Todos tão preocupados...

O que, verdadeira e estruturalmente, prejudica as crianças

Era uma vez um governo que mentiu para ser eleito. Ele era impostos mais baixos, ele era combate à corrupção, ele era concertação social, ele criação de emprego, ele era apoio aos pobres...Enfim, ouvindo as declarações de tais candidatos (proficuamente disponíveis  no youtube e outros, para quem quiser confirmar), o mundo seria uma coisa óptima para se viver. Portugal, finalmente, iria entrar nos eixos...

Bem, a ressaca da ilusão foi enorme - se é que podemos chamar ilusão colectiva a um governo eleito por tão pouca gente (abstenção de 40% e dos 60% de eleitos, só votaram nele pouco mais do que 40%) -, foi tão grande como cair da cama ao acordar e descobrir que, em ved de cairmos da cama, caímos de um terceiro andar. Pelo menos, esta ressaca foi tal que, demasiada gente entrou em politica de negação, ao ponto de podermos dizer que este governo foi eleito por obra e graça de deus. Pelo que vejo quando ouço as pessoas...ninguém votou nele! Mas, como dizia, a ressaca da ilusão foi provocada por um doloroso e diria, sádico, acordar repentino (passados alguns dias do místico acto eleitoral).

E então? Foi a legislação laboral que promoveu despedimentos de trabalhadores que, sendo pais e mães, são impedidos de poderem proporcionar um desenvolvimento diferenciado aos seus rebentos, o que é extremamente importante, numa sociedade em que tudo tem de se pagar (aliás, também como propõe o místico governo). As mesmas alterações à legislação laboral, passaram a descaracterizar ainda mais os horários de trabalho, promovendo uma tal desequilíbrio vida e trabalho que, como se sabe, tem consequências nefastas nos enquadramentos familiares, promovendo distorções educativas que, de forma inevitável, terão consequências na vida das crianças.

Foi também uma subida tal dos impostos e uma baixa nas deduções (nomeadamente com a educação) que de motivador, quer para a natalidade, quer para a posta na educação das crianças, na tem, até pelo contrário. É o ataque aos pensionistas que, depois de vir um ministro da segurança social dizer - o tal que apareceu de mota e saiu de audi - que os avós eram o grande apoio das famílias, não deixa ter piada mais esse ataque ao apoio às crianças.

Foi, ainda, um ataque geral à escola pública, com fecho de escolas, despedimento de professores em massa, de auxiliares educativos (em algumas escolas há 1 auxiliar para centenas de crianças) e o final de um sem número de apoios educativos suplementares que colocam em causa a qualidade da educação das crianças que, ao contrários dos filhos destes seres desumanos, não podem ir para os seu elitistas colégios particulares. É o Ministro que manda emigrar os pais desempregados, os filhos desempregados, provocando uma fuga em massa de gente válida, provocando a desestruturação de famílias que se separam dos seus filhos, prejudicando gravemente a sua educação, ainda mais quando ficam com os avós pensionistas.

É o fim dos abonos de família (qualquer trabalhador "rico" que ganhe mil euros, já não tem abono), os cortes no RSI, nos subsídios de desemprego, que têm consequências inevitáveis nas famílias de baixa condição sócio económica (claro, não são os filhos deles...) e que estão na origem de um número indeterminado de crianças que passam fome e nada dizem para que não as separem dos pais. É o ataque à saúde pública, ataque sem dó nem piedade, com consequências tais na mortalidade infantil que, Portugal, um país que estava à frente nesta matéria, já desceu no ranking. Portanto, não temos que ter medo das palavras, este governo é responsável pela morte de crianças (já para não falar dos outros).

É o ataque aos funcionários públicos que são pais de filhos, mas que, pelos vistos, têm culpa de existir. É, desta forma, um tal amontoado de ataques que desgraçam diariamente a vida de milhares de crianças, tornando-a mais difícil em todos os aspectos, quer pelo enquadramento económico, social, cultural e familiar que não tem qualquer paralelo na nossa breve história democrática. Enfim, com este desqualificado e desestruturado governo, nada fica como era, piorando tudo sem excepção.

Bem, além de um bando de "terroristas, assassinos, bandidos, marginais, rebeldes, revoltosos" e gente que não quer bem do país, além deste, não se ouvia Jornalista, Padre, Governante, que se preocupasse com as criancinhas. Nem a Madame Jeunet.

Mas...e depois? E quado forma os pais professores a aparecer?

Os que não se preocupam, verdadeiramente, com as crianças

Bem, nesta guerra dos professores e governo, veio o Ministro Nuno Crato, muito preocupado com as criancinhas (certo que não com as suas que estarão, a esta hora, no Americano, no Inglês, no Francês ou dizer que os professores estão a prejudicar os estudantes do país.  Pois, de facto, prejudica mais não fazer um exame do que colocar em causa a vida e o sucesso educativo de milhares de crianças, com as politicas desumanas, desastradas e fascistas deste governo (fascistas sim). Sim, isso não prejudica nada! Até parece um squetch cómico, não é?
nos Salesianos...)

Depois vem o Bispo do Porto que, com a superioridade moral que só ele acha que tem, vem atacar os professores de não quererem de saber das criancinhas. Bem, eu não quero ser mau ao ponto de começar por lembrá-lo dos escândalos de pedofilia que todos os dias grassam na sua igreja (sim, ali gosta-se muito de criancinhas...), até porque não podemos generalizar. Mas este senhor Bispo poderia começar por essa limpeza, não? Por outro lado, já posso falar da Igreja Católica em especial sempre ter estado ao lado de tudo o que foi ditador, nomeadamente do Salazar e companhia. Mas isso, são águas passadas. Contudo, nunca vi este senhor insurgir-se contra as politicas anti sociais e anti infantis deste governo. E é aqui que eu o condeno. O resto...o resto é outra missa e eu não discrimino ninguém por ser religioso. Aliás, a religião também pode ter coisas boas, o problema é que, da teologia à prática vai uma distância... É como da Lua ao Sol!

Depois vem aquela cabeça de Galinha, do "Eixo do mal" que, todos os dias ataca o governo, mas quando tratou de defender os professores, aí é que vêm ao de cima os seus complexos elitistas e de direita. Não é que ela não o pudesse defender, mas a verdade é que o faz com uma tal inconsistência que se vê que há ali muita coisa para arrumar naquele sótão. Então as politicas do governo que ela critica não são muito piores do que mudar as datas de algum exame?

Depois, para cúmulo, na TV ouvi uma estudante feiosa com cara de marrona, contra os professores porque, coitada, tem de mudar o dia de exame. Então esta marrona não percebe que o que lhe espera se os professores e outros como nós não lutarmos é bem pior do que a "desgraça" de mudar um dia de exame? Não percebe que, para se fazer um conquista importante, tem de se pagar um preço? Será que ninguém, durante os 12 anos de escola, ensinou a esta garota que tudo o que conseguimos tem um preço? Que nada é de graça? Então ela pensava que a escola pública sempre existiu? Que nunca ninguém fez uma greve por causa disso? Aí, meus caros, a culpa é que já pode ser de alguns professores que não explicam aos seus estudantes que a luta pela liberdade e pela democracia se faz com greves, manifestações e outras acções do tipo. E que essa luta tem de ser colectiva e que o individualismo e o conformismo são os piores do mal de uma sociedade. Já o dizia o Eça.

Mas como eu dizia, não deixa de ter piada que esta gente, perante tal ataque é que se vem agora preocupar com as criancinhas...e eu pergunto: Os professores não são pais e mães de filhos? E não se preocupam com os seus filhos? Então? Perdiam o seu emprego e depois, como ficariam os seus filhos? Ah esses já não contam? São o quê? privilegiados? Pois é, vêem a incongruência dos argumentos de cima?

É que se não os paramos,s e não os combatemos, isto toca a todos. E os professores são trabalhadores como os outros que, como qualquer ser humano, têm de defender os eu posto de trabalho para que o fazendo, defendam os seus filhos e em consequência, em virtude do que fazem, protejam os nossos filhos e a escola em geral. Não há melhor protecção da escola publica do que a afirmação veemente dos nossos direitos democráticos. A democracia e o combate à ditadura é a melhor garantia da qualidade da educaçãod as nossas crianças. Caso contrário, o que nos espera? a todos nós? Podem crer, comparado com isso, a mudança dos exames, é um mal necessário.

À parte

É claro, o governo vem tentar dividir o povo...mas que o povo se deixe dividir, por egoísmos, individualismos e comodismos, é que não se pode aceitar.

O que não se pode aceitar é sermos governados por gente tão falsa que, perante argumentos, vem à comunicação social mentir com todos os dentes. Ai, meus caros, grande Mário Nogueira, é assim mesmo. Com gente desta têm de se começar a pedir as gravações. Estamos a falar de gente que mentiu para chegar ao governo e, como valeu a pena, continuam a mentir para lá ficar.

Agora, neste país só é possível chegar a governante mentindo porque temos uma Comunicação Social corrupta, económica e politicamente condicionada e que é dominada por grupos de interesses anti democráticos que não exigem aos políticos uma postura ética. Aliás, quando entrevista um governante, o governante impõe logo o que responde o que não quer que lhe perguntem.

As farsas saem caro e a ressaca da farsa está a doer. Trabalhemos para serem as nossas crianças a salvar isto.

P.s.

O "grande" Marques Mendes, entre cravos e ferraduras veio dizer..."quem perde com isto é a escola pública, afinal, nos privados não há greves".

Pois é, então, o que ele quer dizer é que, para acabar com as greves, acabe-se com a escola pública. Porque o problema são as greves e os professores, o problema não é o governo e a sua politica anti social. Está na linha da sua dimensão!


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