Europeu e dos EUA;
congelamento dos salários e pensões (altíssimos que eles são na Ucrânia!?!);
privatização das empresas públicas que ainda sobram…
A receita já é conhecida, bem conhecida. Alguém duvida que
os Ucranianos passarão a viver bem pior e que nem daqui a 20 anos estão de pé? Mais
uma vez, começou a pilhagem disfarçada de “ajuda”. Nós já sabemos bem o que é
que significa uma ajuda destas.
O povo Ucraniano? Vai de mal a muito pior.
E nós? Nós vamos ter de descer ainda mas os salários (dirá a
EU) porque a entrada da Ucrânia no Espaço Económico Europeu fará com que baixe
a média salarial na EU e com que países menos competitivos, como o nosso,
fiquem obrigados a competir com salários de 1€ à hora, que, ainda para mais, vão
ter de descer.
Fantástico, não é? É só democracia e crescimento económico
que para aí vem…
Primeiro
era o tratado com a EU. Depois foram as manifestações em Donetsk e Kiev. Depois
vieram os snipers e as barricadas, os mortos nas manifestações…Mais tarde as
milícias, os hospitais de campanha e as ocupações ministeriais. A Ucrânia
estava sob assalto e a confusão era enorme.
Continuou
com a invasão das sedes do partido das regiões, com propostas de ilegalização do
partido comunista ucraniano, bocas, ofensas e agressões aos judeus e aos
ucranianos pró-russos. Continuou com o derrube das estátuas do Lenine…
Um
cobarde presidente, Viktor Yanukovich, rico oligarca e corrupto, foge a sete pés
e abandona o poder. Entre enviados de todo o lado menos do povo ucraniano, surge
um novo governo interino, aprovado por um parlamento sob assalto armado e em
estado de choque. Este governo, composto
por partidos da chamada oposição, inclui 5 Ministros de um partido de extrema-direita,
o Svoboda, proveniente de uma região ocidental da Ucrânia em que metade dos votos são
nazis, saudosistas dos tempos do colaboracionismo anti soviético ao lado de…Isso
mesmo, Hitler.
Os
Russos, ora aproveitando o pretexto para resolver a situação da Krimeia, ora
preocupados com o que os Alemães e EUA tinham na manga para as suas fronteiras,
decidiu intervir e apoiar os manifestantes pró-russos, que até aqui ninguém
julgava existir, a não ser que estivesse com alguma atenção e conhecesse a história
Ucraniana.
O
governo neo-nazi, preocupado com o salvamento das aparências, decidiu não
investigar o caso dos snipers. Segundo um telefonema captado pelos serviços
secretos de Viktor Yanukovich, estabelecido entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros
da Estónia, Uros Paet, e a Alta representante dos Assuntos internacionais da EU,
Catherine Ashton, esta gente sabia que o Svoboda era nazi, que os seus membros são
bandidos e que foram eles que contrataram os snipers para incriminar o anterior
governo.
Aqui
está para quem quiser ouvir
Claro
que isto nunca deu nas nossas notícias. Como não deu que um dos financiadores da
“oposição” Ucraniana é Victor Pinchuk, oligarca do aço, que comprou a indústria
nacional do aço ao seu sogro, ex-presidente Ucraniano. Gente séria, portanto.
Também não se falou que este senhor Pinchuk é um dos financiadores da fundação
dos Clinton e um dos principais financiadores da candidatura de Hilary Clinton à
presidência dos EUA.
Também
se sabe, por exemplo, que está prevista, no âmbito do acordo com a EU, uma
reestruturação da economia Ucraniana, para a qual, o FMI entrará com um empréstimo
nunca inferior a cem mil milhões de euros. Vendo, aqui no nosso canto, como é
que é esta história dos empréstimos, das ajudas e das reestruturações…
Mas podia ainda mostrar gente como o Senador Maccain, a mesma Catherine Ashton e outros com gente do Svoboda:
Ou ainda um dos membros da Maidan brown shirts, constante das listas internacionais da Interpol por incitamento ao terrorismo (Dmitry Yarosh - centro):
Este senhor é o líder da delegação do Sector da Direita Neonazi ao Paralmento Ucraniano. É também co-fundador e amigo do lider do Partido Svoboda (nas fotos atrás) - antes Partido Neo-nazi Social-Nacional da Ucrania.
Agora: eu sei isto tudo há bastante tempo e querem-me convencer que, nem a comunicação social ocidental, na sua sanha por escândalos, nem os EUA com os seu 80 mil milhões de dolares anuais em "intel", nem a EU, sabiam destas coisas. Otários aqui ou quê?
O capital joga a mão aos fascistas sempre que pode para dominar. Aliás, sente-se sempre muito afim e perto deles. Estranho não é? Para quem anda sempre com a boca cheia de democracia.
O
que vi na televisão…
Primeiro
veio a EU, com um tratado comercial. Depois vieram os russos. Depois o povo
revoltou-se contra os russos. Depois os snipers contratados pelo governo
mataram manifestantes da oposição. Depois o governo corrupto, pró-russo, foi
derrubado pelo povo e o parlamento aprovou um novo governo interino, realmente
consonante com as aspirações populares.
Entretanto,
o povo, montou as barricadas, armou milícias e montou hospitais de campanha. O
mesmo povo, muito zangado, ocupou os símbolos do antigo governo.
Os
Russos malvados que querem a Krimeia de volta, após uma sessão de bebedeira de
Kruschev, desatam a invadir a Ucrânia, isto porque, na Ucrânia já não existem
pró-russos a não ser na parte leste, ou seja, na própria Krimeia.
Vem
Jonh Kerry e a enviada da EU, Catherine Asthon, trazem paz e sanções
financeiras e económicas contra os malvados Russos. Jonh Kerry traz também mil
milhões de dólares no bolso, os quais, digo eu, muito jeito dariam aos milhões
de americanos que passam fome, e Ana Gomes está realmente convencida que a
agressão Russa é ilegítima e injustificada.
Na
Ucrânia todo o povo está com o Svoboda. O Svoboda é a voz do povo…
Na
Ucrânia, o povo oprimido pelos algozes de Putin, luta ferozmente pela libertação
do jugo imperial Russo, numa continuação da sua ancestral luta pela libertação
do “império” Soviético. Depois, há meia dúzia de pró-russos da Krimeia que não
querem a mudança.
Sabemos
ainda que, o PS tem uma posição passivamente dúbia sobre o problema, em virtude
de um conjunto de preconceitos anti-comunistas – e quiçá anti socialistas – afectarem
alguns dos seus “sociais democratas”. O PSD está com os EUA para o que der e
vier, como esteve na situação Iraquiana ou Afegã. O CDS? O CDS com os seus
laivos de extrema-direita, à partida está pelos EUA, mas não enjeitaria alguma
simpatia com a Alemanha – se é que percebem o que quero dizer.
Só
lembro aqui que, na ultima quadratura do círculo, Lobo Xavier acusou Seguro de
ser radical de esquerda, mas quando Costa lhe falou da Frente Nacional em
França, calou-se que nem um rato. Mais tarde chamou Pacheco Pereira de Marxista
por aquele defender uma distribuição mais justa da riqueza. Estamos conversados
sobre as reais simpatias ideológicas do CDS.
E
depois, o que aconteceu?
Depois
vem James Cameroon dizer a Jonh Kerry que: “alto lá e para o baile que a banca
inglesa não funciona sem o dinheiro dos malvados Russos”. Merkel não diz nada
mas pensa: “eu bem que queria deitar a mão às empresas públicas Ucranianas, mas
o gás Russo está-me a lixar os planos”, “tenho de dizer ao Kerry para deixar
isto andar e ver o que dá”, “com sorte o FMI vai para lá e nós pilhamos o que
houver para pilhar”.
Vem
Putin, que a sabe toda e, encontrando-se numa posição de vantagem, diz:”meus
amigos, este vosso governo da tanga é ilegítimo, de extrema-direita e nazi”, “se
me chateiam, eu invado a Krimeia e digo que o povo Russo foi ameaçado”.
Inexplicavelmente,
a comunicação social corporativa ocidental começa a dizer que afinal há pró-russos
na Ucrânia, que nem todos estavam contra o Yanukovitch, que afinal isto é uma grande
confusão e que o Maidan é de extrema-direita e de inspiração Nazi. Sim…Estão assustados
com a m***a que fizeram! Os EUA, com a cobertura dos média corporativos,
fizeram na Ucrânia o que fizeram no norte de Africa. Agitaram, remexeram e
perderam o controlo. Agora, tentam arranjar um reaccionário para colocar no
poder. Ah…Que afinidade tem o Império capitalista ocidental com toda e qualquer
forma de fascismo! Apoiam sempre os fascistas e reaccionários, sempre!
Eis
que surge a China e telefona às partes, Merkel, Putin e Kerry. Eis que o
Primeiro-Ministro Chinês telefona a Kerry e Merkel e diz-lhes: “Camaradas, nós
não gostamos de confusão mas, não se esqueçam da terra toda que comprámos na
Ucrânia e que produz cereal para matar a fome na China”, “controlem-se lá
porque o povo Chinês já passou fome que chegue e vocês o que querem é engordar
ainda mais”.
Por
fim, na nossa comunicação social (na estrangeira não era bem assim) começaram a
surgir comentários como: “Isto não há bons nem maus”; “isto é só interesses de
um lado e de outro”; “tem de se ter cuidado com o Svoboda”; “isto é assunto
entre impérios”; “a Ucrânia está dividida”; etc…
Verdade?
Demoraram tanto tempo para chegar a estas brilhantes conclusões? É preciso
receber milhares de Euros de avenças mensais, das TV’s e jornais para, passados
dois meses, chegar a uma conclusão que já se tirava à partida?
Não,
o que estes comentadores estavam era com medo. Medo do poder, medo de tomar o
partido errado, medo de perder o emprego.
Pois
eu não tenho medo de perder o emprego e afirmo o que disse sempre desde o início:
1.º
Putin, Merkel, Obama, para mim são todos iguais porque todos se movimentam por
dinheiro, poder, protegem oligarcas, multimilionários e todos têm propensões
imperiais;
2.º Para
mim não se trata de apoiar Putin com base numa ideia saudosista pró-soviética
como, muitos pseudo-democratas preconceituosos, acusaram comunistas e gente de
esquerda quando optaram por tomar uma posição isenta quanto à análise da situação.
Não tenho qualquer ilusão sobre Putin e sobre a sua simpatia com o comunismo,
socialismo ou a esquerda. Putin é mais um governante imperialista, autoritário,
tipicamente Russo.
3.º
A Krimeia é um problema real para os Russos, pelas razões relacionadas com a
sua anexação à Ucrânia. A Ucrânia é um problema centenário, tal como a Polónia,
pela sua importância geográfica e territorial. Daí que, ao longo da história dos
impérios Europeus, ter-se sempre levantado o problema daquela região e da sua
divisão.
4.º
A Rússia tem interesses territoriais, militares e económicos na Ucrânia? Certo,
como os EUA e a Alemanha. Tal e qual. Do escudo anti-missil ao desmantelamento
da economia ucraniana a pretexto de uma ajuda ocidental (conhecemos bem que
tipo de ajuda é essa).
5.º
Desde cedo se viu que a “oposição” ao Partido das Regiões era dominada por
partidos reaccionários e de extrema-direita, provindos dos antigos partidos pró-nazis.
6.º
Por outro lado, o partido das Regiões não era um partido de esquerda. Era mais
um partido centrista, de inspiração liberal e com gente autoritária, gananciosa
e pró russa, no pacote.
7.º
Desde cedo se percebeu que, quem visse as televisões internacionais, que a Ucrânia
estava dividida entre pró-russos e anti-russos.
8.º
Uns são maus e outros bons? Não, claro que não. Tem a ver com etnias e com a
história. Só que, os pró-russos nunca colaboraram com os nazis e, logo, os
anti-russos estão muito conotados com a direita mais reaccionária e, nalguns
casos, de inspiração nazi.
Perante
tudo isto, eu pensei: “Não vou escolher um lado?”; “mas temos sempre de ter um lado,
não é?”; “então escolho os Russos”.
Porquê?
Porque por muito maus que sejam não podem ser piores que os Nazis. E como eu,
por ser quem sou aqui neste cantinho Portuga, outra coisa não poderia ser na
fria tundra ucraniana. Ou seja, ainda está para nascer o dia que me verá a
tomar partido pelos nazis, fascistas e outros reaccionários.
Por
outro lado, o fim da União Soviética e da guerra-fria ensinou-me algo…O poder
nunca deve estar de um só lado. O poder corrompe, o poder absoluto corrompe
absolutamente. O fim da URSS mostra como a Europa se corrompeu totalmente,
rejeitando e enterrando os princípios que, segundo a “lenda”, estiveram na
origem da sua criação. Mal por mal, preferia a história da carochinha da
democracia, do estado social europeu….
Poderiam
também dizer: “mas não é preciso escolher lado!”
Aí é
que se enganam… Cada vez mais temos de ter lado. Numa altura em que alastra, a
par da nova idade média, o fascismo, temos de escolher se estamos para
embarcar, mesmo que por passividade, nessa tendência, ou se escolhemos lutar
contra ela.
É
que aquela ideia de que não se tem de escolher lado é muito perigosa e só
interessa a quem domina. Sabem porquê? Eu explico:
Imaginam
um barco com quatro remos, dois de um lado e dois do outro. Se os dois remos de
cada lado remarem, para onde se dirige o barco? Para o lado com mais força, ou,
tendencialmente, para o meio (onde se diz estar a virtude). Mas, imaginem que
um dos remadores decide não escolher lado e, portanto, deixar de remar. Para
que lado vai o barco? Para o lado em que os dois remam. E o que não rema? Vai
com eles…
É
que quem não luta vai com aqueles que dominam, mesmo que, à partida não goste
deles. Quem luta, tem pelo menos a consciência de tudo fazer para não seguir na
tendência. Portanto, por cada cidadão, trabalhador que decide não tomar partido
nesta luta contra qualquer forma de império, principalmente de impérios que não
têm problemas em jogar com os nazis, é mais um que contribui para o alargamento
da tendência mais forte neste momento. Ou seja, está a contribuir para a sua própria
pobreza.
Toda
esta questão Ucraniana tem-me forçado a uma reflexão profunda. Uma reflexão
quanto às nossas capacidades de descodificação da realidade concreta, por entre
uma imensidão de informações e contra-informações, de carácter propagandístico
ou não, das quais nem sempre – ou quase nunca – é possível identificar os seus
emissores originários e as suas reais intenções.
A
grande conclusão que retiro deste emaranhado de verdades difusas e incoerentes é
a seguinte: a realidade que nos é apresentada – não confundir com a realidade
concreta e objectiva – é cada vez mais complexa.
Perante
tal complexidade surge uma questão de grande pertinência: como não nos
perdermos no meio de tanta confusão? Em que é que devemos de acreditar? Em
quem?
A
importância dos princípios
As
questões levantadas não possuem uma resposta tão objectiva e final quanto desejável.
Contudo, julgo que a resposta está mais no plano dos princípios. Para não nos
perdermos teremos de remontar aos princípios.
Expliquemos
melhor esta ideia, levantando uma outra questão: porque é que na idade média a
humanidade encontrou a resposta em deus? Talvez porque, perante uma realidade
que mudava todos os dias e que se caracterizava pela instabilidade, a crença em
princípios estáveis e imutáveis (mesmo que morais, emocionais…) ajudava a
encontrar um caminho por entre toda a confusão.
A
mudança constante da realidade é uma característica das idades médias
Ora,
a ideia de que, nunca como antes, a realidade quotidiana se caracteriza pela
constante mudança, é falsa. Falsa? Sim falsa. Basta ler qualquer livro de história
da idade média para perceber que a instabilidade era “a característica” dessa
sociedade. O poder, as condições materiais de vida, os governantes, as
fronteiras, as famílias, os amigos, mudavam a uma velocidade impressionante. A
ausência de lei, de direito, de ética no plano político, fazia com que uma
pessoa do povo sentisse uma insegurança tremenda quanto ao futuro. De repente,
uma família com vários filhos, com uma vida estável, podia, perante uma guerra,
uma desordem, um desmando ou abuso de poder, ficar sem nada.
Qual
a diferença para hoje? A informação. É que hoje vivemos na sociedade da
informação. E perante o excesso de informação, sentimo-nos ainda mais perdidos,
principalmente quando, ao contrário do que se passava na idade média, se
anunciou a morte de deus, das religiões e, ainda mais importante, numa
perspectiva civilizacional, das ideologias politicas. Ou seja, aquilo que o
homem medieval tinha como imutável (a religião), o homem pós moderno não tem.
Sente-se ainda mais perdido.
Hoje
muda tudo muito depressa? Há mil anos atrás também!
Esta
ideia de instabilidade com que nos atingiram, contrária às enormes conquistas
civilizacionais conseguidas durante o século XX, representa a prova maior de
que entrámos, profundamente, numa idade média.
Após
um século de avanços enormes, no direito, na organização do estado, na
economia, na igualdade de oportunidades, na segurança social e na estabilidade da
vida, o que permitiu planear o futuro e apostar na evolução individual e
colectiva, com benefícios inquantificáveis para toda a humanidade, eis que se
nos apresenta, como novo e moderno – qual destruição de Roma pelos bárbaros –
um estado de instabilidade, que nos é vendido como inevitável e inexorável.
Provando
a história que não existem inevitabilidades, que a idade média teve fim e que a
resposta para a barbárie é a civilização, a verdade é que a barbárie volta
sempre. De novo se anunciam as guerras territoriais, as guerras pela riqueza,
as corridas ao armamento e a exploração do povo como forma de obtenção de
riqueza e de submissão aos interesses das classes sociais dominantes.
A
instabilidade apresentada como inevitável
nada
mais é do que um instrumento de domínio social
De
novo se anuncia a ganância do dinheiro como a fonte de todos os males,
substituindo-se, apenas, o anterior papel da igreja. Actualmente, nesta idade média,
são os mercados que representam o poder omnipresente e omnipotente que
representava deus, na idade média.
Se
na idade média não se podia provocar a ira divina, sob pena das maiores misérias,
no século XXI, o século medieval pós moderno e pós civilizacional, não podemos
provocar a ira dos mercados. Resultado? Todas as dimensões da nossa existência
(trabalho, família, consumo, estado…) têm de funcionar em prol e no interesse
dos “mercados”. Senão, as maiores misérias se anunciam.
Neste
ponto surge mais um paralelo histórico. Se antes a vida tinha de se acomodar
aos trâmites da igreja para aplacar a ira divina, agora tem de se acomodar aos
mercados, senão…Misérias inimagináveis atingem os países e a humanidade.
Tanto
numa, como noutra situação, a acomodação da vida aos interesses superiores de
um ente supra material, não liberta ninguém da miséria. Ou seja, sê miserável
porque senão, ficas miserável.
A
história tende a repetir-se, porque os actores são sempre os mesmos
Na
idade média, dizia-se ao povo que tinha de viver como Cristo enquanto o clero e
a nobreza viviam no fausto. O povo era explorado e não podia enriquecer até
porque, se tal acontecesse, castigos tenebrosos recairiam sobre os pecadores. Então,
miseráveis tinham de continuar para que não fossem vítimas de uma miséria maior
(como se tal fosse possível).
Actualmente
dizem-nos, temos de apertar o cinto, temos de levar com a austeridade e temos
de empobrecer. Se não nos tornarmos miseráveis os mercados atiram-nos com uma
miséria ainda maior. Enquanto ficamos pobres para não ficarmos pobres, as
classes dominantes (clero, nobreza, alta burguesia) andam no fausto como
andavam na idade média anterior. E nós temos de levar com isto porque senão, ái
de quem levar com ira dos mercados e dos investidores…
Hei-de
voltar a este tema outra vez, contudo, julgo que esta comparação histórica, a
meu ver, nada exagerada e absolutamente real, nos permite constatar o quão
acelerado está o processo de “medievalização” das nossas sociedades contemporâneas.
Ainda não chegámos ao extremo? Claro que não. Ainda estamos no princípio. Mas o sentido é claramente descendente e senão
o travarmos, chegamos ao extremo, com toda a certeza.
Reafirmar
princípios experimentados para travar a “medievalização”
Daí
que eu volte ao início, acabando como comecei. Temos de remontar aos princípios
éticos, filosóficos, ideológicos e científicos. Não nos podemos perder no meio
da informação difusa que nos enviam. O sistema dominante tem como objectivo a
corporização da mesma ideia reaccionária que tinha a igreja nos tempos da
inquisição. A ideia de que se não nos submetermos, estaremos desprotegidos face
à ira de um ente superior e inatingível. Antes era o Deus católico, judaico ou
muçulmano, hoje são os mercados. As classes dominantes sempre encontraram
formas de domínio e exploração através do medo e da sensação de insegurança. A
sua grande arma sempre foi essa, o medo do amanhã.
A
grande arma de domínio é o medo do futuro
A
solução, mais uma vez, é percebermos quem fomos o que tivemos e o que deveríamos
ser. A solução é não termos medo do amanhã, porque o amanhã pode e deve ser
construído por todos e cada um de nós. O futuro é o que nós quisermos que seja.
Assim,
se os últimos 50 anos do século XX nos permitiram construir as sociedades mais
justas e evoluídas de sempre, porquê abandonar esse processo? Porquê desistir
dele? Porquê desistir dos princípios e das ideologias libertárias e humanistas
que os corporizaram?
O
tempo é de reafirmar como nunca esses princípios. O tempo é de dizer à reacção
que não queremos o seu domínio. O tempo é de dizer que o caminho se faz para a
frente e não para trás e em nenhum momento o atraso poderá ser visto como uma
coisa boa ou desejável. O tempo é de dizer que esta estratégia de dominação
pelo medo e pela instabilidade é, por demais, conhecida e indesejada. O tempo é
de lutar pelo amanhã e não de ter medo dele. O tempo é nosso, é de todos os que
não se acomodam.
Não
prescindam dos princípios que nos deram a sociedade mais evoluída de sempre. Não
prescindam dos princípios que obrigaram o capital a aplacar a sua sede sanguinária
de riqueza e poder. Não permitam que apresentem ideais libertários como
ultrapassados.
Um
ideal progressista, humanista e libertário nunca é ultrapassado. Nunca o
poderia ser.
Não prescindam
a esperança num futuro melhor, senão, não vos sobra nada porque viver e lutar.
No dia em que o “desgraçado governo da nossa desgraça”
decidiu lançar 3 mil milhões de euros em dívida pública a 10 anos, segundo as
notícias veiculadas pela comunicação social, a procura por parte dos mercados
correspondeu a um montante de quase 10 mil milhões.
Essa elevada procura, segundo dizem, permitiu colocar a
dívida a 5,11% de juro. Foi uma festa enorme, foguetes, confettis e musica a rodos.
Palhaços e palhaçadas, nem se fala. Foi um ver se te avias. O IGCP veio dizer
que esta operação foi um sucesso total, "atingindo um marco importante ao
começar a pré-financiar 2015 e a construir uma almofada de tesouraria".
Almofada? Pré-financiamento de 2015? Então, não havia que
aplicar medidas draconianas porque sem elas o dinheiro não chegava? E agora já
se fala em almofada de tesouraria para 2015? Algo não bate certo. E bate ainda
menos certo quando, no mesmo dia a Espanha colocou dívida, também a dez anos, só
que com juros de 2,8%. Ora, se os portugueses 5,11% são um sucesso, como se
classificarão os espanhóis 2,8%? Um êxtase económico-mercantil? Uma lotaria
financeira? O euromilhões da dívida pública?
Não, meus caros, o euromilhões da dívida pública estamos nós,
Portugueses do povão, a atribuir à banca internacional da Escandinávia,
Inglaterra, Portuguesa e outras que tais. Esses é que estão a ganhar o euromilhões
da dívida pública, pago com os nossos impostos, a nossa miséria e a nossa fome.
Regozija-se esta cambada irresponsável com os atingidos
5,11%, mas a questão é esta: só se atingiu esta “incrível” taxa de juro porque
a procura foi muito superior, porque se a procura tem ficado abaixo e não tem
havido leilão, levávamos outra vez com uma taxa de 10%. É esta a confiança que
os divinos “mercados” têm na nossa economia e na bonomia do nosso “desgraçado
governo da nossa desgraça”.
E mais sublinho, mesmo assim, atingem 5,11%. Sabem porquê?
Porque o BCE tem a rede metida nos mercados secundários. Porque senão… Ora, se
o BCE garante, como é que um empréstimo a 10 anos, com juros batidos a 5,11%, não
há-de tornar-se um bom investimento? Ganham 5,11% sem mexer uma palha. E ainda
se garante que, aconteça o que acontecer, recebem sempre. Ainda dizem que isto
se deve à desconstrução politica desta maralha a que chama governo português?
A verdade em Inglês, a mentira e Português
Paulo Portas, na sua tradicional capacidade para prometer o
que não cumpre ou o que apenas pode cumprir em muito pequena escala, veio dizer
que, em 2015, face aos sucessos alcançados, é natural – natural, vejam só – que
se possa aliviar a conta do IRS cobrado ás famílias.
É assim: em Junho do ano passado, estava irrevogavelmente
para se ir embora; em Dezembro de 2013, o país estava à beira da banca rota e
até se falava em 2.º resgate como forma de pressionar o TC; em Fevereiro de
2014, já se pode baixar o IRS a curto prazo. Típico deste governo. O que diz
hoje, não repete amanhã e o que faz agora, desfaz mais logo. A eterna convulsão
de um governo em estado de fragmentação, apenas agregado por uma cintura de
interesses económicos que, em nada, confluem com os interesses do país e do
povo Português.
Claro que, a ministra das Finanças – qual Gaspar com menos
olheiras e de sexo diferente – se apressou, ainda ontem, em inglês para ninguém
perceber, que não se julgue que a austeridade vai acabar, porque não vai! Ainda
faltam muitos, muitos anos! Já não será no nosso tempo?
Nem um jornaleiro ouvi, questionar o Portas e o Coelho, sobre
que raio de contradição é esta. Nem um. Então em Português, diz o governo que
isto vai aliviar, em Inglês, o mesmo governo diz que isto vai continuar a
apertar. Ele diz que sim, ela diz que “No”.
Esta realidade só pode ter duas leituras: uma, a de que o
governo não se governa a si próprio, e cada um diz o que lhe apetece e o que
lhe parece que é o melhor para si próprio e para o seu projecto político; duas,
a de que o governo tem um discurso para dentro e outro para fora; para fora diz
a verdade e para dentro a mentira. Admirados?
Ora, as duas são verdade. Portas, quer voltar ao poleiro em
2015 e por isso faz uma promessa pré-eleitoral. A ministra quer ter duas
alternativas de carreira: a primeira, manter-se no poleiro em 2015 e por isso,
só diz a verdade em Bruxelas e mesmo lá, em Inglês; a segunda, a ministra quer
ter alternativas profissionais para o caso de o poleiro falhar e, assim, sabe
que se defender um discurso austeritário, ultra liberal e financeirista, terá
as portas abertas no BCE, FMI, Banco Mundial… Eis a explicação.
E porquê a almofada?
Isto leva-nos à existência da almofada. É que o governo, ao
contrário do que Passos sempre disse – para variar – está preocupado com o
efeito eleitoral das suas medidas ultra liberais. Então concebeu um plano relâmpago,
numa lógica de Blitzkrieg:
Sair
em Junho do programa de assistência à Irlandesa sem qualquer apoio
cautelar (leia-se segundo resgate, seja o da troika, seja o do BCE).
Esta saída permitirá ao governo dizer: - Vêem
Portugueses? O governo prometeu que iríamos seguir no bom caminho. A prova é
que acabámos o programa no prazo acordado e não precisamos de ajuda de ninguém.
Fantástico não é?
Já estou a ouvir o coro de loas tecidas pelos seguidistas do
costume, que obrigar-me-ão a desligar a televisão sempre que a ligar, para não
ter de a partir.
Em
2015, diminui o IRS, aumenta as reformas e os funcionários públicos.
Esta medida colocará o coro de anjinhos laranjas (há uma
empresa que trabalha com o governo no caso das start-ups que se chama “business
angels”) a dizer: - Agora é que isto vai para a frente, este governo
recuperou o país!
Será uma infindável festança, dias e noites a fio de auto
regozijo, de Carnaval político e de embriaguez eleitoral que durará até ao verão.
Claro que, para que isto suceda é preciso uma almofada que
permita ao governo estar cerca de um ano e meio após a saída do programa da troika,
sem ter necessidade de ir aos mercados. Tudo para não estar sujeito a possíveis
convulsões e ataques especulativos numa fase de fragilidade financeira. Daí a
necessidade da constituição de almofada.
A que custo?
Esta cambada de suínos, javardolas e irresponsáveis,
sedentos de poder, sangue e dinheiro, retirados do filme italiano “feios,
porcos e maus”, só com diferença para o primeiro atributo, o que faria fazer um
filme novo chamado “bonitos, porcos e aldrabões”, só para ganharem as eleições
vão colocar o país numa situação ainda mais insustentável?
Vão! Tudo pelo seu ego narcisista. Esta récua malcheirosa vai
sujeitar-nos aos seguintes danos potenciais e reais:
Pagar
juros elevadíssimos (5,11%) para criar uma almofada que ajude a criar a
inclusão de estabilidade. Ora, os 5,11% são insustentáveis. Para saberem
da insustentabilidade de um juro basta pensarmos assim: Se os juros se
situarem acima da taxa de crescimento real da economia, são insustentáveis.
Agora percebem como é que a divida está sempre a crescer, mesmo com os
cortes todos;
Aumentar
a divida pública, o que sujeitará o mercado bancário ao pagamento de juros
mais elevados sempre que se pretender financiar nos mercados;
Aumentar
os impostos e reduzir as despesas sociais para ter de pagar os juros e a
divida acrescida, uma vez que a economia não crescerá o suficiente para, só
por si, provocar um aumento da receita do estado, de forma a permitir o
reembolso da divida;
E a pior
Se
passado 2015 e, após as eleições, o governo ganhador tiver de ir aos
mercados e os juros começarem a subir outra vez (ou basta manterem-se a
5,11%), lá vai o país ter de recorrer outra vez ao FMI e à troika só que
desta vez em condições ainda mais frágeis do que esta em que ainda
estamos.
Nessa altura já não haverão privatizações porque estes
cavalos já venderam tudo ao desbarato aos amigos costumeiros. É esta a
gravidade da nossa situação. É esta a situação em que nos colocam governos
sucessivos de irresponsáveis doentes pelo poder.
E o PS?
Depois vem a caricatura do PS. O partido que mais tem traído
o seu eleitorado.
Seguro
nãos e insurge contra as privatizações
Seguro
não se insurge contra as novas PPP que aí vêm para a ferrovia
Seguro
não promove tribunais próprios para as empresas estrangeiras, tentando
assim criar um estado dentro de um estado
Seguro
não tem estratégia para o país
O PS é um partido, hoje em dia (sucede com todos os partidos
trabalhistas e socialistas da Europa), sem espaço político. Ao trair o seu
eleitorado em benefício da ideologia neo-liberal, hipotecou as expectativas dos
social-democratas e dos “apelidados” socialistas moderados. O PS defraudou
todos os que pensavam ser possível domesticar o capital financeiro.
Apelidando outros de radicais, extremistas e sectários, o PS
desradicalizou-se e perdeu-se na bruma do cinzentismo politico, na névoa criada
por aqueles que dizem que “não há esquerda nem direita”, que a ideologia é
coisa do passado e que o tempo não é de “luta de classes”. Ao fazê-lo, o PS
tornou-se, no essencial, mais um partido de sistema, um partido de rotação e de
aparência democrática. O PS passou a fazer parte da farsa que é criada para fazer
parecer ao povo que as alternativas existem, sem existirem, porque quem ganha,
PS ou PSD, quem manda continua a mandar e quem tem continua a ter e quem perde
continua a perder.
O risco desta amálgama de indiferença, de politica
indistinta, de posicionamentos caracterizados pelo salamaleque daquele que se
considera igual, de amiguismos e falsos consensos, é enorme. É o risco de não
termos futuro. É o risco de esquecermos o passado como referência do que não
deveria de voltar a ser.
Só em nós, tu, ele, vós, eles, está a força de poder mudar
isto. Estão preparados?